Tuesday, February 20, 2018

Poemas sobre a Via Sacra

Jesus é condenado à morte

A morrer, sois condenado,
no madeiro, Meu Senhor,
pelo Vosso imenso amor
pelos homens, rejeitado.

Inocente sois, Senhor,
mas lavei as minhas mãos
com a minha ingratidão
pelo Vosso imenso amor.

Flagelado e coroado
de espinhos e de injúrias,
em silêncio, sem lamúrias,

condenastes o pecado,
redimindo o pecador
pelo Vosso imenso amor.


Jesus toma a cruz aos ombros

Vossos ombros inocentes,
Meu Jesus imaculado,
Vossa cruz, os meus pecados,
carregaram, Deus clemente.

E o peso de tal fardo
dolorosa chaga abriu
-a maior- e redimiu,
Vossa cruz, os meus pecados.

Meu Jesus humilde e manso,
sois, Senhor, o meu descanso,
porque Vós me haveis curado.

O castigo já não tenho,
perdoou o santo lenho,
Vossa cruz, os meus pecados.



Jesus cai pela primeira vez

No caminho só desprezo
e caístes, Bom Jesus.
Minhas quedas, Vossa cruz,
cumularam com tal peso.

A que pena Vos expus
-a Vós, Meu Jesus Querido!-,
mas caindo, há vencido
minhas quedas, Vossa cruz.

Se a queda original,
causa foi de tanto mal,
Vossa queda, Meu Jesus,

reergueu o pecador,
derrubando, pelo amor,
minhas quedas, Vossa cruz.


Jesus encontra sua Mãe

Do Calvário, a caminho,
um consolo nesta Via:
Vossa Santa Mãe Maria,
quem não Vos deixou sozinho.

Sofre dor, vive a alegria,
traspassado o coração,
prenunciando a Salvação,
Vossa Santa Mãe Maria.

Vede a Virgem Dolorosa!,
no seu íntimo Ela goza
pois a Páscoa se anuncia!

Dá-me exemplo de Esperança,
de uma Fé que não se cansa,
Vossa Santa Mãe Maria.


Jesus é ajudado pelo Cireneu


A caminho do Calvário,
eis Simão, homem que passa,
que a Vossa cruz abraça
em auxílio solidário.

Tendes já a força escassa,
mas Vos alivia a dor
todo aquele pecador
que a Vossa cruz abraça.

Quem não toma a sua Cruz
e Vos segue, Bom Jesus,
acha a vida e perde a Graça.

Mas caminha para o Céu
quem faz como o Cireneu,
quem a Vossa cruz abraça.
  

Verônica enxuga o rosto de Jesus 

Vosso rosto enxugado
por Verônica, Senhor,
é o retrato do Amor
que nos foi manifestado.

Sem beleza ou esplendor,
quem dirá que tal estado
-rosto tão desfigurado-,
é o retrato do Amor?

Só verá a Vossa luz
quem não rechaçar a cruz;
quem, o rosto sofredor,

vir na dor de seu irmão.
Meu Senhor, Vossa Paixão
é o retrato do Amor.

Jesus cai pela segunda vez 

Minhas quedas repetidas
Vos derrubam novamente.
O pecado é decadente
quando cai o Deus da Vida.

Por sofrerdes paciente
o martírio indevido,
o perdão é concedido,
o pecado é decadente.

Vossa queda me levante
e que eu siga adiante,
com a Graça e combatente.

Vossa queda é a vitória:
elevando-nos à Glória,
o pecado é decadente. 

Jesus consola as mulheres 

Nesta Via dolorosa,
Vós, o Servo Sofredor,
sois, Jesus, Consolador,
das mulheres piedosas.

E também do pecador,
que chorava amargurado
pela dor dos seus pecados,
sois, Jesus, Consolador,

por me haverdes perdoado.
E de todos os carentes,
dos mais pobres, dos doentes,

dos que estão atribulados,
Vós, o Servo Sofredor,
sois, Jesus, Consolador.


Jesus cai pela terceira vez 
Fostes, Vós, Jesus, ao chão,
no caminho, uma vez mais.
Vós da queda me guardais,
sois a minha Salvação.

Só convosco sou capaz
de erguer-me do pecado,
e agora, levantado,
Vós da queda me guardais.

Meu Jesus, que eu não caia,
que o Vosso amor não traia,
já Vos fiz sofrer demais

-já Vos fiz cair três vezes!
Que eu lute, que eu reze:
Vós da queda me guardais!  

Jesus é despido 

Para, à cruz, serdes pregado,
a morrer, estando prestes,
Meu Jesus, das Vossas vestes,
sois agora despojado.

Vós, a guerra, não perdestes,
como julgam os soldados,
que repartem com os dados,
Meu Jesus, as Vossas vestes.

Despojando-Vos da Glória,
encarnando-Vos na história,
o pecado, Vós vencestes.

Eu também quero despir-me
-do pecado- e revestir-me,
Meu Jesus, das Vossas vestes.

Jesus é pregado na cruz 

Com os pés e com as mãos,
pelos cravos traspassados,
fostes, Vós, à cruz pregado,
pela minha Salvação.

Sendo então injuriado,
concedestes o perdão.
Para a Reconciliação,
fostes, Vós, à cruz pregado.

Pelo sangue que jorrava
pelas chagas gloriosas,
Vosso amor então lavava

as feridas do pecado.
Numa entrega amorosa,
fostes, Vós, à cruz pregado. 

Jesus morre na cruz 

Foram três horas de trevas,
e selou a minha sorte,
Meu Jesus, a Vossa morte,
pois à Vida ela me leva.

E da lança veio o corte:
água e sangue então do lado
jorram. Lava os pecados,
Meu Jesus, a Vossa morte.

E então abriu-se o Céu.
Vossa cruz, Senhor, me deu
nova vida, novo norte:

alcançando-me o perdão,
deu-me a Reconciliação,
Meu Jesus, a Vossa morte.

Jesus é descido da cruz 

Vosso Corpo inerte jaz
e da cruz ele é descido.
Por Maria recebido,
nos seus braços descansais.

Vós haveis do céu descido
para o seio imaculado.
Sois, mais uma vez, Amado,
por Maria recebido.

Que possais, Meu Redentor
-na alegria e na dor-
ser, por mim, sempre acolhido.

Que, ao final da minha via,
possa ser, com alegria,
por Maria recebido. 

Jesus é sepultado 

O silêncio reina agora.
Recoberto de cuidados,
Jesus, fostes sepultado.
Eis que espero Vossa Hora.

Num sepulcro não usado,
no jardim junto ao Calvário,
enrolado num sudário,
Jesus, fostes sepultado.

Aos infernos, Vós descestes,
e os justos socorrestes
-oh, momento ansiado,

que os liberta, afinal!
Sepultando todo mal,
Jesus, fostes sepultado.



"Carregamento da Cruz" (1366-67), de Andrea da Firenze

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