Artigo “Transcendencia y Física”,
publicado na Gran Enciclopeia del Mundo,
Bilbao, 1964, vol. 18, cols. 419-424, e posteriormente recolhido como apêndice
em: ZUBIRI, Xavier. Acerca del Mundo
(1960). Madrid: Alianza Editorial, 2010, pp. 249-258.
Traduzido por mim para esta publicação,
por se tratar da “via cósmica” zubiriana para se chegar a Deus, distinta da “via da
religação” e análoga às “cinco vias” tomistas. Trata-se de um argumento muito
mais potente que o do “Design inteligente” (ainda que menos interessante
“existencialmente” que a doutrina da “religação”), e que merece ser melhor
divulgado. Não sei se os dados científicos empíricos estão todos atualizados,
mas a análise metafísica certamente conserva sua verdade inalterada.
* * *
“Esta expressão [Transcendência e Física]
designa o problema de averiguar se a imagem que do universo físico se forma a
ciência atual reclama ou conduz a admitir a existência da realidade própria em
e por si mesma, distinta realmente do universo e sem a qual este não poderia
existir nem ser o que é.
O ‘físico’, no sentido da ciência atual, é
exclusivamente o inanimado: ficam fora da física os seres vivos e o homem. Em
contrapartida, o físico abarca hoje um âmbito estritamente universal. Até há
poucos anos, a física descobria leis válidas tão somente para a Terra. No
máximo, havia ampliado as leis mecânicas terrestres, e constituído com Newton
uma mecânica celeste, que apesar de seu nome só compreendia o sistema solar.
Hoje, a nova astronomia, de caráter fundamentalmente astrofísico, não só
estendeu toda a física ao universo material inteiro, senão que nos fez ver que
nosso próprio mundo terrestre, em todas as suas estruturas e processos físicos,
está pendendo constitutivamente dos processos e das estruturas materiais e até
geométricas do universo inteiro. Daí que o físico seja identicamente o cósmico.
Recordemos rapidamente a imagem que deste
universo físico se formou a ciência atual. O universo é um sistema de
realidades da mais diversa índole. Compreende sobretudo os astros e seus
distintos agrupamentos (estrelas múltiplas, associações, cúmulos, etc.), mas
também o gás e o pó interestelares. Sua unidade física possui uma configuração
chamada galáxia. Por sua vez, as galáxias ou bem se encontram dispersas no
espaço ou bem, mais geralmente, constituem sistemas ou configurações físicas
supragalácticas ou, quando menos, essas outras configurações chamadas cúmulos
de galáxias. O univeso inteiro até hoje conhecido se estende a uma distância de
uns cinco a seis bilhões de anos luz [em sua separata do artigo, Zubiri riscou
“cinco a seis” e escreveu “quinze”].
Este universo cósmico possui duas
características fundamentais para a ciência atual. É, em primeiro lugar, um
sistema evolutivo. As galáxias são
massas gasosas em configuração de turbulência. Em sua virtude foram se
fragmentando em concentrações locais que por contração começaram a brilhar em
forma de estrelas. Não se formaram de uma vez, senão que se vão formando
constante mas paulatinamente, à custa do gás da galáxia. É um fenômeno que
quase se comprova ante nossos próprios olhos, e que permite falar com rigor de
distintas populações estelares, e de estrelas de distinta idade e até de
geração distinta. Com isso se iniciam dois processos essenciais. Um, o próprio
processo da galáxia. À medida que o gás se vai consumindo, vai mudando a
configuração daquela: de irregular passa a espiral e desta a elíptica. Outro, o
processo de cada estrela; começa a brilhar como um astro da sequência
principal, inicia então uma série de reações nucleares de processos convectivos
que lhe fazem passar à condição de gigante, e desta por sua vez a configurações
distintas (pulsantes ou não pulsantes), para terminar por contração ou explosão
(supernova) na configuração de anã branca. Com a explosão joga no espaço sua
matéria em forma de pó, com o qual se pode iniciar uma segunda geração de
estrelas de distinta composição química que as primeiras. Este duplo processo
está pendente, pois, de dois fatores: 1º As leis estruturais da matéria
(incluindo nela a energia): leis gravitatórias, leis das partículas
elementares, leis eletromagnéticas e leis termodinâmicas. 2º Uma configuração.
Cada configuração procede da anterior, tendo em conta o jogo das leis
estruturais da matéria contida nela. Esta configuração é inicialmente uma
turbulência hidromagnética, e as leis termodinâmicas de caráter probabilista
impõem à concatenação das configurações uma direção temporal irreversível desde
a máxima desordem à máxima ordem. Este é um fator essencial. Umas mesmas
estruturas podem dar lugar a realidades físicas muito distintas segundo sejam
as configurações em que se acham colocadas. As chamadas condições iniciais do
problema, quando se trata de descrever um fenômeno com equações diferenciais
ordinárias, e as condições no limite, quando se usam equações em derivadas
parciais, são indiscutivelmente ‘configurações’. A coisa é ainda mais patente se
nos referimos à probabilidade e à estatística em problemas termodinâmicos. Por
isto me pareceu essencial destacar unitária e autonomamente o conceito geral
estrito de configuração. Com estruturas em configurações é como a física atual
explica e expõe o caráter evolutivo do universo.
Este universo tem um segundo caráter: é um
sistema em expansão. O fenômeno
descoberto por Hubble, do deslocamento das linhas espectrais para o vermelho,
foi interpretado por quase todos os astrônomos como um verdadeiro efeito
Doppler e, portanto, como testemunho de uma verdadeira expansão física do
universo. Esta expansão é de velocidade proporcional à distância, segundo uma
constante (diversamente estimada pelos demais). Só uma minoria interpreta o
fenômeno do deslocamento para o vermelho como resultado de uma degradação
energética dos fótons em sua trajetória cósmica (por exemplo, Zwicky) ou como
uma espécie de ilusão devida à estrutura cliffordiana do espaço, etc. Aceitamos
sem mais a expansão do universo, porque, ainda que não é imprescindível para
nosso problema, o situa numa dimensão, a mais aceitável para a ciência atual.
Em definitivo, o universo é um sistema
evolutivo em expansão. Como se interpreta fisicamente este fato? Para uma
minoria de astrônomos (Jordan, Hoyle e sua escola), apesar da expansão, a
densidade média do universo é constante, o qual exige que a expansão vá
acompanhada da aparição de nova matéria, a um ritmo e quantidade fixos. À
maioria dos astrônomos repugna esta ideia. E se se descarta, então se vê que a
expansão faz variar a densidade do universo, e remete inexoravelmente a linha
do tempo a um estádio inicial único do que partiu a expansão e com ela a
evolução do universo inteiro. É um estádio definido por uma quantidade de
energia e de partículas elementares (diferentes segundo as diversas concepções)
em uma configuração de concentração enorme, dotado de grande instabilidade,
tanto material como geométrica. Daí uma expansão que tem dois componentes: uma
explosão material e muito provavelmente uma expansão do próprio espaço
geométrico (Lemaître). Isto produz a cascata de configurações a que antes
aludíamos. A velocidade de expansão do universo implica a constante de Hubble,
muito diversamente estimada, segundo disse; mas hoje em dia sua estimação média
nos levaria a coloca o estado inicial único em uma data da ordem dos sete aos
dez bilhões de anos [em nota à margem do texto mecanografado anotou Zubiri
posteriormente: ‘Olho, a data hoje é muito maior’]. Costuma-se dizer que, com
isso, a Física atual demonstra ou, quando menos, postula o começo temporal do
universo mesmo. Mas isto é uma ilusão. O único que a física faz é nos
retrotrair, dos estados atuais do universo, a seu ‘estado inicial’ a respeito
destes, haja tido ou não existência anterior a própria matéria; o único que a
física dirá que seus possíveis estados anteriores em nada influem nem tê a ver
com a origem do estado atual.
Isto suposto, o problema da transcendência
surge inevitavelmente do próprio coração desta imagem científica do universo.
Cada coisa intracósmica, com efeito, procede de outra: nenhuma repousa sobre si
mesma. Pois bem, compete ao universo inteiro e enquanto tal esta condição, ou
não será antes algo que, como totalidade, repousa sobre si mesmo? Entendo por
‘repousar em si mesmo’ não ter necessidade de nenhuma outra coisa, não só para
ser como se é, senão, e sobretudo, para ter realidade. Na descrição que do
universo que nos fez a ciência, estes dois momentos, ‘o que as coisas são’ e o
fato de ‘ter realidade’, se encontram precisa e formalmente articulados. Nisso
consiste justamente a evolução: graças a que umas coisas (galáxias, gás, pó,
etc.) são reais, outras coisas (astros, etc.) têm realidade e são como são
[nota: no fundo, é a distinção
zubiriana entre de suyo e conteúdo (essencial) ou a distinção
tomasiana entre esse e essência; os grifos foram meus]. Agora,
isto significa que, tratando-se das realidades intracósmicas, ambos momentos
não são idênticos; é o que expressamos dizendo que não repousam sobre si
mesmas. Repousar sobre si mesmas, em contrapartida, não significa que o que a
coisa é seja algo irredutível ao que é qualquer outra coisa, senão ser uma
realidade que é real não só em si mesma [nota:
como é qualquer ente substancial], senão por si mesma [como só Deus É],
isto é, uma coisa que por sua própria índole não pode carecer de realidade,
senão que está ‘definido’ por tê-la, que é essencialmente existente [nota: assim, ‘repousar sobre si mesma’
é ser a raiz da própria ‘subsistência’, e não só da ‘essência’]. Tal é o caso
daquilo que buscamos, do fundamento do mundo. O universo como totalidade das
coisas não é só o conjunto de coisas
reais ou seu sistema físico, senão que é sobretudo a unidade das coisas reais fundada precisa e formalmente em seu caráter
de realidade enquanto tal [nota: é
a diferença zubiriana entre cosmos e mundo, respectitivade talitativa ou das coisas como ‘tais’ e respectividade
da realidade como realidade]. Portanto, quando nos perguntamos pelo
fundamento do universo ou se o universo repousa sobre si mesmo, não nos basta
com um sistema de propriedades que fosse irredutíveis (e que neste sentido
repousariam sobre si mesmas), senão que nos perguntamos pelo fato deste sistema
último irredutível de propriedades, acerca de sua realidade, isto é, se este
sistema é essencialmente existente.
Pois bem, o universo, tal como o concebe a
ciência atual, não pode repousar sobre si mesmo, não é uma realidade
essencialmente existente. E isto, qualquer que seja a imagem que da evolução
expansiva se adote. Se há densidade uniforme e aparição constante de matéria, é
impossível evitar a apelação a uma realidade ultracósmica; essa matéria não
pode vir do nada. E o que mais repugna nesta concepção à maioria dos físicos
não é precisamente esta apelação a uma realidade transcósmica, senão ao fato de
que a marcha ‘física’ do universo exigiria sua intervenção especial, direta,
como causa próxima única, em infinitos momentos distintos da evolução, coisa
que não é impossível, naturalmente, mas que, naturalmente também, não parece
admissível de fato mais do que se fosse inevitável. Sem entrar no debate,
aceitemos pelo momento a outra hipótese, a evolução a partir de um estado
inicial único. Então o que nos perguntamos é se este universo, que entre as
causas próximas de sua marcha não conta com a intervenção direta e especial de
causas transfísicas, repousa sobre si mesmo em virtude de sua própria
estrutura, isto é, se o universo como totalidade é essencialmente existente.
Pois bem, isto é impossível.
Com efeito, prescindamos – por razões de
método – de que, tomada como explicação integral do universo, a imagem
‘científica’ do estado inicial único teria que conter não só estruturas
materiais, senão também aquelas outras que em sua hora determinariam a aparição
dos seres inteligentes [nota: ou
seja, Zubiri está dizendo que a ‘matéria’, por si só, jamais poderia ‘evoluir’
até a inteligência]. Limitemo-nos, pois, às realidades puramente físicas. O
estado inicial está constituído não só por estruturas submetidas a leis, senão
também por uma determinada configuração. Cada estádio da evolução – já o vimos
– envolve estes dois fatores essencialmente distintos. E se bem é verdade que,
supostas umas estruturas em determinada configuração, está determinada também a
configuração ulterior em que estarão as estruturas, não o é menos que,
tratando-se do estado inicial, nos encontramos com uma dualidade radical entre
estrutura e configuração; as estruturas jamais poderiam determinar por si
mesmas sua própria configuração inicial. O qual significa que esse estado
inicial não repousa sobre si mesmo, senão que sua unidade remete a algo de
certo modo ortogonal ao plano desse estado, e que seja a raiz da que procedem
as estruturas e a configuração em que se encontram envolvidas. Por baixo da
processualidade evolvente das estruturas e das configurações, há uma
processualidade radical, de índole completamente distinta à processualidade
evolutiva física; uma processualidade que consiste em que o estado inicial
emerja à realidade de uma raiz transfísica que o universo inteiro levaria em si
mesmo. Empregando uma terminologia antiga mas expressiva, diremos que o
universo não repousa sobre si mesmo, porque como natura naturata repousa sobre uma radical natura naturans. Chegamos, pois, pela via da evolução a partir de
um estado inicial único à mesma conclusão a que leva imediatamente a concepção
da aparição contínua de matéria.
Isto suposto, esta realidade transfísica é
essencialmente existente? Então seria justamente a realidade transcendente,
porque não seria homogênea com o estado inicial nem por seu conteúdo nem por
seu caráter de realidade, pois, se fosse homogêneo, aquele presumido estado
inicial já não seria inicial. Mas admitamos que esta realidade, ainda transfísica,
não fosse essencialmente existente. Então, pela mesma razão haveria que apelar
a outra realidade trans-trans-física. E nesta apelação não cabe um regresso
indefinido. Porque não se trata de algo que em si mesmo seria perfeitamente possível,
a saber, de que o universo físico seja o último elo de uma série indefinida de
outras realidades transfísicas, dotadas de propriedades de outra ordem, senão
do fato nu de ter ou não ter realidade. E nesta ordem não cabe um regresso ao
infinito [nota: é a mesma estrutura metafísico-argumentativa
da '1ª via' tomasiana ou também da '3ª', a partir de uma outra concepção do ‘físico’].
Porque ao nos perguntarmos fundadamente, como é nosso caso, pelo fundamento da realidade
de algo, esta realidade fica em suspenso; a coisa é como se não fosse real. Admitir uma série indefinida de realidades
que são como se não fossem não só não conduz a conferir realidade à ‘coisa’ que
motivou a questão, senão que consiste em declará-la indefinidamente irreal, o
qual é impossível, pois o universo existe. Por conseguinte é inexorável chegar
a uma realidade essencialmente existente que mediata ou imediatamente seja o
fundamento radical e originário do estado inicial da evolução expansiva ou da
aparição constante de matéria [grifos meus]. Melhor que natura naturans eu a chamaria, chegados
a este ponto, realitas mundificans [realidade ‘mundificante’ (sic), no
sentido de ‘realidade que ‘realiza o mundo’, que ‘dá realidade ao mundo’;
assim, Zubiri se afasta da expressão que, em Spinoza, tornou-se característica
do panteísmo].
Mas ortogonal ao universo e como raiz sua,
esta realidade essencialmente existente poderia ser tão só uma parte dele, sua
parte radical, mas parte tão somente ao fim e ao cabo? É a tese de todos os
panteísmos; em definitivo, a negação de toda verdadeira transcendência. O panteísmo
teve formas muito diversas; citemos três. Uma, o panteísmo brahmânico que se
refere mais propriamente à ordem da subsistência: o universo inteiro seria
Deus, não por sua natureza, senão por sua subsistência [nota: é o que mais propriamente caracteriza o panenteísmo, ao qual corresponde também o “emanatismo” neoplatônico].
Ainda que metafisicamente possível – é o caso singular de Cristo [nota: por isto, a gnose perenialista,
que não reconhece a Graça e a Predestinação singular do Homem-Deus é um claro e
crasso erro para quem é cristão]–, sem embargo, em todos os demais casos é falso
de fato. E em definitivo não diz respeito a nosso problema que é de ordem
puramente física. O panteísmo grego (segundo o qual o que chamei realidade
mundificante seria a alma do mundo) e os panteísmos modernos (seja na forma
substância único com dois modos, de Spinoza, seja na forma transcendental do
idealismo pós-kantiano) são insustentáveis porque uma realidade essencialmente
existente, ainda que raiz de uma natura
naturata, não pode estar em si mesma incursa na evolução que produz, porque
toda realidade evolvente contém de uma ou outra forma um momento de não-ser e,
portanto, já não é uma realidade essencialmente existente. A evolução não é
possível mais que em realidades cuja índole interna ‘não’ tem ainda realidade
plena. Mas tratando-se de uma realidade essencialmente existente, esta existência
lhe vem de ou se funda na própria plenitude, uma plenitude que é a que traz
consigo o ter realidade. Portanto, a
realidade mundificante, como essencialmente existente que é, é certamente raiz
do mundo e de sua evolução, mas não é uma parte nem física nem metafísica dele,
senão uma realidade própria em e por si mesma, distinta do mundo radicado e
fundado nela. Por isto é que dizemos que é uma realidade transcendente. E a esta realidade é a que em primeira aproximação
chamamos Deus (pois para que o fosse plenamente, como o é em verdade, faria
falta justificar seu caráter pessoal e livre, o qual excede os limites deste artigo)
[nota: perceba-se como a
argumentação termina com o ‘a isto chamamos Deus’ das vias tomasianas; os grifos
são meus].
Com isso podemos precisar a índole desta
transcendência que a física reclama, não apesar da evolução, mas justamente ao contrário,
para fazê-la possível: é o caráter de uma realidade transfísica que, fundamento
da evolução do universo, não está afetada por ela, senão que é uma realidade por
si mesma distinta do universo [nota: ao
invés de ‘evolução’, poder-se-ia falar de ‘movimento’ ou ‘devir’]. A transcendência
não significa que Deus seja estranho ao universo: foi a falsa visão de todos os
gnosticismos que simbólica e miticamente chamaram a Deus ‘o grande ausente, o
grande estrangeiro’ do universo [nota: há
uma ressonância disto também no equívoco de uma visão religiosa que vê a Deus
como o ‘Totalmente Outro’]. Tampouco significa separação; Aristóteles concebeu
a Deus como substância separada (χωριοτόν). A transcendência significa todo o
contrário; presença de Deus no mundo, mas inserção deste em Deus [nota: Deus está no mundo, mas não como ‘parte’
deste, e o mundo está em Deus como ‘fundado’ nEle, mas não como 'essência' manifesta de um 'Deus imanifesto']. De sorte que se bem é certo
que Deus e o mundo não são ‘um’, tampouco são ‘duas’ realidades justapostas e
adicionáveis. Transcendência significa que Deus é o fundamento causal direto da
matéria ou de um estado inicial, do qual não se desentende, mas no qual não
intervém forçosamente como causa próxima, senão que é só fundamento da
causalidade das causas intramundanas, isto é, ‘faz que estas façam’. E isto é o
que chamei a ‘fontanalidade’ divina [nota:
no problema da ‘religação’], expressão, em certo modo mundanal, de sua
constitutiva transcendência. Deus não evolui, mas nada evoluiria se Deus não
lhe fizesse estar em evolução”.
Vía Láctea

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