Saturday, June 03, 2017

Curso de História da Igreja (esquema)

A bibliografia básica utilizada foi o curso do D. Estêvão Bittencourt da Escola Mater Ecclesiae.


INTRODUÇÃO - DIVISÃO DA HISTÓRIA DA IGREJA

I.    História da Igreja Antiga - 2 períodos:
·       Até 313 (Edito de Milão): origem e expansão da Igreja, perseguições
·    De 313 até 692 (Concílio Regional de Trulos em Constantinopla): formulação dos dogmas de fé, evangelização dos povos bárbaros

II.   História da Igreja Medieval - 3 períodos:
·    Idade Média Ascendente até 1054 (Cisma do Ocidente): reconstrução após as invasões, surgimento da cultura européia, intromissão do poder temporal
·  Alta Idade Média de 1054 até 1294 (início do pontificado de Bonifácio VIII): período de maior projeção da Igreja no campo religioso e civil
·     Idade Média decadente de 1294 até 1448 (Concordata de Viena): Cisma do Ocidente, Igreja perde influência no campo civil, empobrecimento na teologia e piedade, relaxamento na disciplina

III. História da Igreja Moderna - 2 períodos:
·  De 1450 até 1789 (Revolução Francesa): Revolta Protestante, Reforma Católica, iluminismo, Evangelização da América
·   De 1789 até 1929 (Tratado de Latrão): materialismo, fim do Estado Pontifício, fortalecimento do poder espiritual do Papa, Questão Social

IV. História da Igreja Contemporânea - Características:
·       Retorno às fontes (renascimento bíblico-litúrgio-patrístico) e aggiornamento (atualização da Igreja), impulsionados pelo Concílio Vaticano II 
·       Nova Evangelização: movimentos apostólicos...


I) HISTÓRIA DA IGREJA ANTIGA

1. Origem e expansão da Igreja - A Igreja Apostólica:
·       A “plenitude dos tempos” (Gl 4l,4): Império Romano, Filosofia Grega, Religião Judaica
·       A Primeira Comunidade Cristã: os cristãos viviam em comunhão de bens espirituais e materiais (cf. At 2,42-46; 4,32-35); tratavam-se como santos (cf. At 9,13.32.41); celebravam a Eucaristia (fração do pão) no domingo (cf. At 2,42; 20,7).
·   Perseguições do judaísmo: At 4,1-31; 5,17-41; 5,55-60 (morte de Estêvão); At 12,2 (morte de Tiago).
·   O Concílio de Jerusalém (At 15): o problema da observância da Lei pra os convertidos do paganismo
·       Os primeiros escritos apostólicos (Ev. de S. Marcos e versão em aramaico do Ev. de S. Mateus): 50 d.C.
·       O Apóstolo S. Pedro: escolhido por Jesus como chefe da Igreja (Mt 16,18-19; Lc 22,31-32; Jo 21,15-17); sempre tomava a dianteira (At 2,14-40; 3,12-26; 4,8-12; 5,1-11; 10,1-48; 15,7-11).
·       O Apóstolo S. Paulo: fariseu, cidadão romano, de cultura grega; converte-se (cf. At 9) e torna-se o Apóstolo dos gentios.
·       As primeiras perseguições dos romanos: Nero (54-68 ® morte de S. Pedro e S. Paulo), Domiciano (81-96 ® exílio de S. João) e Trajano (98-117).
·       Os Padres Apostólicos (final do séc. I e começo do II): S. Clemente de Roma (4° Papa, +102, Carta aos Coríntios); S. Inácio, bispo de Antioquia (+107, 7 cartas); S. Policarpo, bispo de Esmirna (+ 156, Carta aos Filipenses, Relato do Martírio); Didaquê (1° catecismo); Pastor de Hermas (Sacramento da Reconciliação: 1 vez após o batismo); Pápias, bispo de Hierópolis (+130, fragmentos); Epístola do Pseudo-Barnabé.
·    O crescimento da Igreja: a Verdade do Evangelho correspondia às aspirações mais profundas (Tertuliano: “a alma humana é naturalmente cristã”); valorização de toda pessoa humana; coerência e heroísmo (Tertuliano: “Vede como se amam e estão prontos a morrer pelo outro; “O sangue dos cristãos é semente”); zelo missionário.

2. A Igreja nos séc. II e III - A Igreja dos Mártires:  
·       As adversidades: o Gnosticismo, as acusações e perseguições dos romanos ® Diocleciano (284-305) realiza a última e mais grave.
·       O testemunho dos mártires e confessores.
·     Adopcionismo: Jesus era mero homem que foi revestido de poder divino no Batismo (sendo adotado por Deus)
·      Modalismo ou Patripassionismo: o Filho era uma modalidade do Pai, o qual morreu na Cruz (Sabélio: também o Espírito Santo é uma modalidade).
·       Os Padres Apologistas: S. Justino (+105; teoria do “Verbo Seminal”); Epístola a Diogneto (“os cristãos são a alma do mundo”); Tertuliano (+220)...
·       Outros escritores: S. Irineu de Lião (+200; refutou as heresias gnósticas); S. Hipólito de Roma (+235, Tradição Apostólica); Orígenes (+254)...

3. A Igreja no séc. IV - o reconhecimento da Igreja: 
·       Edito de Milão em 313: liberdade de culto.
·       A transferência da capital para Bizâncio.
·       O papel do Imperador Constantino.
·       Arianismo: o Filho é criatura do Pai, a mais digna, “Filho de Deus”
·       Concílio de Nicéia I (325): Jesus é “Deus de Deus...”; fixou a data da Páscoa.
·   S. Basílio Magno, S. Gregório de Nazianzo, e S. Gregório de Nissa: “Uma substância e três pessoas”.
·       Juliano, o Apóstata (361-363)
·       Macedonianismo: o Espírito Santo não é Deus.
·       Apolinarismo: natureza humana de Cristo não tinha alma, substituída pelo Verbo de Deus
·       S. Gregório de Nissa: “O que não foi assumido pelo Verbo não foi redimido”.
·       O Imperador Teodósio, do Oriente, em 380 decretou oficial a fé católica.
·       Concílio de Constantinopla I (381): “Cremos no Espírito Santo, que é Senhor e dá a Vida...”
·       A Vida Monástica: S. Antão (251-356; vida eremítica), S. Pacômio (+346; vida cenobítica; primeira Regra); S. Basílio Magno (2 Regras; oração e estudo); S. Martinho de Tours (+397; evangelização); Sto. Agostinho (+430).

4. A Igreja no séc. V - novas heresias e as invasões bárbaras:
·       Pelagianismo: não existe o pecado original e o homem, por si só, pode salvar-se.
·       Nestorianismo: duas pessoas em Jesus; Maria é a Mãe de Cristo mas não Mãe de Deus.
·       Concílio de Éfeso (431): Maria, Mãe de Deus; condenou-se o pelagianismo.
·       Monofisismo: em Jesus há uma só natureza e uma só pessoa, a divina.
·       Concílio de Calcedônia (451): duas naturezas e uma só pessoa (Epístola de S. Leão Magno).
·     Invasões dos bárbaros germânicos (queda de Roma em 476) ® papel dos Bispos: administradores, defensores...
·    Evangelização dos bárbaros (conversão de Clóvis, rei dos francos em 496 ® a França é a “filha mais velha da Igreja”).
·       Contribuições dos bárbaros: sentido de honra, de fidelidade...

5. A Igreja nos séc. VI e VII:
·   São Bento de Núrsia (+547): Ora et labora; Lectio divina; o papel dos mosteiros beneditinos ® padroeiro da Europa (Pacis nuntius, Paulo VI, 1964).
·   Concílio de Constantinopla II (553): condenação de três escritores (Imperador Justiniano II, influenciado pelo Bispo Teodoro de Cesaréia, condenou Teodoro de Mopsuéstia, Teodoreto de Ciro, Ibas de Edessa).
·   Queda do reino ostrogodo em 553 ® Itália = província do Império do Oriente, representado em Ravena.
·       O “Patrimônio d.e S. Pedro”: independência diante do Império.
·       S. Columbano, Abade (+615, irlandês): prática da direção espiritual, da confissão freqüente.
·       O Islamismo (622): restringiu a propagação do Cristianismo no Oriente e no Norte da África.
·       Monergetismo e Monotelismo: em Jesus havia uma só capacidade de agir (energeia), a divina; ou uma só vontade
· Concílio de Constantinopla III (680/1): dois modos de agir e duas vontades (a humana subordinada à divina)


II) HISTÓRIA DA IGREJA “MEDIEVAL”

1. Introdução à Idade Média
·       O nome Idade “Média”.
·   Uma época obscura, sem cultura e conhecimento? ® Arquitetura (românica, gótica), música (criação da linguagem musical, canto gregoriano), letras (trovadores, surgimento do romance), teatro popular, os copistas, a iconografia cristã, Filosofia Escolástica, Universidades...
·       Outros mitos: a mulher “sem alma”, “servos  x  senhores”, “época de guerras e epidemias”
·       O papel da Igreja.
·     A Inquisição e as Cruzadas: autêntico zêlo religioso (mentalidade da época) x abusos (provenientes da fraqueza humana).
·       Nova nomenclatura (cf. Régine Pernoud): Período Franco (séc. V a VIII), Período Imperial (séc. IX e X), Idade Feudal (séc. X a XIII), Idade Média propriamente dita (séc. XIV e XV).

2. A Igreja no séc. VIII:
·      Antecedente do iconoclasmo: Severo (bispo de Marselha), advertido por S. Gregório Magno (+604).
·       Imperador Leão III: depôs o Patriarca de Constantinopla elegendo um iconoclasta (730).
·       Sínodo de Roma (731); S. João Damasceno (+749).
·       Constantino V, o Concílio de Constantinopla (754) e a perseguição (sobretudo aos monges).
·     Concílio de Nicéia II (787): reconheceu o culto da Cruz e das imagens, a intercessão de Maria, dos anjos e santos.
·       Pepino ® Estado Pontifício em 756
·       Carlos Magno, o novo Império do Ocidente (800) e o “Renascimento Carolíngio”

3. A Igreja nos séculos IX e X:
·   A decadência do Império (moral, administrativa, invasões dos normandos e sarracenos) ® interferência dos nobres.
·       S. Cirilo (+869) S. Metódio (+885) e a evangelização dos povos eslavos ® durante o Papa Adriano II ® co-padroeiros da Europa (Egregiae virtutis, 1980)
·       Fócio (questão do Filioque)
·  Concílio de Constantinopla IV (869/70): submissão à Igreja de Roma, culto das imagens reconfirmado.
·       Fundação do mosteiro de Cluny (911).
·       Oto I e o Sacro Império Romano Germânico (962).
·       Séc. IX: período doloroso na vida da Igreja ® interferências no papado (lenda da “Papisa Joana”)

4. A Igreja nos séculos XI e XII:
·       O Cisma Oriental (1054): Miguel Cerulário
·       Três males: investiduras; simonia; concubinato dos clérigos.
·    Gregório VII (1073-1085): foi monge em Cluny; harmonia entre Igreja e Império; “Que a Santa Igreja, retomando seu brilho originário, permaneça livre, casta e católica”.
·    As Cruzadas (1a em 1095 sob o Papa Urbano II): inspiradas no zelo e espírito de cavalaria da I. Média.
·       Concílios do Latrão I (1123), Latrão II (1139) e Latrão III (1179): disciplina da Igreja.
·       A Reforma de Cluny (séc. XI) e a Reforma do Cister (séc. XII) ® S. Bernardo de Claraval (1090-1153)
·   A Inquisição (1184 sob o Papa Lúcio III): cátaros (a matéria é má, negavam o matrimônio, o juramento, enalteciam o suicídio, fanatismo, ataques) ® resposta violenta do povo e da autoridade civil ® solução: “inquirir” os suspeitos e entregar os culpados ao poder secular que aplicaria a sanção; a pena de morte foi introduzida em 1224 pelo Imperador Frederico II (proporção nos registros preservados: 1/15, 1/22) e a tortura em 1252 (só depois de todos os outros recursos); houve abusos e injustiças na aplicação, sempre censuradas da parte de Roma ® por mais que nos pareça estranho –e que os motivos originários do Imperador fossem políticos e econômicos-, a motivação da Igreja incluía o cuidado da comunidade dos crentes e a possibilidade de salvar os hereges

5. A Igreja no séc. XIII:
·  Grandes personagens: Papa Inocêncio III (1198-1216); S. Francisco de Assis (1181-1226); S. Domingos de Gusmão (1170-1234); Rei S. Luís da França (1226-1270); S. Tomás de Aquino (1225-1274), S. Antônio e S. Boaventura.
·    Concílio de Latrão IV* (1215): 1220 prelados, quase todos os príncipes cristãos, condenou a heresia dos cátaros e valdenses, os erros de Joaquim de Fiore (abade cisterciense); disciplina; cruzada; comungar ao menos na Páscoa; confessar-se ao menos uma vez; “transubstanciação”.
·       Novas ordens (franciscanos, dominicanos, carmelitas)  x  correntes heterodoxas.
·       Concílio de Lião I (1245): excomunhão do Imperador Frederico II .
·       Concílio de Lião II (1274): reunião de latinos e bizantinos.
·     Celestino V (1294): eremita Pedro; inexperiência e bondade simplória; renunciou; canonizado em 1313.

6. A Igreja no séc. XIV e XV:
·  Bonifácio VIII (1294-1303): intelectual; quis continuar a obra de Gregório VII e Inocêncio III; proclamou pela primeira vez um ano de jubileu (cf. Lv 25,9-55); impetuoso; problemas com nobres italianos, com os joaquimitas e franciscanos espirituais, com Filipe o Belo da França; foi preso em Roma, não renunciou, foi libertado e morreu ® início do enfraquecimento da autoridade papal no foro político.
·   Clemente V (1305-1314): francês, coroado em Lião, pressionado por Filipe, fixou residência em Avinhão; processo contra os Templários.
·       Concílio de Viena (1311/12): supressão da Ordem dos Templários
·       “Exílio de Avinhão”  (1309-1376): Papa sujeito ao rei da França
·  Guilherme de Occam  (1300-1350): nominalismo ® bases para o pensamento filosófico da modernidade
·       Urbano V (1362-1370): regressa a Roma em 1367, mas voltou em 1370
·       Gregório XI  ® enviou soldados à Florença; Sta. Catarina interveio (retorno do Papa e paz).
·       Cisma Ocidental (1378-1417): Urbano VI (impaciente com os Cardeais® S. Catarina de Sena; Itália do Centro e Norte, Alemanha, Inglaterra, Hungria, Suécia); Clemente VII (Avinhão; Sul da Itália, França, Espanha, Escócia, Dinamarca, Noruega; S. Vicente Ferrer, Pedro de Luxemburgo) ® confusão, descontentamento, agravado pelos impostos, influxo dos monarcas ® conciliarismo (Occam e Marsílio de Pádua)
·  John Wiclef (1320-1384): “os bens temporais são nocivos à Igreja (eco na corte); Igreja é comunidade invisível, na qual o Papa é Cristo e cada crente é um presbítero; SE é a única norma de Fé; presença espiritual de Cristo na Eucaristia; confissão auricular foi instituição tardia”.
·       John Hus: propagou as idéias de Wiclef na Boêmia (Alemanha)
·       Gregório XII e Bento XIII: reconciliação frustrada
·       Concílio de Pisa (1409): novo antipapa, Alexandre V (Bolonha; França e Inglaterra); conciliarismo
·  O Imperador Sigsmundo da Alemanha convocou o Concílio de Constança (1414-1418): Conciliarismo; depôs João XXIII; convocado por Gregório XII (legítimo a partir daí), que renunciou; depôs Bento XIII; elegeu um novo Papa, legítimo, Martinho V; condenou a doutrina de Wiclef, Hus e Jerônimo de Praga; medidas disciplinares.
·       Concílio de Basiléia-Ferrara-Florença (1431-1442): união com gregos, monofisitas, nestorianos; que durou pouco.
·       Concílio de Basiléia: conciliarismo; novo antipapa, Félix V (partes da Alemanha), último da história.
·       Concordata de Viena (1448), sob Nicolau V: fim da divisão (e da História da Igreja “Medieval”).
·   Período difícil ® guerras: Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre França e Inglaterra (Joana D’Arc); fortalecimento dos príncipes (centralização do poder), enfraquecimento da nobreza e ascensão da burguesia ® transição do feudalismo ao absolutismo que vigoraria na Idade Moderna.


III) HISTÓRIA DA IGREJA MODERNA

1. Introdução à Idade Moderna:
·     Mudança de mentalidade (® Estados Nacionais Modernos, Renascimento, desenvolvimento das ciências e técnicas):
·       nacionalismo e individualismo  x  unidade e sentido de comunidade da Idade “Média”;
·       valores pagãos (humanismo sem Deus) da antigüidade clássica;
·       tríplice negativa: à Igreja Católica (séc. XVI, Reforma protestante), à religião revelada (séculos XVII e XVIII, racionalismo, iluminismo, Revolução Francesa; deísmo); a Deus (séc. XIX, ateísmo positivista, marxista, historicismo, relativismo).
·       Novo cenário da história da Igreja: se restringiu na Europa (Reforma), mas se dilatou com os novos descobrimentos (América, África, Oriente) e com o impulso da Reforma Católica (Concílio de Trento...)

2. A Igreja em fins do séc. XV e no séc. XVI:
·       A Inquisição Espanhola (e a Portuguesa)
·       Os papas do renascimento: patrocinadores das artes, mas descuidaram-se da disciplina da Igreja.
·     Concílio de Latrão V (1512-1517): condenou a Pragmática Sanção de Bourges (que favorecia uma Igreja Nacional na França); condenou a tese da mortalidade da alma (Pietro Pomponazzi) disciplina; Imprimatur ® suas resoluções não encontraram ecos na época mas prepararam a Reforma Católica.
·       As indulgências: o pecado necessita, além do perdão, de expiação, pois tem conseqüências sociais e resquícios na própria pessoa (cf. 2Sm 12,13s; Nm 20,12; 27,12-14; Dt 34,4s; v. também Tb 4,11; Dn 4,24; Jl 2,12s); a penitência era anterior à absolvição e era muito penosa, por isso a Igreja substituiu certas obras penitenciais muito rigorosas por outras mais brandas, aos quais associava os méritos de Cristo (“obras indulgenciadas”: orações, esmolas, peregrinações... a serem realizadas após a confissão, ou tendo esta em vista, e que podiam ser revertidas para os fiéis do Purgatório; não se vendia o perdão!) ® no início do séc. XVI, para custear a Basílica de S. Pedro, os papas promulgaram indulgência plenária para quem desse esmola ® houve abusos, sobretudo na Alemanha, o que gerou o ambiente para a pregação de Lutero (95 teses).
·       “Reforma” Protestante ® três teses fundamentais:
1)  Só a Bíblia: tudo contém; o ES ilumina cada indivíduo para interpretá-la (reação ao Magistério que expressa a mentalidade do Renascimento, a rejeição à autoridade) ® mas a SE tem origem na pregação oral e no eco da pregação oral dos profetas e apóstolos, sendo a Tradição necessário critério para sua interpretação; esta antecedeu a redação e não foi toda escrita (cf. Jo 20, 30-31; 21, 25); a SE ratifica a Tradição (cf. 2Ts 2,15); conseqüências: deturpação da SE e multiplicação das igrejas.
2)  Só a Fé: a concupiscência é invencível; são inúteis as boas obras e penitências, basta a Fé; a justificação é meramente extrínseca; não se pode falar de cooperação com a Graça, méritos ® a remissão dos pecados é gratuita (Rm 5, 8ss), mas o perdão não é mera fórmula jurídica, é regeneração; nós podemos realizar atos à semelhança da santidade do Pai, que não são pagamento, mas são os frutos necessários da Graça (é Cristo quem vive no cristão; cf. Gl 2, 20); a concupiscência que permanece não é pecado se não há consentimento; de resto, os protestantes valorizam as boas obras na vida cotidiana.
3)  A negação de intermediários entre Deus e o crente: valor decisivo dado à atitude do indivíduo diante de Deus; a Fé subjetiva nos méritos de Cristo é que salva, não há canais (sejam ritos ou ministros; Jesus é o único Sacerdote); o número de sacramentos é diminuído e sua função é a despertar a Fé, a qual produz a santificação; a Igreja visível se corrompeu, e a Igreja é uma sociedade invisível (conjuntos dos crentes das várias denominações protestantes que continuam a vida da Igreja primitiva) ® rejeição dos sacramentos e do sacerdócio contradiz o dinamismo encarnatório do Plano de Deus, no qual também, a santificação do homem sempre foi concebida comunitariamente; a reforma pretende voltar à Igreja primitiva, anterior à “corrupção”, o que é uma pretensão vã (Harnack: “Os apóstolos corromperam o Evangelho”!; “Cristianismo e catolicismo constituem uma identidade histórica perfeita”).
·       O Protestantismo se adequou perfeitamente aos interesses dos príncipes e da burguesia.
·       O calvinismo: predestinação; riqueza como sinal de salvação; moralismo; perseguição.
·     O anglicanismo: Henrique VIII (“Ato de Supremacia”) ® perseguições (S. Tomás Moro...) ® até hoje há leis discriminatória dos católicos na Irlanda do Norte ® protestantes descontentes com a permanência de elementos católicos deram origem aos “puritanos”, que colonizaram os EUA.
·      A Reforma Católica: a Devotio Moderna, os grandes santos místicos e ascéticos; “Os homens é que devem ser reformados pela religião e não a religião pelos homens”; a Inquisição Romana; os jesuítas.
·    Concílio de Trento (1545-1563): reafirmou o cânon da SE, a Tradição, os 7 sacramentos, o purgatório, as indulgências; disciplina e formação do clero; Index.
·       Baianismo: a natureza humana foi totalmente corrompida pelo pecado de Adão, não é mais livre, nem capaz de realizar o bem; Baio se sujeitou à Igreja.
·       A Evangelização da América: a lenda negra

3. A Igreja nos séculos XVII e XVIII:
·       Jansenismo: propagação das idéias de Baio ® cisma na Holanda (Igreja de Utrecht).
·       Galicanismo: Rei Luís XIV e bispos franceses quiseram limitar o poder do papa na França.
·       Febronianismo: aplicação dos princípios galicanos na Alemanha e na Áustria.
·       Supressão da Cia. de Jesus (1773): influência do Marquês de Pombal.
·       O Iluminismo: “luzes da razão” x fé, transcendência
·    A Revolução Francesa: miséria do povo, privilégios para a nobreza e o clero; Convocação dos Estados Gerais, que logo se declararam Assembléia Constituinte (Constituição Civil do Clero: divisão da Igreja na França; supressão das ordens religiosas); Convenção Nacional (Terror; “religião da razão”; profanações; o clero deixou de ter existência legal; atenuação das tensões); Diretório (ascensão de Napoleão; deportação do papa Pio VI); Consulado.
·    Morte de Pio IV (29/08/1799): situação mais crítica da Igreja (França incrédula, Itália invadida, Alemanha contaminada pelo Iluminismo, Polônia retalhada por 3 potências vizinhas, Espanha e Portugal governados por ministros hostis à Igreja, na Inglaterra e Países Baixos os católicos eram minorias) ® Catolicismo parecia agonizar (falava-se que Pio VI seria o último Papa) ® como eleger um novo Papa? (os Cardeais estavam ou prisioneiros ou deportados ou dispersos em liberdade).
·       O Conclave se reuniu, apesar de tudo, em Veneza ® Pio VII.

4. A Igreja no séc. XIX e inícios do séc. XX:
·       Pio VII e Napoleão ® Pio VII regressa a Roma; assina a Concordata de Paris (grandes poderes do Estado sobre a Igreja); recusou dissolver o casamento do irmão de Napoleão, então este invadiu o Estado Pontifício; o Papa excomungou Napoleão e foi preso em Savona, depois levado para Fontainebleau durante a invasão de Napoleão à Rússia; como este fracassou, o Papa pôde voltar a Roma (24/05/1814: N. S. Auxiliadora), sendo recebido com festa enquanto Napoleão teve que abdicar (ainda houve o governo de 100 dias, depois a derrota definitiva, e sua família recebeu hospedagem da parte do Papa). O Papa restaurou a Cia. de Jesus em 1814 e faleceu em 1823.
·       Movimentos nacionalistas italianos (unificação).
·     Pio IX ® mais longo pontificado (1846-1878 = 32 anos): dogma da Imaculada Conceição (1854), publicação do Syllabus (1964; compêndio de erros da época), Concílio Vaticano I (1869/70) e a queda do Estado Pontifício (1870; até 1929).
·       Concílio do Vaticano I (1869-70): Dei Filius (Deus se revela pela criação e pela Revelação, pode ser conhecido pela razão e pela fé); Pastor Aeternus (infalibilidade ex cathedra do Papa).
·  Os “Velhos-Católicos”: discípulos do Pe. Inácio Döllinger, opositor do CV I (uniram-se aos jansenistas).
·       Leão XIII (1878-1903): Aeterni Patris (1879, S. Tomás de Aquino), Rerum Novarum (1891, Questão Social); abriu o Arquivo e Biblioteca do Vaticano...
·    S. Pio X (1903-14): Instaurare omnia in Chisto; reforma da Liturgia (“volta às fontes”); comunhão ministrada às crianças desde a idade da razão...
·       Bento V (1914-22): Apóstolo da paz na Primeira Guerra.
·  Pio XI (1922-39): solução da Questão Romana (Tratado de Latrão em 1929 ® fim da Idade Moderna).


IV) HISTÓRIA DA IGREJA CONTEMPORÂNEA

1. Introdução à Idade Contemporânea:
·   Os frutos amargos da modernidade (do iluminismo e suas ideologias): os totalitarismos, as 2 grandes guerras, individualismo...
·   Preocupação pela pessoa humana e pelo meio ambiente e denúncia: Declaração Universal, existencialismo, movimentos ecológicos...
·       Pós-modernidade: nihilismo

·       2. Pio XII (1939-58):
·   Segunda Guerra: mensagens, abrigo aos judeus (visão distorcida: Rolf Hochhuth e a peça O Vigário).
·       Incentivo ao trabalho missionário na África (Africae Donum).
·       “Nova Teologia” (Von Balthazar, Daniélou, De Lubac, Chenu, Congar...).
·    Contribuição ao “retorno às fontes”: Mediator Dei (Liturgia), Divino Afflante Spiritu (SE), Mystici Corporis Christi (Igreja).
·       Dogma da Assunção (1950).

3. João XXIII (1958-63):
·       Mater et Magistra e Pacem in Terris (Questão Social).
·       Preocupação ecumênica.
·       Simplicidade e bondade (saía a pé, caminhava pela cidade, visitava padres, doentes e presos).
·       Convocou e inaugurou o Concílio do Vaticano II.

4. O Concílio do Vaticano II (1962-65):
·       Proposta de aggiornamento: renovação em continuidade com a Tradição (não novos dogmas nem condenações, mas novas expressões da fé para um mundo descrente: concílio "pastoral").
·       Renovação da Liturgia (ponto de polêmica com os chamados "tradicionalistas").
·      Igreja como "sacramento da união do homem a Deus e dos homens entre si"; importância do papel de todo o Povo de Deus: Bispos (doutrina da "colegialidade"), Presbíteros, Religiosos, Leigos (incentivo ao apostolado dos leigos e chamada universal à santidade).
·       Diálogo com os demais cristãos (ecumenismo) e com as demais religiões (diálogo inter-religioso).
·  Tomada de posição da Igreja frente às diversas facetas do mundo de hoje, aos meios de comunicação social.
·     Liberdade religiosa (direito inerente a todo homem de formar livremente sua consciência diante de Deus e da fé; outro ponto de polêmica com os chamados "tradicionalistas").
·   O Concílio nem sempre foi corretamente interpretado (Teologia da Libertação marxista, abusos litúrgicos infindáveis, o problema da SSPX...).

5. Paulo VI (1963-78):
·   Presidiu a maior parte do CV II e o encerrou, criando vários organismos (Secretariados para a Unidade dos Cristãos, para o Diálogo com os Não-Cristãos, para o Diálogo com os Ateus, Conselhos para as Comunicações Sociais, para a Revisão da Liturgia).
·       Contato com os cristãos não católicos.
·   Populorum Progressio e Octogesima Adveniens (Questão Social e participação dos cristãos na transformação do mundo).
·       Humane Vitae (Regulação da Natalidade).
·       Evangelium Nuntiandi (Evangelização no Mundo Contemporâneo).

6. João Paulo II (1978-2005)

7. Bento XVI (2005-2013)

8. Francisco (2013-?)


"A Praça e a Igreja de Santa Maria Maior" (1744), de Giovanni Paolo Pannini

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