Friday, December 30, 2016

Oitava do Natal: reflexões e meditações

Hino do Ofício das Leituras

Eterno esplendor da beleza divina,
ó Cristo, vós sois luz e vida e perdão.
Às nossas doenças trazeis o remédio,
abris uma porta para a salvação.

O coro dos anjos ressoa na terra
e um mundo novo seu canto anuncia:
a glória a Deus Pai nas alturas celestes,
e ao gênero humano a paz e a alegria.

Embora pequeno, deitado em presépio,
em todo o Universo, ó Cristo, reinas.
Ó fruto bendito da Virgem sem mancha,
que todos vos amem num reino de paz.

Nasceis para dar-nos o céu como Pátria,
vivendo na carne da humanidade.
Renovem-se as mentes e os corações,
se unam por laços de tal caridade.





Às vozes dos anjos as nossas unimos,
num coro exultante de glória e louvor,
cantando aleluias ao Pai e ao Filho,
cantando louvores e graças ao Amor.



26 de dezembro: Festa de Santo Estêvão, Protomártir (2o dia na Oitava do Natal)

"Tende cuidado com os homens: hão de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas sinagogas. [...] O irmão entregará à morte o irmão e o pai entregará o filho. Os filhos hão-de erguer-se contra os pais e causar-lhes a morte. E sereis odiados por todos por causa do meu nome. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo" (Mt 10,17.21-22).

Santo Estêvão, protomártir, foi morto por alguns da sinagoga, que ainda era parte da Igreja, até a destruição do Templo (cf. At 2,46), quando o antigo Israel se separou da raiz e do tronco da Verdadeira Religião, que são Cristo e os Apóstolos.

Também no tempo da Igreja (que durará para sempre e será completamente purificada no fim dos tempos), os eclesiásticos perseguiriam alguns cristãos valorosos: "irmãos contra irmãos". Pense-se em Joana D'Arc, João da Cruz, ou no Pe. Pio de Pietrelcina, perseguidos pela Inquisição, ou, hoje, na perseguição aos 4 corajosos cardeais que querem ajudar o Papa a manter a Igreja fiel a si mesma e a Cristo. "Filhos contra pais”: filhos na fé contra os antigos que nos legaram a Sagrada Tradição católica ["progressistas" serão tentados a pensar nos “cardeais contra o Papa”].

O verbo composto no grego original ("sereis odiados") indica uma ação continuada (e não apenas perseguições pontuais no futuro): em todo tempo e lugar haverá quem considere o Cristianismo um "mal" ("odiar" é tomar algo sentimental e praticamente como mau). Nosso tempo, contudo, nutre ou uma peculiar indiferença (que é uma das faces do ódio) ou uma peculiar perseguição (até de "dentro da trincheira", como indicado), às vezes velada e às vezes aberta e cruel.

É necessário “perseverar” (do latim), isto é, “atravessar severamente”: “severo” pode significar “inflexível” -do que se acusa os cardeais e os “conservadores” (sic)-, mas tem em sua raiz “vero”, “verdadeiro”; assim, perseverar é manter-se na Verdade, manter-se firme ou de pé -daí a tradução “stands firm” em inglês- na Verdade.

Que tenhamos a coragem de Santo Estêvão e de todos os mártires e confessores: que a Fé trazida pelo Recém-Nascido e que nasceu em nós no batismo possa sempre crescer e ser testemunhada sem temor.

Imagem: "Santo Estêvão" (1320-25) de Giotto


27 de dezembro: Festa de São João Evangelista

“[João] antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro [...] [Ele] viu e acreditou" (Jo 20,4.8).
O amor de João faz-lhe chegar mais rápido! Sua fé penetra mais profundamente nos sinais visíveis! -agudeza tal que lhe permitiu ser comparado à águia (cf. Ap 4,7).

Trata-se de um amor e de uma fé teologais que suplementam mas não dispensam sua dedicação (sua "corrida") e sua perspicácia -a graça pressupõe a natureza-; amor e fé que descobrem o Deus invisível nos pormenores, e que mergulha no mistério profundo de Jesus, o Verbo Encarnado -e até mesmo é capaz de perscrutar os rumos da história até o seu juízo final.

Ele se recosta no peito de Cristo como a escutar, no palpitar do Sagrado Coração, a Palavra Eterna escondida sob a humanidade do Mestre.

Que ao mirar o presépio nestes dias de festa, participemos do amor e da fé de João, que vejamos e amemos o Deus Conosco! Que intensifiquemos a esperança de um dia "ver, contemplar e tocar o Verbo da Vida" (cf. 1a leitura: 1Jo 1,1).

Imagem: "A visão de Jerusalém de São João Evangelista" (1636-37), de Alonso Cano


28 de dezembro: Festa dos Santos Inocentes

"Quando Herodes percebeu que fora iludido pelos Magos, encheu-se de grande furor e mandou matar em Belém e nos eu território todos os meninos de dois anos ou menos, conforme o tempo que os Magos lhe tinham indicado" (Mt 2,16).

Herodes é paradigma do poder político leviatânico, que não reconhece a primazia da autoridade religiosa, e que busca destruir sua influência sobre as pessoas -o que se faz, na Modernidade, através de todo tipo de propaganda mentirosa sobre a Religião cristã.

Herodes teme o Menino que veio reinar nos corações e dirigir-se a nossas liberdades, para nos tornar verdadeiramente livres, pelo conhecimento da Verdade (cf. Jo 8,32), de toda opressão do pecado e dos poderes políticos, os quais, mantendo as pessoas longe do desígnio amoroso de Deus, engana-as com as ilusões do ter, do prazer e da autossuficiência (as clássicas concupiscências), servindo, deste modo, ao Inimigo do gênero humano.

Que não temamos, se preciso for, seguir o exemplo daquelas santas crianças, dando a vida para defender os direitos de Deus, O Único que verdadeiramente preserva os direitos da pessoa humana, começando pelo primeiro de todos, sem o qual não se dão os demais, que é o direito à vida, tão vilipendiado em nossos dias pela sanha assassina dos novos herodianos que são os defensores do aborto, em nome de uma monstruosa concepção de "laicidade".

Viva o Menino Jesus! Vivam as crianças inocentes! Que nenhuma seja morta no seio materno, e que todas conheçam e amem o seu Redentor, vivendo uma existência digna!

Imagem: "Massacre dos inocentes" (1451-52), de Fra Angelico


29 de dezembro: 5o dia da Oitava do Natal

"Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: 'Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição..." (Lc 2,34)

Em sua Encarnação, da manjedoura à cruz, Cristo é sinal de contradição: o Deus e Rei do Universo começa deitado numa manjedoura entre animais num estábulo fora da hospedagem e termina pregado na cruz entre ladrões fora dos muros de Jerusalém (cf. Jo 1,11). 

Ele fez-se frágil (Lc 2,6-7) para que sejamos fortes (cf. 1Cor 16,13); tornou-se Filho do Homem (cf. Jo 1,14) para dar-nos a filiação divina (cf. Jo 1,12; 2Pe 1,4); fez-se servo (Fl 2,7) para tornar-nos amigos de Deus (cf. Jo 15,15) e seus herdeiros (cf. Gl 4,7); fez-se pobre para enriquecer-nos (cf. 2Cor 8,9); viveu virginalmente (cf. Mt 19,12) para desposar todas as almas (cf. Ef 5,32; 1Cor 6,17); teve fome (cf. Mt 4,2) e sede (cf. Jo 4,7; Jo 19,28) para alimentar-nos e saciar-nos (cf. Jo 6,55; Jo 7,37); viveu nossa angústia (cf. Lc 22,44) para ser nossa esperança (1Tm 1,1); assumiu nossas tristezas (cf. Jo 11,35; Mt 26,38) para dar-nos a felicidade divina (cf. Mt 5,3-11); fez-se maldição (Gl 3,13) para trazer-nos a bênção (cf. Ef 1,3); foi feito pecado (cf. 2Cor 5,21) para ser nossa santificação (cf. 1Cor 1,30); aniquilou-se (cf. Fl 2,7) para dar-nos a Vida (cf. Jo 3,15-16); deixou-se coroar de espinhos (cf. Mt 27,29) para dar-nos a coroa da glória (cf. 1Pe 5,4); desceu aos infernos (cf. 1Pe 3,18-19) para elevar-nos ao Céu (cf. Jo 14,3); partiu para o Pai (cf. Jo 13,1) para ficar conosco para sempre (cf. Mt 28,20).

Que nossas vidas sejam também cheias destas benditas contradições que redimem o mundo!

Imagem: "Simeão e Ana reconhecem o Senhor em Jesus" (c. 1629), de Rembrandt


30 de dezembro: Festa da Sagrada Família

"Morto Herodes, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse-lhe: 'Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino.' Levantando-se, ele tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel'" (Mt 2,19-21).

Para ouvir a voz do Anjo do Senhor é necessário ser puro de coração. Para cumprir prontamente a vontade de Deus é preciso o despojamento do espírito. Obediência, castidade e pobreza estão entrelaçados: não se tem uma se não se tem as outras.

De José (e de Maria) Jesus aprendeu humanamente a servir a Deus, aprendeu os conselhos evangélicos, que seu pai putativo vivia em altíssimo grau. Tais conselhos, na medida do estado de vida de cada um, são para todos.

Também as famílias cristãs são chamadas à santidade heroica, mesmo que este heroísmo seja silencioso como a figura de São José na Bíblia. O heroísmo de quem se levanta prontamente de madrugada para acorrer ao bebê que chora, de que quem corre com o filho dodói para o médico, de quem ouve com atenção a voz dos pequeninos anjos e do cônjuge, de quem educa os filhos na fé e nos valores cristãos, de quem reza todos os dias, de quem trabalha com espírito evangélico, de quem vive de modo extraordinário as coisas ordinárias, com aquele plus que é a caridade sobrenatural. A santidade de quem doa a vida para que os filhos e o cônjuge não sejam alcançados pelo mal e vivam em segurança junto a Deus!

Voltemos, famílias, a "Israel"! Convertamo-nos a Deus!

Jesus, Maria e José, minha família vossa é!


31 de dezembro: 7o dia da Oitava de Natal

"Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigênito, que está no seio do Pai, é o que O deu a conhecer" (Jo 1, 17-18).

A graça e a verdade vêm juntas: o que Jesus enuncia sobre Deus (a Verdade) se cumpre eficazmente em virtude do amor gratuito que Sua Encarnação significa e comunica. "Ciência" e "unção" (cf. 1a leitura: 1Jo 2,20). Não mais uma Lei de Santidade como horizonte ideal jamais alcançável, mas o Amor Encarnado que se deixa conhecer pelo anúncio da Palavra e nos enxerta nEle pelos Sacramentos.

Com Cristo temos acesso ao Pai e nos aproximamos com Ele do "trono da graça" (cf. Hb 4,16).

Imagem: "O Trono da Graça" (1510s), ("Mestre do Santo Parentesco [Holy Kinship]", pintor alemão)





1 de janeiro: Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

"Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno" (Lc 2,21).

O nome de Jesus indica a sua missão: a de Salvador. O Recém-Nascido cumpre a Lei: é circuncidado, indicando sua pertença ao Povo Eleito, no qual entrou através do seio imaculado da Virgem Mãe. 

A esta circuncisão corresponde, no tempo da Graça, o Batismo, pelo qual também as pessoas que não descendem de Abraão tornam-se "Povo", recebem o nome de "cristãos" e são feitos filhos de Maria (cf. Jo 19,27). 

Que circuncidemos o nosso coração (cf. Rm 2,29), isto é, que vivamos de acordo com o Espírito recebido no Batismo, como outros filhos da Virgem; que ela, assim, nos ajude a viver em conformidade com o seu Primogênito.

Feliz Ano Novo, junto ao Homem Novo, que é Cristo Jesus, o Filho de Maria!

Friday, December 23, 2016

Leitura orante: Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

O preceito de Natal pode ser cumprido em 4 missas: a da Vigília (que não é a "do Galo", mas se celebra na tarde do dia 24), a da Noite ("do Galo"), da Aurora (raramente celebrada, deve ser rezada na manhãzinha do dia 25) e a do Dia (do Evangelho do Prólogo de S. João). Retomo duas meditações que já fiz: sobre S. José (para a Vigília) e a Virgem Maria (para a Aurora), complementando com outras duas sobre a Missa da Noite a do Dia.



Missa da Vigília (Evangelho: Mt 1,11-25):


"José, seu esposo, sendo justo e não querendo difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Enquanto assim decidia, eis que o Anjo do Senhor manifestou-se a ele em sonho, dizendo: 'José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo...'" (Mt 1,19-20)



A Vulgata diz: "voluit occulte dimittere eam" (Mt 1,19b). 

Dimittere = enviar, despedir, licenciar, remeter, abandonar.

José viveria com Maria, liberando-a das obrigações maritais, pois não se julgava digno dela. Ele era "justo", não faz sentido pensar que fizesse algum juízo temerário, nem que fosse abandoná-la, pois então ela seria difamada ou ficaria desprotegida. O anjo apareceu-lhe para mostrar-lhe que ele era merecedor de Maria e que seria seu verdadeiro (e não só legal) esposo, ainda que numa conjugalidade virginal.


Imagem: "O sonho de José" (c. 1790), de Gaetano Gandolfi










Missa da Noite (Evangelho: Lc 2,1-14):


"O anjo, porém, disse-lhes 'Não tenhais medo! Eis que vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: Nasceu-vos hoje um Salvador, que é o Cristo Senhor, na cidade de Davi" (Lc 2,10-11)


O anjo "evangeliza" (verbo no grego original e no latim da Vulgata), isto é, "anuncia uma boa nova, uma notícia alegre".

A "alegria" não deve ser confundida com o "prazer" (deleite físico), ela é o "gozo", um sentimento espiritual que é a própria "felicidade". Cristo é nossa alegria, nossa vida feliz! A tristeza é o sentimento -também espiritual- que se tem quando o mal triunfa. Mas a alegria venceu a tristeza! O Cristo, por sua Encarnação, começa a vencer o pecado, numa vitória que encontrará seu ápice na Cruz e na Ressurreição.

A alegre chegada do "Ungido" envolto em faixas remete à alegre notícia da ressurreição dada às mulheres que foram ungir o Crucificado envolvido pelo sudário. Os humildes e os piedosos participam da felicidade trazida pelo Senhor. Os soberbos e os indiferentes não são capazes de participar desta alegria...

Que sejamos como aqueles pastores e aquelas santas mulheres que não temem adorar o Verbo Encarnado! E como o anjo, anunciemos a Boa Nova: Nasceu o Salvador! Oh! Vinde adoremos!

Imagem: "Natal e adoração dos pastores" (c.1383), de Bartolo di Fredi






Missa da Aurora (Evangelho: Lc 2,15-20):

"Maria, contudo, conservava cuidadosamente todos esses acontecimentos e os meditava em seu coração" (Lc 2,19)

O coração da Mãe é maior do que o mundo: ele foi criado pelo Verbo para abrigar o Verbo Encarnado! O coração de Maria é o coração da Igreja, o "lugar" onde encontramos o Cristo; o coração da Virgem guarda o "tesouro" da Palavra feita homem, da Palavra que "acontece". Só conhece verdadeiramente o Coração do Filho quem conhece o coração de sua Santíssima Mãe! 



Missa do Dia (Evangelho: Jo 1,1-18):


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1,14)



"A glória de Deus é o homem vivente e a vida do homem é a visão de Deus" (S. Ireneu de Lião).

O que vale para toda pessoa humana deve ser dito de modo eminente de Cristo: Ele é o verdadeiro Homem (cf. Rm 5,14), a Vida (cf. Jo 14,6; 1Jo 1,2), o "Vivente" (cf. Ap 1,18), o "resplendor da glória do Pai" (cf. Hb 1,3). E pela sua Encarnação temos acesso a Deus, e já O vemos de certo modo pela fé e O veremos face a face como Ele é (cf. 1Cor 13,12; 1Jo 3,2).

Levemos a "glória" ("doxa"), a "fama" de Jesus a todo homem e mulher, para que nEle descubram a fonte da Vida, e neles resplandeça de modo mais fulgente o amor de Deus que em Cristo e no rosto amoroso de cada cristão se torna presente para transfigurar o mundo e preparar o Reino dos Céus.

Imagem: "Transfiguração" (1308-11), de Duccio di Buoninsegna

Tuesday, December 20, 2016

Poemas natalinos

Oração para o Menino Jesus no Natal de 2014



Encanta-me o presépio que contemplo,
o boi que, adorante, já não muge,
a estrela que, no alto céu, refulge,
a gruta transformada agora em templo.

Descansas em humilde manjedoura,
de animais humanos, alimento,
da Virgem Mãe Maria, és o rebento,
trazendo esperança imorredoura.

Que eu possa, como o justo São José,
no coração, guardar-Te, Deus Menino,
que a minha vida seja como o sino

a despertar, alegre, o dom da fé.
Que possa eu seguir-te de Belém
até a cruz e além da cruz. Amém.





Imagem: "O Natal", de Jacob de Backer



Oração ao Menino Jesus no Natal de 2015


Jesus Menino, Deus do céu descido,
na pobre manjedoura estás presente,
quem fica, nesta cena, indiferente?
Quem pode não amar a Deus nascido?

Os astros todos cantam glória a Deus,
pastores encontraram seu Pastor!
Reis magos trazem dons a seu Senhor,
e a Terra, enfim, se volta para o Céu!

Maria Te envolve com carinho,
dos animais recebes o calor.
A estrela mostra a todos o caminho

à gruta, e nos recebe São José,
que guarda o pequenino Criador!
Jesus, recebe a minha pobre fé!







Imagem: "O Nascimento de Jesus" (1304-06), de Giotto


Oração ao Menino Jesus no Natal de 2016


Quisera contemplar-te, Deus Menino,
quisera com o boi e com o burro,
que adoram com mugidos e com zurros,
louvar-te com os mais suaves hinos.

Quisera acalmar o teu chorinho,
ninar-te e fazer-te cafuné;
levar a ti o dom que dás, a Fé,
cobrindo-te de mimos e beijinhos.

Depois, com os pastores, voltaria
glorificando a Deus por tua vinda,
mistério de um amor que nunca finda,

da luz que brilha e aquece a noite fria
do homem que sofria no pecado,
e agora espera em Deus, sempre a seu lado.



Imagem: “O Menino Jesus”, de Giambattista Foggini




Mistérios Gozosos


A Encarnação do Filho de Deus no ventre puríssimo da Virgem Maria


Após espera longa pelos tempos,
à Virgem, anuncia Gabriel
que a terra então será unida ao Céu,
de Deus, seu ventre puro será templo.

Se Eva, respondendo ao Tentador,
a Deus dissera “não” e assim a Graça se
perdeu. Maria Virgem com o “Faça-se”,
por todos nós diz “Sim” a Deus Amor.

Encarna-se na história o Criador
e assim se faz a nova Criação.
Ó Virgem, que em cada coração

habite o Filho teu, Nosso Senhor.
Que respondamos “Sim” ao Deus do Céu,
seguindo teu exemplo, Mãe Fiel




Imagem: "Anunciação" (1455), de Benedetto Bonfigli



A Visitação de Santa Maria a sua prima Isabel


Levando em teu ventre o Santo Filho
caminhas pressurosa para a serra.
Teu gesto, nossa Mãe querida, encerra
espírito apostólico e auxílio.

E apenas por ouvir a saudação
que Tu, Santa Maria, pronuncias
reconheceu Jesus com alegria
no seio de tua prima, São João.

És Mãe de Deus e Bem-Aventurada,
por ter acreditado e respondido,
e chega hoje aos nossos ouvidos

o Canto de louvor, ó Mãe amada,
escola de humildade e de oração,
que alenta o amor e a adoração.




Imagem: "A Visitação" (1610-13), de El Greco



O Nascimento do Senhor Jesus em Belém


Ó Noite pelos tempos ansiada!,
na qual nos vem ao mundo o Redentor.
No alto brilha um grande resplendor,
é toda vida agora iluminada!

O Sol do Alto vem nos visitar
e encher as nossas vidas de Esperança.
Nasceu da Virgem Santa a Criança,
Emanuel que veio libertar!

Os anjos cantam “Glória a Deus no Céu”,
os corações se enchem de ternura,
se alegra hoje toda criatura,

pois em Belém chegou o Emanuel.
Nos braços de Maria e de José,
repousa o Autor de nossa Fé.




Imagem: "Natal" (1732), de Giovanni Battista Tiepolo 


A apresentação do Senhor Jesus no Templo


Assume tudo, o Verbo Encarnado,
exceto o pecado, e cumpre a lei.
Com humildade, do Universo, o Rei,
é pela Virgem Mãe apresentado

no Templo, antecipando aquela oferta,
que no Calvário trouxe a Redenção.
Maria O apresenta ao coração
daqueles que mantêm a porta aberta.

De Simeão, o canto e a profecia
ecoam pelos tempos: “Tu Menino,
és Salvação, és luz, ó Pequenino;

e a espada, o coração da Mãe Maria,
traspassará, mostrando a união
da Virgem e de Seu Filho na missão”.




Imagem: "A Apresentação de Cristo no Templo" 
(1433-34), de Fra Angelico




O encontro do Senhor Jesus no Templo depois de três dias


Perdido e reencontrado, Meu Senhor,
nos dás lições de dor e alegria.
Na espera após a cruz, compreenderia,
Maria, aqueles três dias de dor.

Buscar-Te, nós devemos, com amor,
se acaso, por pecarmos, Te perdermos;
se tudo parecer um triste ermo,
ao fim Te encontraremos, Redentor!

Tu falas a Maria e a nós:
na Casa de Teu Pai Te encontraremos.
À Igreja, confiantes, acorremos

e nela escutamos Tua voz.
Por ela a Verdade é exposta,
trazendo às nossas vidas a resposta.





Imagem: "Jesus entre os Doutores" (1630-35), de Paulus Bor

Saturday, December 17, 2016

Conhecer e(é) amar


"Eu te desposarei a mim na fidelidade
e conhecerás a Iahweh" (Os 2,22)

"Pensar e ser é o mesmo" (Parmênides)

"A alma é de algum modo todas as coisas" (Aristóteles)

"Inteligência e realidade são congêneres" (Zubiri)




Nos termos bíblicos, "conhecer" se refere, às vezes, ao ato conjugal. Em termos filosóficos, pode-se dizer que o "conhecimento" é uma comunhão entre o inteligente e o real, e que a isto apontam as frases supracitadas. Em termos teológicos, o conhecimento de Deus só é possível a partir do amor (cf. 1Jo 47).

O que significa isto de que o conhecimento é "comunhão entre inteligência e realidade"?

O ato conjugal, a comunhão amorosa entre os esposos, serve-nos como metáfora para o ato de conhecimento: os cônjuges se doam mutuamente, havendo um perfeito encaixe entre os órgãos sexuais, no qual o masculino pode significar tanto o intelecto que penetra a realidade, quanto o ser que fecunda a alma humana; e o feminino pode significar tanto a inteligência que recebe o real, quanto a forma substancial que se abre à perscrutação do pensamento.

Sobre esta comunhão entre o ser e o pensar, Zubiri dirá que a realidade e inteligência são "congêneres", isto é, não há, de certo modo, prioridade do real sobre a inteligência nem da inteligência sobre o real, porque a inteligência consiste em apreensão do real, e o real é o objeto formal da inteligência. Digo "de certo modo" porque a realidade, dentro da congeneridade, tem uma precedência sobre a inteligência, assim se apresentando no ato mesmo da intelecção: a realidade inteligida é apreendida como algo de suyo, isto é, que está presente na intelecção desde si mesma (em outras palavras ou de modo mais simples, na própria intelecção nós percebemos que haveria realidade mesmo que não houvesse homem para vê-la e dizê-la).

Como diz o autor espanhol, "sujeito" e "objeto" não existem fora desta comunhão originária (o homem não existe "à parte das coisas"), mas são realmente distintos nela, da mesma forma que marido e mulher conformam uma unidade indissolúvel, ainda que cada um conserve sua personalidade individual ("antes" ou "fora" dos atos inteligentes, a pessoa não vive como tal, o que não significa dizer que não seja pessoa, contrariamente ao que dizem os ridículos argumentos pró-aborto). A "mesmidade" não é uma dissolução do ser no pensamento, como o matrimônio não anula as pessoas dos cônjuges, ou a beatitude, o desposório místico em que a alma recebe definitivamente a Deus e é por Ele recebida, não dissolve o ser humano no Ser Divino.

Como o "amador se transforma na cousa amada" (Camões), a alma humana faz-se uma com todas as formas reais que abstrai. Ela é imagem de Deus, o qual tem em si todas as Ideias, e no encontro com as coisas sensíveis (a alma) atualiza em si as formas das coisas, que participam do Logos Divino (a "Ideia" de nossa alma é o próprio Verbo, por assim dizer). As formas se doam à alma, e esta doa sua inteligência a elas, "concebendo" o verbo mental pelo qual diz o ser das coisas. Esta mútua doação consiste, portanto, numa intelecção amorosa pela qual a alma se conforma ao real e o real se conforma à alma.

Se o conhecimento começa com a "admiração", como diz Aristóteles, então ele não é essencialmente uma manipulação da realidade, como faz a ciência empírica moderna (ainda que não seja forçoso que o cientista proceda com esta intenção), mas uma contemplação que busca desvelar com desvelos. É o real que desperta a atenção da inteligência, a qual vê, naquele, o seu "bem", não no sentido de "propriedade", mas no de "amor" (complemente-se a perspectiva gnosiológica desta breve meditação com a perspectiva metafísica do texto Ser e(é) amor).

O "desejo de Verdade" é inspirado pela própria realidade, que se apresenta a nós ao mesmo tempo resguardando-se, como uma donzela que se entrega apenas a quem a corteja e trata com reverência e pureza de intenções, comprometendo-se com ela definitivamente. A vida intelectual é uma "dedicação", uma consagração à realidade, e quando ela é autêntica funciona como um "sacramental", que leva o devoto a se aproximar cada vez mais amorosamente da Fonte Verdadeira, e que atrai os demais a fazerem o mesmo (cf. Jo 17,17), desde suas próprias possibilidades.

Esta devoção torna a pessoa humana "cooperadora da Verdade" (cf. 3Jo 8), tal como o papa emérito Bento XVI, que assumiu este lema na sua eleição pontifícia, e que certamente foi um dos maiores amantes da Realidade Verdadeira dos últimos tempos. Que neste momento tenebroso da história, em que a realidade criada não é mais respeitada e que a Verdade é conspurcada, sua vida nos inspire a amá-las e anunciá-las com o exemplo e as palavras.


"Alegoria da Castidade" (c. 1320), de Giotto

Saturday, December 10, 2016

Uma breve reflexão sobre os comics (HQ) de super-heróis

Eu aprendi a ler com as "Histórias Ilustradas da Bíblia" e com os quadrinhos da Marvel e da DC, que colecionei dos 6 aos 14 anos (desfazendo-me de praticamente toda a coleção quando fui morar sozinho, mais tarde).

Não penso que a "arte pop" deva ser considerada irrelevante. De fato, as HQ de super-heróis ajudaram tanto a fecundar minha imaginação quanto, depois das Escrituras, na minha formação moral: o bem e o mal eram realmente distintos (no sentido cristão), o bem sempre prevalecia, mesmo que custasse sacrifícios, e isto representava um convite ao heroísmo. Pode ser que o formato não seja apto a desenvolvimentos muito profundos, mas nem só de profundidades vive o ser humano. De algum modo, tais histórias são versões modernas e simplificadas das mitologias clássicas.

Atualmente, só leio eventualmente algum encadernado com boas histórias do passado, ou assisto algum episódio das séries cotadas (só vi integralmente Smallville, que desencadeou as séries recentes, e mesmo assim só por ser fã, porque boas realmente só foram as 3 primeiras temporadas), além de ver algumas das adaptações cinematográficas (gosto bastante dos já velhos Superman I e II com o Cristopher Reeve, do Homem-Aranha II com o Tobey Maguire, da recente trilogia do Batman do Nolan -considero o segundo episódio uma grande história e um grande filme-, e dos dois últimos do Capitão América, especialmente "Guerra Civil", sobre o qual escrevi uma resenha crítica neste blog: A morte do pai como morte da fraternidade).
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Nas últimas décadas, a Marvel criou um Universo paralelo, "Ultimate", com versões hodiernas dos heróis clássicos. Recentemente, resolveu acabar com a confusão, unificando os universos (uma estratégia para alavancar as vendas). Para isso concebeu umas novas "Guerras Secretas", alusão às primeiras, da década de 80, história muito fraca e com desenhos horrorosos, que só serviu para vender bonecos e estabelecer o formato "mini-série" (sendo bastante inferior à "Crise nas infinitas terras" da concorrente DC). Resolvi dar uma olhada, para conhecer as concepções atuais da "Casa das Ideias" (como é conhecida a Marvel).

Depois de uma crise que provocou o fim do multiverso, o vilão Dr. Destino tornou-se o "deus" tirano de um novo mundo que é uma colcha de retalhos dos antigos. Os heróis dos velhos mundos resolvem enfrentar o falso deus, liderados pelo Senhor Fantástico (Reed Richards). Paralelamente ao arco principal, saíram outras revistas contando as agruras das versões dos heróis neste mundo novo (das poucas que vi, são histórias muito fracas).

Ao fim, Reed Richards vence seu arqui-inimigo (que entre outras coisas, desposou a Mulher Invisível), com a sua principal habilidade, que é a inteligência, mostrando assim a relevância e primazia do Quarteto Fantástico no Universo Marvel (não por acaso, eles representam os "4 elementos", fundamentos materiais do Universo para a cosmologia clássica).

Para um cristão ou um realista, é verdadeiramente decepcionante o final: a noção de transcendência está completamente ausente, o homem aparece como seu próprio salvador, e o mundo é apresentado como o lar permanente do ser humano, o qual pode ser recriado e progredir infinitamente.

Nos últimos quadrinhos da história final, Richards fala a Sue Storm de sua "conversão" da crença na contração universal e na entropia à crença na "expansão", e isso é ilustrado por umas imagens do Dr. Destino tirando sua máscara e vendo seu rosto curado, sendo "Tudo vive" a última frase do Sr. Fantástico. Há, nisso, uma ratificação da heresia da "apocatástase" (redenção do demônio), que vem coroar o relativismo moral presente desde meados dos 80 nas HQ de heróis. Uma lástima, pois a mensagem de fundo é que não vale a pena lutar pelo bem, já que mesmo o mais nefasto vilão será feliz, ainda que não se arrependa de seus crimes.



Friday, December 09, 2016

Bento XVI sobre a pastoral e comunhão dos recasados

Dois textos, um de um livro da época em que era cardeal e um discurso papal.

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"Essa questão ainda é discutida, ou já está definitivamente decidida e resolvida?

Está fundamentalmente decidida, mas são sempre possíveis questões de fato, questões individuais. No futuro, talvez pudesse haver uma constatação extrajudicial de que o primeiro casamento foi nulo. Isso poderia ser verificado pela pastoral experiente local. São concebíveis tais desenvolvimentos jurídicos que podem tornar os processos menos complicados. Mas o princípio de que o casamento é indissolúvel, e de que alguém que deixou o casamento válido da sua vida, o sacramento, e entrou noutro casamento não possa comungar é um princípio enquanto tal, e é, de fato, definitivo".

[RATZINGER, Joseph. O sal da terra: O Cristianismo e a Igreja Católica no limiar do terceiro milênio (Um diálogo com Peter Seewald). Rio de Janeiro: Imago, 1997; grifos meus]

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A Igreja deve acolher com amor aos divorciados que voltaram a casar [título do editor]




Discurso aos sacerdotes da Diocese de Aosta, na igreja paroquial de Introd (segunda, 25 de julho de 2005)


"Todos sabemos que este é um problema particularmente doloroso para as pessoas que vivem em situações nas que se vêem excluídos da Comunhão eucarística e, naturalmente, para os sacerdotes que querem ajudar a essas pessoas a amar a Igreja, a amar a Cristo. Isto coloca um problema.

Nenhum de nós tem uma receita feita, entre outras razões porque as situações são sempre diversas. Eu diria que é particularmente dolorosa a situação dos que se casaram pela Igreja, mas não eram realmente crentes e o fizeram por tradição, e depois, achando-se em um novo matrimônio inválido se convertem, encontram a fé e se sentem excluídos do Sacramento. Realmente se trata de um grande sofrimento. Quando era prefeito da Congregação para a doutrina da fé, convidei a diversas Conferências episcopais e a vários especialistas a estudar este problema: um sacramento celebrado sem fé. Não me atrevo a dizer se realmente se pode encontrar aqui um momento de invalidez, pela razão de faltar ao sacramento uma dimensão fundamental. Eu pessoalmente pensava assim, mas os debates que tivemos me fizeram compreender que o problema é muito difícil e que se deve aprofundar ainda mais. Dada a situação de sofrimento dessas pessoas, faz falta aprofundá-lo.

Não me atrevo a dar agora uma resposta. Em qualquer caso, parecem-me muito importantes dois aspectos. O primeiro: ainda que não possam acudir à Comunhão sacramental, não estão excluídos do amor da Igreja e do amor de Cristo. Certamente, uma Eucaristia sem a Comunhão sacramental imediata não é completa, falta-lhe algo essencial. Entretanto, também é verdade que participar na Eucaristia sem Comunhão eucarística não é igual a nada; sempre implica ver-se envolvidos no mistério da cruz e da ressurreição de Cristo. Sempre implica participar no grande Sacramento, em sua dimensão espiritual e pneumática; também em sua dimensão eclesial, ainda que não seja estritamente sacramental.

E, dado que é o Sacramento da paixão de Cristo, o Cristo sofredor abraça de um modo particular a estas pessoas e se comunica com elas de outro modo; portanto, podem sentir-se abraçadas pelo Senhor crucificado que cai em terra e morre, e sofre por elas, com elas. Assim, é necessário fazer compreender que, ainda que por desgraça falta uma dimensão fundamental, não estão excluídos do grande mistério da Eucaristia, do amor de Cristo aqui presente. Isto me parece importante, como é importante que o pároco e as comunidades paroquiais ajudem estas pessoas a compreender que, por uma parte, devemos respeitar a indivisibilidade do Sacramento e, por outra, que amamos estas pessoas que sofrem também por nós. E ainda, devemos sofrer com elas, porque dão testemunho importante; já sabemos que quando se cede por amor, se comete uma injustiça contra o Sacramento mesmo e a indissolubilidade aparece sempre menos verdadeira.

Conhecemos o problema não só das comunidades protestantes, mas também das Igrejas ortodoxas, que frequentemente são apresentadas como modelo, nas que existe a possibilidade de voltar a se casar. Mas só o primeiro matrimônio é sacramental: também elas reconhecem que os demais não são sacramento; são matrimônios de forma reduzida, redimensionada, em uma situação penitencial; em certo sentido, podem ir à Comunhão, mas sabendo que isto se lhes concede in economia -como dizem- por uma misericórdia que, entretanto, não tira o fato de que seu matrimônio não é um sacramento. O outro ponto nas Igrejas orientais é que para estes matrimônios concederam a possibilidade de divórcio com grande pressa e que, portanto, fica gravemente ferido o princípio da indissolubilidade, verdadeira sacramentalidade do matrimônio.

Assim, por uma parte, está o bem da comunidade e o bem do Sacramento, que devemos respeitar; e, por outra, o sofrimento das pessoas, às quais devemos ajudar.

O segundo ponto que devemos ensinar e fazer crível também para nossa vida é que o sofrimento, em suas diversas formas, é necessariamente parte de nossa vida. Eu diria que se trata de um sofrimento nobre. De novo, é preciso fazer compreender que o prazer não é tudo; que o cristianismo nos dá alegria, como o amor dá alegria. Entretanto, o amor também sempre é renúncia a si mesmo. O Senhor mesmo nos deu a fórmula do que é amor: o que se perde a si mesmo, encontra-se; o que se ganha e conserva a si mesmo, perde-se.

Sempre é um êxodo e, por tanto, um sofrimento. A autêntica alegria é algo diferente do prazer; a alegria cresce, amadurece sempre no sofrimento, em comunhão com a cruz de Cristo. Só aqui brota a verdadeira alegria da fé, da que inclusive eles não estão excluídos se aprendem a aceitar seu sofrimento em comunhão com o de Cristo".

[Fonte: GASCÓ CASENOVES, José (ed). El Papa con las familias: Toda la enseñanza de Benedicto XVI sobre la família. Madrid: BAC, 2006, pp. 59-61; grifos meus].


"Os Sete Sacramentos II: Casamento" (1647-48), de Nicolas Poussin