Esta tabela correlaciona as categorias aristotélicas e os sentidos, seguindo os "modos de apresentação da realidade" de Xavier Zubiri. Penso que tais modos me ajudaram a encontrar a verdadeira raiz das categorias do entendimento/da realidade, que nada têm a ver com a teoria arbitrária de Kant.
Indico ainda como os afetos (paixões, emoções e sentimentos espirituais) os seguem. Evidentemente, o cânon dos afetos que aqui estabeleço -e que é mais compreensivo que os estudos clássicos sobre as "paixões"- não está fechado, e pode ser que caiba alguma correção ou modificação.
Indico ainda como os afetos (paixões, emoções e sentimentos espirituais) os seguem. Evidentemente, o cânon dos afetos que aqui estabeleço -e que é mais compreensivo que os estudos clássicos sobre as "paixões"- não está fechado, e pode ser que caiba alguma correção ou modificação.
As virtudes e os vícios, que são disposições ou estados habituais da alma, nascem, por sua vez, a partir da repetição de atos que se apoiam em e reforçam "bons" ou "maus" sentimentos. Ex.: "Sinto-me encorajado" → realizo um ato corajoso → enraízo a coragem na memória/coração/fundo da alma.
Sentidos (fisiologia e psicologia atuais)
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Modos de apresentação da realidade (Zubiri)
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Afetos sensíveis e estados sentimentais correspondentes
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Categorias do pensamento e da realidade (Aristóteles)
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Visão
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Forma
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Admiração (amor) e aversão (ódio), assombro (maravilha) e pavor
(terror)
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Substância
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Audição
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Notícia
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Confiança e perplexidade, saudade e resignação, tranquilidade e medo
(temor), surpresa e desencanto, distração e preocupação, indignação e
passividade, curiosidade e alheamento
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Relação
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Gosto
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Fruível
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Alegria (gozo ou fruição) e
frustração (dissabor), simpatia (amizade, concórdia) e inveja (azedume e amargura)
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Qualidade
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Olfato
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Rastro
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Desejo (aspiração) e nojo (fuga), inspiração e desalento (prostração),
intrepidez e covardia (tremor), aflição e alívio, elevação (“moral alta”) e
enfado (“chateação”)
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Situação
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Tato (contato-pressão)
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Nua realidade
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Leveza e pesar, timidez (acanhamento) e ousadia (“liberdade”), vergonha
(arrependimento) e remorso (culpa, “remordimento”), pressão e segurança
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Quantidade
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Prazer e dor
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Afetante
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Deleite e tristeza (melancolia), complacência
(dileção) e compaixão (piedade), mágoa (a mágoa não é “ressentimento”*; o
magoado quer justiça, isto é, que o ofensor se desculpe) e misericórdia (diante
do arrependimento do ofensor), êxtase e agonia
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Paixão
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Calor e frio
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Temperante
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Entusiasmo (“ardor”) e indiferença (“frieza”), serenidade (“cabeça
fria”) e irritação (“cabeça quente”), constrangimento (“rubor”) e apreensão
(sentir-se “numa fria”), acolhida e secura
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Ação
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Orientação (sensibilidade labiríntica)
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Orientada/Centrada
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Paz e inquietude, (boa) disposição e confusão, concentração e
dispersão, comodidade e incômodo, coragem (firmeza) e desamparo
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Lugar
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Cenestesia (sensibilidade visceral)
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“Mim” (minha realidade)
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Humildade e vaidade, veneração (reverência, “ter em grande conta”, no
caso de Deus, adoração) e desprezo, gratidão e orgulho, generosidade e apego,
zelo como ciúme (apego) e zelo como carinho (cuidado), ansiedade e tédio
(fastio)
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Ter
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Cinestesia (sensibilidade articular e muscular)
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“Em direção”, movimento
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Esperança e angústia, tensão e relaxamento, prontidão e desânimo
(fraqueza), ira (movimento agressivo) e ressentimento* (é o “contrário da
ira”, não visto pelos clássicos, mas por Nietzsche: é “guardar a ira no tempo”
para exercer a vingança, e isto é envenenar a alma)
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Tempo
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"Psyche", de Albert-Ernest Carrieur-Belleuse

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