* A bibliografia básica utilizada foi o curso do D. Estêvão Bittencourt da Escola Mater Ecclesiae.
INTRODUÇÃO - DIVISÃO DA HISTÓRIA DA IGREJA
INTRODUÇÃO - DIVISÃO DA HISTÓRIA DA IGREJA
I.
História
da Igreja Antiga - 2 períodos:
· Até 313 (Edito de Milão): origem e
expansão da Igreja, perseguições
· De 313 até 692 (Concílio Regional de
Trulos em Constantinopla): formulação dos dogmas de fé, evangelização dos povos
bárbaros
II.
História
da Igreja Medieval - 3 períodos:
· Idade Média Ascendente até 1054 (Cisma
do Ocidente): reconstrução após as invasões, surgimento da cultura européia,
intromissão do poder temporal
· Alta Idade Média de 1054 até 1294
(início do pontificado de Bonifácio VIII): período de maior projeção da Igreja
no campo religioso e civil
· Idade Média decadente de 1294 até 1448
(Concordata de Viena): Cisma do Ocidente, Igreja perde influência no campo
civil, empobrecimento na teologia e piedade, relaxamento na disciplina
III.
História
da Igreja Moderna - 2 períodos:
· De 1450 até 1789 (Revolução Francesa):
Revolta Protestante, Reforma Católica, iluminismo, Evangelização da América
· De 1789 até 1929 (Tratado de Latrão):
materialismo, fim do Estado Pontifício, fortalecimento do poder espiritual do
Papa, Questão Social
IV.
História
da Igreja Contemporânea - Características:
· Retorno às fontes (renascimento
bíblico-litúrgio-patrístico) e aggiornamento
(atualização da Igreja), impulsionados pelo Concílio Vaticano II
· Nova Evangelização: movimentos
apostólicos...
I) HISTÓRIA DA
IGREJA ANTIGA
1. Origem e
expansão da Igreja - A Igreja Apostólica:
· A “plenitude dos tempos” (Gl 4l,4): Império Romano, Filosofia Grega, Religião
Judaica
· A Primeira
Comunidade Cristã: os cristãos viviam em comunhão de bens espirituais e materiais (cf. At 2,42-46; 4,32-35);
tratavam-se como santos (cf. At 9,13.32.41);
celebravam a Eucaristia (fração do pão)
no domingo (cf. At 2,42; 20,7).
· Perseguições do judaísmo: At 4,1-31;
5,17-41; 5,55-60 (morte de Estêvão); At 12,2 (morte de Tiago).
· O Concílio
de Jerusalém (At 15): o problema da observância da Lei pra os convertidos
do paganismo
· Os primeiros escritos apostólicos
(Ev. de S. Marcos e versão em aramaico do Ev. de S. Mateus): 50 d.C.
· O
Apóstolo S. Pedro: escolhido
por Jesus como chefe da Igreja (Mt 16,18-19; Lc 22,31-32; Jo 21,15-17); sempre
tomava a dianteira (At 2,14-40; 3,12-26; 4,8-12; 5,1-11; 10,1-48; 15,7-11).
· O
Apóstolo S. Paulo: fariseu,
cidadão romano, de cultura grega; converte-se (cf. At 9) e torna-se o Apóstolo
dos gentios.
· As primeiras perseguições dos romanos: Nero (54-68 ® morte
de S. Pedro e S. Paulo), Domiciano (81-96 ® exílio de S. João) e Trajano (98-117).
· Os Padres
Apostólicos (final do séc. I e começo do II): S. Clemente de Roma (4° Papa,
+102, Carta aos Coríntios); S. Inácio, bispo de Antioquia (+107, 7 cartas); S.
Policarpo, bispo de Esmirna (+ 156, Carta aos Filipenses, Relato do Martírio);
Didaquê (1° catecismo); Pastor de Hermas (Sacramento da Reconciliação:
1 vez após o batismo); Pápias, bispo de Hierópolis (+130, fragmentos); Epístola
do Pseudo-Barnabé.
· O crescimento da Igreja: a Verdade do
Evangelho correspondia às aspirações mais profundas (Tertuliano: “a alma humana
é naturalmente cristã”); valorização de toda pessoa humana; coerência e
heroísmo (Tertuliano: “Vede como se amam e estão prontos a morrer pelo outro;
“O sangue dos cristãos é semente”); zelo missionário.
2. A Igreja nos séc. II e III - A Igreja
dos Mártires:
· As adversidades: o Gnosticismo, as
acusações e perseguições dos romanos ® Diocleciano (284-305) realiza a última
e mais grave.
· O testemunho dos mártires e
confessores.
· Adopcionismo: Jesus era mero homem que foi
revestido de poder divino no Batismo (sendo adotado
por Deus)
· Modalismo ou Patripassionismo: o Filho era uma modalidade do Pai, o
qual morreu na Cruz (Sabélio: também o Espírito Santo é uma modalidade).
· Os Padres
Apologistas: S. Justino (+105; teoria do “Verbo Seminal”); Epístola a
Diogneto (“os cristãos são a alma do mundo”); Tertuliano (+220)...
· Outros escritores: S. Irineu de Lião
(+200; refutou as heresias gnósticas); S. Hipólito de Roma (+235, Tradição
Apostólica); Orígenes (+254)...
3. A Igreja no
séc. IV - o reconhecimento da Igreja:
· Edito de Milão em 313: liberdade de
culto.
· A transferência da capital para
Bizâncio.
· O papel do Imperador Constantino.
· Arianismo: o Filho é criatura do Pai, a mais
digna, “Filho de Deus”
· Concílio
de Nicéia I (325): Jesus
é “Deus de Deus...”; fixou a data da Páscoa.
· S. Basílio Magno, S. Gregório de
Nazianzo, e S. Gregório de Nissa: “Uma substância e três pessoas”.
· Juliano, o Apóstata (361-363)
· Macedonianismo: o Espírito Santo não é Deus.
· Apolinarismo: natureza humana de Cristo não tinha
alma, substituída pelo Verbo de Deus
· S. Gregório de Nissa: “O que não foi
assumido pelo Verbo não foi redimido”.
· O Imperador Teodósio, do Oriente, em
380 decretou oficial a fé católica.
· Concílio
de Constantinopla I (381): “Cremos
no Espírito Santo, que é Senhor e dá a Vida...”
· A Vida Monástica: S. Antão (251-356;
vida eremítica), S. Pacômio (+346; vida cenobítica; primeira Regra); S. Basílio
Magno (2 Regras; oração e estudo); S. Martinho de Tours (+397; evangelização);
Sto. Agostinho (+430).
4. A Igreja no
séc. V - novas heresias e as invasões bárbaras:
· Pelagianismo: não existe o pecado original e o
homem, por si só, pode salvar-se.
· Nestorianismo: duas pessoas em Jesus; Maria é a Mãe
de Cristo mas não Mãe de Deus.
· Concílio
de Éfeso (431):
Maria, Mãe de Deus; condenou-se o pelagianismo.
· Monofisismo: em Jesus há uma só natureza e uma só
pessoa, a divina.
· Concílio
de Calcedônia (451): duas
naturezas e uma só pessoa (Epístola de S. Leão Magno).
· Invasões dos bárbaros germânicos (queda
de Roma em 476) ® papel dos Bispos: administradores, defensores...
· Evangelização dos bárbaros (conversão
de Clóvis, rei dos francos em 496 ® a França é a “filha mais velha da
Igreja”).
· Contribuições dos bárbaros: sentido de
honra, de fidelidade...
5. A Igreja nos
séc. VI e VII:
· São Bento de Núrsia (+547): Ora et labora; Lectio divina; o papel
dos mosteiros beneditinos ® padroeiro da Europa (Pacis nuntius, Paulo VI, 1964).
· Concílio
de Constantinopla II (553):
condenação de três escritores (Imperador Justiniano II, influenciado pelo Bispo
Teodoro de Cesaréia, condenou Teodoro de Mopsuéstia, Teodoreto de Ciro, Ibas de
Edessa).
· Queda do reino ostrogodo em 553 ®
Itália = província do Império do Oriente, representado em Ravena.
· O “Patrimônio d.e S. Pedro”:
independência diante do Império.
· S. Columbano, Abade (+615, irlandês):
prática da direção espiritual, da confissão freqüente.
· O Islamismo
(622): restringiu a propagação do Cristianismo no Oriente e no Norte da África.
· Monergetismo e Monotelismo: em Jesus havia
uma só capacidade de agir (energeia),
a divina; ou uma só vontade
· Concílio
de Constantinopla III (680/1): dois modos de agir e duas vontades (a humana subordinada à
divina)
II) HISTÓRIA DA
IGREJA “MEDIEVAL”
1. Introdução à
Idade Média
· O nome Idade “Média”.
· Uma época obscura, sem cultura e
conhecimento? ® Arquitetura (românica, gótica), música (criação da
linguagem musical, canto gregoriano), letras (trovadores, surgimento do
romance), teatro popular, os copistas, a iconografia cristã, Filosofia
Escolástica, Universidades...
· Outros mitos: a mulher “sem alma”,
“servos x senhores”, “época de guerras e epidemias”
· O papel da Igreja.
· A
Inquisição e as Cruzadas:
autêntico zêlo religioso (mentalidade da época) x abusos (provenientes da
fraqueza humana).
· Nova nomenclatura (cf. Régine Pernoud):
Período Franco (séc. V a VIII), Período Imperial (séc. IX e X), Idade Feudal
(séc. X a XIII), Idade Média propriamente dita (séc. XIV e XV).
2. A Igreja no
séc. VIII:
· Antecedente do iconoclasmo: Severo
(bispo de Marselha), advertido por S. Gregório Magno (+604).
· Imperador Leão III: depôs o Patriarca
de Constantinopla elegendo um iconoclasta (730).
· Sínodo de Roma (731); S. João Damasceno
(+749).
· Constantino V, o Concílio de Constantinopla (754) e a perseguição (sobretudo aos
monges).
· Concílio
de Nicéia II (787): reconheceu
o culto da Cruz e das imagens, a intercessão de Maria, dos anjos e santos.
· Pepino ® Estado Pontifício em 756
· Carlos Magno, o novo Império do
Ocidente (800) e o “Renascimento Carolíngio”
3. A Igreja nos
séculos IX e X:
· A decadência do Império (moral,
administrativa, invasões dos normandos e sarracenos) ®
interferência dos nobres.
· S. Cirilo (+869) S. Metódio (+885) e a
evangelização dos povos eslavos ® durante o Papa Adriano II ®
co-padroeiros da Europa (Egregiae
virtutis, 1980)
· Fócio (questão do Filioque)
· Concílio
de Constantinopla IV (869/70): submissão à Igreja de Roma, culto das imagens reconfirmado.
· Fundação do mosteiro de Cluny (911).
· Oto I e o Sacro Império Romano
Germânico (962).
· Séc. IX: período doloroso na vida da
Igreja ® interferências no papado (lenda da “Papisa Joana”)
4. A Igreja nos
séculos XI e XII:
· O Cisma Oriental (1054): Miguel
Cerulário
· Três males: investiduras; simonia;
concubinato dos clérigos.
· Gregório VII (1073-1085): foi monge em
Cluny; harmonia entre Igreja e Império; “Que a Santa Igreja, retomando seu
brilho originário, permaneça livre, casta e católica”.
· As
Cruzadas (1a
em 1095 sob o Papa Urbano II): inspiradas no zelo e espírito de cavalaria da I.
Média.
· Concílios
do Latrão I (1123), Latrão II (1139) e Latrão III (1179): disciplina da Igreja.
· A
Reforma de Cluny (séc. XI) e a Reforma do Cister (séc. XII) ® S.
Bernardo de Claraval (1090-1153)
· A
Inquisição (1184
sob o Papa Lúcio III): cátaros (a matéria é má, negavam o matrimônio, o
juramento, enalteciam o suicídio, fanatismo, ataques) ®
resposta violenta do povo e da autoridade civil ® solução: “inquirir” os suspeitos e
entregar os culpados ao poder secular que aplicaria a sanção; a pena de morte
foi introduzida em 1224 pelo Imperador Frederico II (proporção nos registros
preservados: 1/15, 1/22) e a tortura em 1252 (só depois de todos os outros
recursos); houve abusos e injustiças na aplicação, sempre censuradas da parte
de Roma ® por mais que nos pareça estranho –e que os motivos
originários do Imperador fossem políticos e econômicos-, a motivação da Igreja incluía
o cuidado da comunidade dos crentes e a possibilidade de salvar os hereges
5. A Igreja no
séc. XIII:
· Grandes personagens: Papa Inocêncio III
(1198-1216); S. Francisco de Assis (1181-1226); S. Domingos de Gusmão
(1170-1234); Rei S. Luís da França (1226-1270); S. Tomás de Aquino (1225-1274),
S. Antônio e S. Boaventura.
· Concílio
de Latrão IV* (1215): 1220 prelados, quase todos os príncipes
cristãos, condenou
a heresia dos cátaros e valdenses, os erros de Joaquim de Fiore (abade
cisterciense); disciplina; cruzada; comungar ao menos na Páscoa; confessar-se
ao menos uma vez; “transubstanciação”.
· Novas ordens (franciscanos,
dominicanos, carmelitas) x correntes heterodoxas.
· Concílio
de Lião I (1245): excomunhão
do Imperador Frederico II .
· Concílio
de Lião II (1274): reunião
de latinos e bizantinos.
· Celestino V (1294): eremita Pedro;
inexperiência e bondade simplória; renunciou; canonizado em 1313.
6. A Igreja no
séc. XIV e XV:
· Bonifácio VIII (1294-1303):
intelectual; quis continuar a obra de Gregório VII e Inocêncio III; proclamou
pela primeira vez um ano de jubileu (cf. Lv 25,9-55); impetuoso; problemas com
nobres italianos, com os joaquimitas e franciscanos espirituais, com Filipe o
Belo da França; foi preso em Roma, não renunciou, foi libertado e morreu ®
início do enfraquecimento da autoridade papal no foro político.
· Clemente V (1305-1314): francês,
coroado em Lião, pressionado por Filipe, fixou residência em Avinhão; processo
contra os Templários.
· Concílio
de Viena (1311/12): supressão
da Ordem dos Templários
· “Exílio de Avinhão” (1309-1376): Papa sujeito ao rei da França
· Guilherme de Occam (1300-1350): nominalismo ® bases
para o pensamento filosófico da modernidade
· Urbano V (1362-1370): regressa a Roma
em 1367, mas voltou em 1370
· Gregório XI ® enviou soldados à Florença; Sta.
Catarina interveio (retorno do Papa e paz).
· Cisma Ocidental (1378-1417): Urbano VI
(impaciente com os Cardeais® S. Catarina de Sena; Itália do Centro
e Norte, Alemanha, Inglaterra, Hungria, Suécia); Clemente VII (Avinhão;
Sul da Itália, França, Espanha, Escócia, Dinamarca, Noruega; S. Vicente Ferrer,
Pedro de Luxemburgo) ® confusão, descontentamento, agravado
pelos impostos, influxo dos monarcas ® conciliarismo
(Occam e Marsílio de Pádua)
· John Wiclef (1320-1384): “os bens temporais são
nocivos à Igreja (eco na corte); Igreja é comunidade invisível, na qual o Papa
é Cristo e cada crente é um presbítero; SE é a única norma de Fé; presença
espiritual de Cristo na Eucaristia; confissão auricular foi instituição
tardia”.
· John Hus: propagou as idéias de Wiclef na
Boêmia (Alemanha)
· Gregório XII e Bento XIII: reconciliação frustrada
· Concílio
de Pisa (1409): novo
antipapa, Alexandre V (Bolonha; França e
Inglaterra); conciliarismo
· O Imperador Sigsmundo da Alemanha convocou o Concílio de Constança (1414-1418): Conciliarismo; depôs João XXIII; convocado por Gregório XII
(legítimo a partir daí), que renunciou; depôs Bento XIII; elegeu um novo Papa,
legítimo, Martinho V; condenou a doutrina de Wiclef, Hus e Jerônimo de Praga;
medidas disciplinares.
· Concílio
de Basiléia-Ferrara-Florença (1431-1442): união com gregos, monofisitas, nestorianos; que durou pouco.
· Concílio
de Basiléia: conciliarismo;
novo antipapa, Félix V (partes da
Alemanha), último da história.
· Concordata de Viena (1448), sob Nicolau
V: fim da divisão (e da História da Igreja “Medieval”).
· Período difícil ®
guerras: Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre França e Inglaterra (Joana
D’Arc); fortalecimento dos príncipes (centralização do poder), enfraquecimento
da nobreza e ascensão da burguesia ® transição do feudalismo ao absolutismo
que vigoraria na Idade Moderna.
III) HISTÓRIA DA
IGREJA MODERNA
1. Introdução à
Idade Moderna:
· Mudança de mentalidade (®
Estados Nacionais Modernos, Renascimento, desenvolvimento das ciências e
técnicas):
· nacionalismo e individualismo x
unidade e sentido de comunidade da Idade “Média”;
· valores pagãos (humanismo sem Deus) da
antigüidade clássica;
· tríplice negativa: à Igreja Católica
(séc. XVI, Reforma protestante), à religião revelada (séculos XVII e XVIII,
racionalismo, iluminismo, Revolução Francesa; deísmo); a Deus (séc. XIX, ateísmo positivista, marxista,
historicismo, relativismo).
· Novo cenário da história da Igreja: se
restringiu na Europa (Reforma), mas se dilatou com os novos descobrimentos
(América, África, Oriente) e com o impulso da Reforma Católica (Concílio de
Trento...)
2. A Igreja em
fins do séc. XV e no séc. XVI:
· A Inquisição
Espanhola (e a Portuguesa)
· Os papas do renascimento:
patrocinadores das artes, mas descuidaram-se da disciplina da Igreja.
· Concílio
de Latrão V (1512-1517):
condenou a Pragmática Sanção de Bourges (que favorecia uma Igreja Nacional na
França); condenou a tese da mortalidade da alma (Pietro Pomponazzi) disciplina;
Imprimatur ® suas
resoluções não encontraram ecos na época mas prepararam a Reforma Católica.
· As
indulgências: o
pecado necessita, além do perdão, de expiação, pois tem conseqüências sociais e
resquícios na própria pessoa (cf. 2Sm 12,13s; Nm 20,12; 27,12-14; Dt 34,4s; v.
também Tb 4,11; Dn 4,24; Jl 2,12s); a penitência era anterior à absolvição e
era muito penosa, por isso a Igreja substituiu certas obras penitenciais muito
rigorosas por outras mais brandas, aos quais associava os méritos de Cristo
(“obras indulgenciadas”: orações, esmolas, peregrinações... a serem realizadas
após a confissão, ou tendo esta em vista, e que podiam ser revertidas para os
fiéis do Purgatório; não se vendia o
perdão!) ® no início do séc. XVI, para custear a Basílica de S. Pedro,
os papas promulgaram indulgência plenária para quem desse esmola ® houve
abusos, sobretudo na Alemanha, o que gerou o ambiente para a pregação de Lutero
(95 teses).
· “Reforma”
Protestante ® três
teses fundamentais:
1)
Só
a Bíblia: tudo
contém; o ES ilumina cada indivíduo para interpretá-la (reação ao Magistério
que expressa a mentalidade do Renascimento, a rejeição à autoridade) ® mas a
SE tem origem na pregação oral e no eco da pregação oral dos profetas e
apóstolos, sendo a Tradição necessário critério para sua interpretação; esta
antecedeu a redação e não foi toda escrita (cf. Jo 20, 30-31; 21, 25); a SE
ratifica a Tradição (cf. 2Ts 2,15); conseqüências: deturpação da SE e
multiplicação das igrejas.
2)
Só
a Fé: a
concupiscência é invencível; são inúteis as boas obras e penitências, basta a
Fé; a justificação é meramente extrínseca; não se pode falar de cooperação com
a Graça, méritos ® a remissão dos pecados é gratuita (Rm 5, 8ss), mas o perdão
não é mera fórmula jurídica, é regeneração; nós podemos realizar atos à
semelhança da santidade do Pai, que não são pagamento, mas são os frutos
necessários da Graça (é Cristo quem vive no cristão; cf. Gl 2, 20); a
concupiscência que permanece não é pecado se não há consentimento; de resto, os
protestantes valorizam as boas obras na vida cotidiana.
3)
A
negação de intermediários entre Deus e o crente: valor decisivo dado à atitude do indivíduo
diante de Deus; a Fé subjetiva nos méritos de Cristo é que salva, não há
canais (sejam ritos ou ministros; Jesus é o único Sacerdote); o número de
sacramentos é diminuído e sua função é a despertar a Fé, a qual produz a santificação;
a Igreja visível se corrompeu, e a Igreja é uma sociedade invisível (conjuntos
dos crentes das várias denominações protestantes que continuam a vida da Igreja
primitiva) ® rejeição dos sacramentos e do sacerdócio contradiz o
dinamismo encarnatório do Plano de Deus, no qual também, a santificação do
homem sempre foi concebida comunitariamente; a reforma pretende voltar à Igreja
primitiva, anterior à “corrupção”, o que é uma pretensão vã (Harnack: “Os
apóstolos corromperam o Evangelho”!; “Cristianismo e catolicismo constituem uma
identidade histórica perfeita”).
· O Protestantismo se adequou
perfeitamente aos interesses dos príncipes e da burguesia.
· O calvinismo: predestinação; riqueza
como sinal de salvação; moralismo; perseguição.
· O anglicanismo: Henrique VIII (“Ato de
Supremacia”) ® perseguições (S. Tomás Moro...) ® até
hoje há leis discriminatória dos católicos na Irlanda do Norte ®
protestantes descontentes com a permanência de elementos católicos deram origem
aos “puritanos”, que colonizaram os EUA.
· A Reforma Católica: a Devotio Moderna, os grandes santos
místicos e ascéticos; “Os homens é que devem ser reformados pela religião e não
a religião pelos homens”; a Inquisição
Romana; os jesuítas.
· Concílio
de Trento (1545-1563): reafirmou
o cânon da SE, a Tradição, os 7 sacramentos, o purgatório, as indulgências;
disciplina e formação do clero; Index.
· Baianismo: a natureza humana foi totalmente
corrompida pelo pecado de Adão, não é mais livre, nem capaz de realizar o bem;
Baio se sujeitou à Igreja.
· A Evangelização da América: a lenda
negra
3. A Igreja nos
séculos XVII e XVIII:
· Jansenismo: propagação das idéias de Baio ® cisma
na Holanda (Igreja de Utrecht).
· Galicanismo: Rei Luís XIV e bispos
franceses quiseram limitar o poder do papa na França.
· Febronianismo: aplicação dos princípios
galicanos na Alemanha e na Áustria.
· Supressão da Cia. de Jesus (1773):
influência do Marquês de Pombal.
· O
Iluminismo: “luzes
da razão” x fé, transcendência
· A
Revolução Francesa: miséria
do povo, privilégios para a nobreza e o clero; Convocação dos Estados Gerais,
que logo se declararam Assembléia
Constituinte (Constituição Civil do Clero: divisão da Igreja na França;
supressão das ordens religiosas); Convenção
Nacional (Terror; “religião da
razão”; profanações; o clero deixou de ter existência legal; atenuação das
tensões); Diretório (ascensão de
Napoleão; deportação do papa Pio VI); Consulado.
· Morte de Pio IV (29/08/1799): situação
mais crítica da Igreja (França incrédula, Itália invadida, Alemanha contaminada
pelo Iluminismo, Polônia retalhada por 3 potências vizinhas, Espanha e Portugal
governados por ministros hostis à Igreja, na Inglaterra e Países Baixos os
católicos eram minorias) ® Catolicismo parecia agonizar
(falava-se que Pio VI seria o último Papa) ® como eleger um novo Papa? (os Cardeais
estavam ou prisioneiros ou deportados ou dispersos em liberdade).
· O Conclave se reuniu, apesar de tudo,
em Veneza ® Pio VII.
4. A Igreja no
séc. XIX e inícios do séc. XX:
· Pio VII e Napoleão ® Pio
VII regressa a Roma; assina a Concordata de Paris (grandes poderes do Estado
sobre a Igreja); recusou dissolver o casamento do irmão de Napoleão, então este
invadiu o Estado Pontifício; o Papa excomungou Napoleão e foi preso em Savona,
depois levado para Fontainebleau durante a invasão de Napoleão à Rússia; como
este fracassou, o Papa pôde voltar a Roma (24/05/1814: N. S. Auxiliadora),
sendo recebido com festa enquanto Napoleão teve que abdicar (ainda houve o
governo de 100 dias, depois a derrota definitiva, e sua família recebeu
hospedagem da parte do Papa). O Papa restaurou a Cia. de Jesus em 1814 e
faleceu em 1823.
· Movimentos nacionalistas italianos
(unificação).
· Pio IX ® mais longo pontificado (1846-1878 = 32
anos): dogma da Imaculada Conceição (1854), publicação do Syllabus (1964; compêndio de erros da época), Concílio Vaticano I
(1869/70) e a queda do Estado Pontifício (1870; até 1929).
· Concílio
do Vaticano I (1869-70):
Dei Filius (Deus se revela pela
criação e pela Revelação, pode ser conhecido pela razão e pela fé); Pastor Aeternus (infalibilidade ex cathedra do Papa).
· Os “Velhos-Católicos”: discípulos do
Pe. Inácio Döllinger, opositor do CV I (uniram-se aos jansenistas).
· Leão XIII (1878-1903): Aeterni Patris (1879, S. Tomás de
Aquino), Rerum Novarum (1891, Questão
Social); abriu o Arquivo e Biblioteca do Vaticano...
· S. Pio X (1903-14): Instaurare omnia in Chisto; reforma da
Liturgia (“volta às fontes”); comunhão ministrada às crianças desde a idade da
razão...
· Bento V (1914-22): Apóstolo da paz na
Primeira Guerra.
· Pio XI (1922-39): solução da Questão
Romana (Tratado de Latrão em 1929 ® fim
da Idade Moderna).
IV) HISTÓRIA DA
IGREJA CONTEMPORÂNEA
1. Introdução à
Idade Contemporânea:
· Os frutos amargos da modernidade (do
iluminismo e suas ideologias): os totalitarismos, as 2 grandes guerras,
individualismo...
· Preocupação pela pessoa humana e pelo
meio ambiente e denúncia: Declaração Universal, existencialismo, movimentos
ecológicos...
· Pós-modernidade: nihilismo
· 2.
Pio XII (1939-58):
· Segunda Guerra: mensagens, abrigo aos
judeus (visão distorcida: Rolf Hochhuth e a peça O Vigário).
· Incentivo ao trabalho missionário na
África (Africae Donum).
· “Nova Teologia” (Von Balthazar,
Daniélou, De Lubac, Chenu, Congar...).
· Contribuição ao “retorno às fontes”: Mediator Dei (Liturgia), Divino Afflante Spiritu (SE), Mystici Corporis Christi (Igreja).
· Dogma da Assunção (1950).
3. João XXIII
(1958-63):
· Mater
et Magistra e Pacem in Terris (Questão Social).
· Preocupação ecumênica.
· Simplicidade e bondade (saía a pé,
caminhava pela cidade, visitava padres, doentes e presos).
· Convocou e inaugurou o Concílio do
Vaticano II.
4. O Concílio do
Vaticano II (1962-65):
· Proposta de aggiornamento: renovação em continuidade com a
Tradição (não novos dogmas nem condenações, mas novas expressões da fé para um mundo descrente: concílio "pastoral").
· Renovação da Liturgia (ponto de polêmica com os chamados "tradicionalistas").
· Igreja como "sacramento da união do homem a Deus e dos homens entre si"; importância do papel de todo o Povo de Deus: Bispos (doutrina da "colegialidade"), Presbíteros, Religiosos,
Leigos (incentivo ao apostolado dos leigos e chamada universal à santidade).
· Diálogo com os demais cristãos (ecumenismo) e com as
demais religiões (diálogo inter-religioso).
· Tomada de posição da Igreja frente às
diversas facetas do mundo de hoje, aos meios de comunicação social.
· Liberdade religiosa (direito inerente a
todo homem de formar livremente sua consciência diante de Deus e da fé; outro ponto de polêmica com os chamados "tradicionalistas").
· O Concílio nem sempre foi corretamente
interpretado (Teologia da Libertação marxista, abusos litúrgicos infindáveis, o problema da SSPX...).
5. Paulo VI
(1963-78):
· Presidiu a maior parte do CV II e o
encerrou, criando vários organismos (Secretariados para a Unidade dos Cristãos,
para o Diálogo com os Não-Cristãos, para o Diálogo com os Ateus, Conselhos para
as Comunicações Sociais, para a Revisão da Liturgia).
· Contato com os cristãos não católicos.
· Populorum
Progressio e Octogesima Adveniens (Questão Social e
participação dos cristãos na transformação do mundo).
· Humane
Vitae
(Regulação da Natalidade).
· Evangelium
Nuntiandi
(Evangelização no Mundo Contemporâneo).
6. João Paulo II (1978-2005)
7. Bento XVI (2005-2013)
8. Francisco (2013-?)
"A Praça e a Igreja de Santa Maria Maior" (1744), de Giovanni Paolo Pannini

Um comentário:
Muito obrigado!
Postar um comentário