7.9.18

Zubiri sobre a Física contemporânea e a existência de Deus


Artigo “Transcendencia y Física”, publicado na Gran Enciclopeia del Mundo, Bilbao, 1964, vol. 18, cols. 419-424, e posteriormente recolhido como apêndice em: ZUBIRI, Xavier. Acerca del Mundo (1960). Madrid: Alianza Editorial, 2010, pp. 249-258.

Traduzido por mim para esta publicação, por se tratar da “via cósmica” zubiriana para se chegar a Deus, distinta da “via da religação” e análoga às “cinco vias” tomistas. Trata-se de um argumento muito mais potente que o do “Design inteligente” (ainda que menos interessante “existencialmente” que a doutrina da “religação”), e que merece ser melhor divulgado. Não sei se os dados científicos empíricos estão todos atualizados, mas a análise metafísica certamente conserva sua verdade inalterada.

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“Esta expressão [Transcendência e Física] designa o problema de averiguar se a imagem que do universo físico se forma a ciência atual reclama ou conduz a admitir a existência da realidade própria em e por si mesma, distinta realmente do universo e sem a qual este não poderia existir nem ser o que é.

O ‘físico’, no sentido da ciência atual, é exclusivamente o inanimado: ficam fora da física os seres vivos e o homem. Em contrapartida, o físico abarca hoje um âmbito estritamente universal. Até há poucos anos, a física descobria leis válidas tão somente para a Terra. No máximo, havia ampliado as leis mecânicas terrestres, e constituído com Newton uma mecânica celeste, que apesar de seu nome só compreendia o sistema solar. Hoje, a nova astronomia, de caráter fundamentalmente astrofísico, não só estendeu toda a física ao universo material inteiro, senão que nos fez ver que nosso próprio mundo terrestre, em todas as suas estruturas e processos físicos, está pendendo constitutivamente dos processos e das estruturas materiais e até geométricas do universo inteiro. Daí que o físico seja identicamente o cósmico.

Recordemos rapidamente a imagem que deste universo físico se formou a ciência atual. O universo é um sistema de realidades da mais diversa índole. Compreende sobretudo os astros e seus distintos agrupamentos (estrelas múltiplas, associações, cúmulos, etc.), mas também o gás e o pó interestelares. Sua unidade física possui uma configuração chamada galáxia. Por sua vez, as galáxias ou bem se encontram dispersas no espaço ou bem, mais geralmente, constituem sistemas ou configurações físicas supragalácticas ou, quando menos, essas outras configurações chamadas cúmulos de galáxias. O univeso inteiro até hoje conhecido se estende a uma distância de uns cinco a seis bilhões de anos luz [em sua separata do artigo, Zubiri riscou “cinco a seis” e escreveu “quinze”].

Este universo cósmico possui duas características fundamentais para a ciência atual. É, em primeiro lugar, um sistema evolutivo. As galáxias são massas gasosas em configuração de turbulência. Em sua virtude foram se fragmentando em concentrações locais que por contração começaram a brilhar em forma de estrelas. Não se formaram de uma vez, senão que se vão formando constante mas paulatinamente, à custa do gás da galáxia. É um fenômeno que quase se comprova ante nossos próprios olhos, e que permite falar com rigor de distintas populações estelares, e de estrelas de distinta idade e até de geração distinta. Com isso se iniciam dois processos essenciais. Um, o próprio processo da galáxia. À medida que o gás se vai consumindo, vai mudando a configuração daquela: de irregular passa a espiral e desta a elíptica. Outro, o processo de cada estrela; começa a brilhar como um astro da sequência principal, inicia então uma série de reações nucleares de processos convectivos que lhe fazem passar à condição de gigante, e desta por sua vez a configurações distintas (pulsantes ou não pulsantes), para terminar por contração ou explosão (supernova) na configuração de anã branca. Com a explosão joga no espaço sua matéria em forma de pó, com o qual se pode iniciar uma segunda geração de estrelas de distinta composição química que as primeiras. Este duplo processo está pendente, pois, de dois fatores: 1º As leis estruturais da matéria (incluindo nela a energia): leis gravitatórias, leis das partículas elementares, leis eletromagnéticas e leis termodinâmicas. 2º Uma configuração. Cada configuração procede da anterior, tendo em conta o jogo das leis estruturais da matéria contida nela. Esta configuração é inicialmente uma turbulência hidromagnética, e as leis termodinâmicas de caráter probabilista impõem à concatenação das configurações uma direção temporal irreversível desde a máxima desordem à máxima ordem. Este é um fator essencial. Umas mesmas estruturas podem dar lugar a realidades físicas muito distintas segundo sejam as configurações em que se acham colocadas. As chamadas condições iniciais do problema, quando se trata de descrever um fenômeno com equações diferenciais ordinárias, e as condições no limite, quando se usam equações em derivadas parciais, são indiscutivelmente ‘configurações’. A coisa é ainda mais patente se nos referimos à probabilidade e à estatística em problemas termodinâmicos. Por isto me pareceu essencial destacar unitária e autonomamente o conceito geral estrito de configuração. Com estruturas em configurações é como a física atual explica e expõe o caráter evolutivo do universo.

Este universo tem um segundo caráter: é um sistema em expansão. O fenômeno descoberto por Hubble, do deslocamento das linhas espectrais para o vermelho, foi interpretado por quase todos os astrônomos como um verdadeiro efeito Doppler e, portanto, como testemunho de uma verdadeira expansão física do universo. Esta expansão é de velocidade proporcional à distância, segundo uma constante (diversamente estimada pelos demais). Só uma minoria interpreta o fenômeno do deslocamento para o vermelho como resultado de uma degradação energética dos fótons em sua trajetória cósmica (por exemplo, Zwicky) ou como uma espécie de ilusão devida à estrutura cliffordiana do espaço, etc. Aceitamos sem mais a expansão do universo, porque, ainda que não é imprescindível para nosso problema, o situa numa dimensão, a mais aceitável para a ciência atual.

Em definitivo, o universo é um sistema evolutivo em expansão. Como se interpreta fisicamente este fato? Para uma minoria de astrônomos (Jordan, Hoyle e sua escola), apesar da expansão, a densidade média do universo é constante, o qual exige que a expansão vá acompanhada da aparição de nova matéria, a um ritmo e quantidade fixos. À maioria dos astrônomos repugna esta ideia. E se se descarta, então se vê que a expansão faz variar a densidade do universo, e remete inexoravelmente a linha do tempo a um estádio inicial único do que partiu a expansão e com ela a evolução do universo inteiro. É um estádio definido por uma quantidade de energia e de partículas elementares (diferentes segundo as diversas concepções) em uma configuração de concentração enorme, dotado de grande instabilidade, tanto material como geométrica. Daí uma expansão que tem dois componentes: uma explosão material e muito provavelmente uma expansão do próprio espaço geométrico (Lemaître). Isto produz a cascata de configurações a que antes aludíamos. A velocidade de expansão do universo implica a constante de Hubble, muito diversamente estimada, segundo disse; mas hoje em dia sua estimação média nos levaria a coloca o estado inicial único em uma data da ordem dos sete aos dez bilhões de anos [em nota à margem do texto mecanografado anotou Zubiri posteriormente: ‘Olho, a data hoje é muito maior’]. Costuma-se dizer que, com isso, a Física atual demonstra ou, quando menos, postula o começo temporal do universo mesmo. Mas isto é uma ilusão. O único que a física faz é nos retrotrair, dos estados atuais do universo, a seu ‘estado inicial’ a respeito destes, haja tido ou não existência anterior a própria matéria; o único que a física dirá que seus possíveis estados anteriores em nada influem nem tê a ver com a origem do estado atual.

Isto suposto, o problema da transcendência surge inevitavelmente do próprio coração desta imagem científica do universo. Cada coisa intracósmica, com efeito, procede de outra: nenhuma repousa sobre si mesma. Pois bem, compete ao universo inteiro e enquanto tal esta condição, ou não será antes algo que, como totalidade, repousa sobre si mesmo? Entendo por ‘repousar em si mesmo’ não ter necessidade de nenhuma outra coisa, não só para ser como se é, senão, e sobretudo, para ter realidade. Na descrição que do universo que nos fez a ciência, estes dois momentos, ‘o que as coisas são’ e o fato de ‘ter realidade’, se encontram precisa e formalmente articulados. Nisso consiste justamente a evolução: graças a que umas coisas (galáxias, gás, pó, etc.) são reais, outras coisas (astros, etc.) têm realidade e são como são [nota: no fundo, é a distinção zubiriana entre de suyo e conteúdo (essencial) ou a distinção tomasiana entre esse e essência; os grifos foram meus]. Agora, isto significa que, tratando-se das realidades intracósmicas, ambos momentos não são idênticos; é o que expressamos dizendo que não repousam sobre si mesmas. Repousar sobre si mesmas, em contrapartida, não significa que o que a coisa é seja algo irredutível ao que é qualquer outra coisa, senão ser uma realidade que é real não só em si mesma [nota: como é qualquer ente substancial], senão por si mesma [como só Deus É], isto é, uma coisa que por sua própria índole não pode carecer de realidade, senão que está ‘definido’ por tê-la, que é essencialmente existente [nota: assim, ‘repousar sobre si mesma’ é ser a raiz da própria ‘subsistência’, e não só da ‘essência’]. Tal é o caso daquilo que buscamos, do fundamento do mundo. O universo como totalidade das coisas não é só o conjunto de coisas reais ou seu sistema físico, senão que é sobretudo a unidade das coisas reais fundada precisa e formalmente em seu caráter de realidade enquanto tal [nota: é a diferença zubiriana entre cosmos e mundo, respectitivade talitativa ou das coisas como ‘tais e respectividade da realidade como realidade]. Portanto, quando nos perguntamos pelo fundamento do universo ou se o universo repousa sobre si mesmo, não nos basta com um sistema de propriedades que fosse irredutíveis (e que neste sentido repousariam sobre si mesmas), senão que nos perguntamos pelo fato deste sistema último irredutível de propriedades, acerca de sua realidade, isto é, se este sistema é essencialmente existente.

Pois bem, o universo, tal como o concebe a ciência atual, não pode repousar sobre si mesmo, não é uma realidade essencialmente existente. E isto, qualquer que seja a imagem que da evolução expansiva se adote. Se há densidade uniforme e aparição constante de matéria, é impossível evitar a apelação a uma realidade ultracósmica; essa matéria não pode vir do nada. E o que mais repugna nesta concepção à maioria dos físicos não é precisamente esta apelação a uma realidade transcósmica, senão ao fato de que a marcha ‘física’ do universo exigiria sua intervenção especial, direta, como causa próxima única, em infinitos momentos distintos da evolução, coisa que não é impossível, naturalmente, mas que, naturalmente também, não parece admissível de fato mais do que se fosse inevitável. Sem entrar no debate, aceitemos pelo momento a outra hipótese, a evolução a partir de um estado inicial único. Então o que nos perguntamos é se este universo, que entre as causas próximas de sua marcha não conta com a intervenção direta e especial de causas transfísicas, repousa sobre si mesmo em virtude de sua própria estrutura, isto é, se o universo como totalidade é essencialmente existente. Pois bem, isto é impossível.

Com efeito, prescindamos – por razões de método – de que, tomada como explicação integral do universo, a imagem ‘científica’ do estado inicial único teria que conter não só estruturas materiais, senão também aquelas outras que em sua hora determinariam a aparição dos seres inteligentes [nota: ou seja, Zubiri está dizendo que a ‘matéria’, por si só, jamais poderia ‘evoluir’ até a inteligência]. Limitemo-nos, pois, às realidades puramente físicas. O estado inicial está constituído não só por estruturas submetidas a leis, senão também por uma determinada configuração. Cada estádio da evolução – já o vimos – envolve estes dois fatores essencialmente distintos. E se bem é verdade que, supostas umas estruturas em determinada configuração, está determinada também a configuração ulterior em que estarão as estruturas, não o é menos que, tratando-se do estado inicial, nos encontramos com uma dualidade radical entre estrutura e configuração; as estruturas jamais poderiam determinar por si mesmas sua própria configuração inicial. O qual significa que esse estado inicial não repousa sobre si mesmo, senão que sua unidade remete a algo de certo modo ortogonal ao plano desse estado, e que seja a raiz da que procedem as estruturas e a configuração em que se encontram envolvidas. Por baixo da processualidade evolvente das estruturas e das configurações, há uma processualidade radical, de índole completamente distinta à processualidade evolutiva física; uma processualidade que consiste em que o estado inicial emerja à realidade de uma raiz transfísica que o universo inteiro levaria em si mesmo. Empregando uma terminologia antiga mas expressiva, diremos que o universo não repousa sobre si mesmo, porque como natura naturata repousa sobre uma radical natura naturans. Chegamos, pois, pela via da evolução a partir de um estado inicial único à mesma conclusão a que leva imediatamente a concepção da aparição contínua de matéria.

Isto suposto, esta realidade transfísica é essencialmente existente? Então seria justamente a realidade transcendente, porque não seria homogênea com o estado inicial nem por seu conteúdo nem por seu caráter de realidade, pois, se fosse homogêneo, aquele presumido estado inicial já não seria inicial. Mas admitamos que esta realidade, ainda transfísica, não fosse essencialmente existente. Então, pela mesma razão haveria que apelar a outra realidade trans-trans-física. E nesta apelação não cabe um regresso indefinido. Porque não se trata de algo que em si mesmo seria perfeitamente possível, a saber, de que o universo físico seja o último elo de uma série indefinida de outras realidades transfísicas, dotadas de propriedades de outra ordem, senão do fato nu de ter ou não ter realidade. E nesta ordem não cabe um regresso ao infinito [nota: é a mesma estrutura metafísico-argumentativa da '1ª via' tomasiana ou também da '3ª', a partir de uma outra concepção do ‘físico’]. Porque ao nos perguntarmos fundadamente, como é nosso caso, pelo fundamento da realidade de algo, esta realidade fica em suspenso; a coisa é como se não fosse real. Admitir uma série indefinida de realidades que são como se não fossem não só não conduz a conferir realidade à ‘coisa’ que motivou a questão, senão que consiste em declará-la indefinidamente irreal, o qual é impossível, pois o universo existe. Por conseguinte é inexorável chegar a uma realidade essencialmente existente que mediata ou imediatamente seja o fundamento radical e originário do estado inicial da evolução expansiva ou da aparição constante de matéria [grifos meus]. Melhor que natura naturans eu a chamaria, chegados a este ponto, realitas mundificans [realidade ‘mundificante’ (sic), no sentido de ‘realidade que ‘realiza o mundo’, que ‘dá realidade ao mundo’; assim, Zubiri se afasta da expressão que, em Spinoza, tornou-se característica do panteísmo].

Mas ortogonal ao universo e como raiz sua, esta realidade essencialmente existente poderia ser tão só uma parte dele, sua parte radical, mas parte tão somente ao fim e ao cabo? É a tese de todos os panteísmos; em definitivo, a negação de toda verdadeira transcendência. O panteísmo teve formas muito diversas; citemos três. Uma, o panteísmo brahmânico que se refere mais propriamente à ordem da subsistência: o universo inteiro seria Deus, não por sua natureza, senão por sua subsistência [nota: é o que mais propriamente caracteriza o panenteísmo, ao qual corresponde também o “emanatismo” neoplatônico]. Ainda que metafisicamente possível – é o caso singular de Cristo [nota: por isto, a gnose perenialista, que não reconhece a Graça e a Predestinação singular do Homem-Deus é um claro e crasso erro para quem é cristão]–, sem embargo, em todos os demais casos é falso de fato. E em definitivo não diz respeito a nosso problema que é de ordem puramente física. O panteísmo grego (segundo o qual o que chamei realidade mundificante seria a alma do mundo) e os panteísmos modernos (seja na forma substância único com dois modos, de Spinoza, seja na forma transcendental do idealismo pós-kantiano) são insustentáveis porque uma realidade essencialmente existente, ainda que raiz de uma natura naturata, não pode estar em si mesma incursa na evolução que produz, porque toda realidade evolvente contém de uma ou outra forma um momento de não-ser e, portanto, já não é uma realidade essencialmente existente. A evolução não é possível mais que em realidades cuja índole interna ‘não’ tem ainda realidade plena. Mas tratando-se de uma realidade essencialmente existente, esta existência lhe vem de ou se funda na própria plenitude, uma plenitude que é a que traz consigo o ter realidade. Portanto, a realidade mundificante, como essencialmente existente que é, é certamente raiz do mundo e de sua evolução, mas não é uma parte nem física nem metafísica dele, senão uma realidade própria em e por si mesma, distinta do mundo radicado e fundado nela. Por isto é que dizemos que é uma realidade transcendente. E a esta realidade é a que em primeira aproximação chamamos Deus (pois para que o fosse plenamente, como o é em verdade, faria falta justificar seu caráter pessoal e livre, o qual excede os limites deste artigo) [nota: perceba-se como a argumentação termina com o ‘a isto chamamos Deus’ das vias tomasianas; os grifos são meus].

Com isso podemos precisar a índole desta transcendência que a física reclama, não apesar da evolução, mas justamente ao contrário, para fazê-la possível: é o caráter de uma realidade transfísica que, fundamento da evolução do universo, não está afetada por ela, senão que é uma realidade por si mesma distinta do universo [nota: ao invés de ‘evolução’, poder-se-ia falar de ‘movimento’ ou ‘devir’]. A transcendência não significa que Deus seja estranho ao universo: foi a falsa visão de todos os gnosticismos que simbólica e miticamente chamaram a Deus ‘o grande ausente, o grande estrangeiro’ do universo [nota: há uma ressonância disto também no equívoco de uma visão religiosa que vê a Deus como o ‘Totalmente Outro’]. Tampouco significa separação; Aristóteles concebeu a Deus como substância separada (χωριοτόν). A transcendência significa todo o contrário; presença de Deus no mundo, mas inserção deste em Deus [nota: Deus está no mundo, mas não como ‘parte’ deste, e o mundo está em Deus como ‘fundado’ nEle, mas não como 'essência' manifesta de um 'Deus imanifesto']. De sorte que se bem é certo que Deus e o mundo não são ‘um’, tampouco são ‘duas’ realidades justapostas e adicionáveis. Transcendência significa que Deus é o fundamento causal direto da matéria ou de um estado inicial, do qual não se desentende, mas no qual não intervém forçosamente como causa próxima, senão que é só fundamento da causalidade das causas intramundanas, isto é, ‘faz que estas façam’. E isto é o que chamei a ‘fontanalidade’ divina [nota: no problema da ‘religação’], expressão, em certo modo mundanal, de sua constitutiva transcendência. Deus não evolui, mas nada evoluiria se Deus não lhe fizesse estar em evolução”.




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