27.7.21

A "Igreja mista"

 

A interpretação corretiva que S. Agostinho faz da tese do “corpo bipartido do Senhor”, do donatista Ticônio, é a melhor explicação para a situação da Igreja neste período conciliar. Trata-se da tese da “Igreja mista”, que não fere a visibilidade e a indefectibilidade da Igreja, não cai no erro luterano.

 

Trago aqui o texto de A doutrina cristã, um comentário de Ratzinger a respeito em O novo Povo de Deus, e um trecho de uma homilia de S. Agostinho sobre o Apocalipse que incide no mesmo tema; ademais, trechos do capítulo do livro O fim dos tempos do Pe. Alfredo Sáenz, que comenta a visão do Pe. Leonardo Castellani que corrobora a tese agostiniana, além de trechos do próprio Castellani a respeito, de seu livro El Apocalypsis de San Juan, que explicitam a questão da Mulher e da Prostituta.

 

Atenção!

 

* * *

 

“Segunda regra: ‘O Corpo bipartido do Senhor’

 

45. A segunda regra é: ‘O Corpo do Senhor dividido em duas partes’. Na verdade, Ticônio não deveria ter empregado essa fórmula, pois não é Corpo do Senhor o que não haverá de estar com ele para sempre na eternidade. Mas deveria ter dito: ‘O Corpo do Senhor verdadeiro e o misto’. Ou então: ‘O Corpo do Senhor verdadeiro e o simulado’. Ou outra expressão parecida. Pois não se pode dizer que os hipócritas estarão com ele eternamente, e nem que estejam com ele agora, parecendo estar em sua Igreja. Por isso, essa regra poderia, de preferência, ser intitulada: ‘A Igreja mista’.

 

Essa segunda regra exige leitor atento, já que a Escritura, quando fala a uma parte da Igreja, parece dirigir-lhe palavras que ela dirige a outra; ou bem, passa da primeira à segunda porção enquanto se dirige ainda à primeira, como se ambas as partes constituíssem um só corpo, devido à sua mistura aqui na terra e à sua comum participação dos mesmos sacramentos.

 

A isso se aplica o versículo do Cântico dos cânticos: ‘Sou morena mas formosa, como as tendas de Cedar e os pavilhões de Salomão’ (Ct 1,5). O texto não diz: ‘Eu era morena como as tendas de Cedar, e formosa como os pavilhões de Salomão’. Mas ele une os dois epítetos causa da unidade que, no tempo, constituem os peixes bons e maus dentro de uma só rede (Mt 13,48). As tendas de Cedar, com efeito, designam Ismael que não partilhará a herança com o filho da mulher livre (Gn 21,10; Gl 4,30). É porque quando Deus diz a respeito da boa porção da Igreja: ‘Guiarei os cegos por um caminho que eles não conhecem e fá-los-ei andar por veredas que ignoram; mudarei diante deles as trevas em luz e os caminhos tortuosos em direitos; farei isto em favor deles e não os desampararei’ (Is 42,16.17). Deus apressa-se em acrescentar a respeito da porção má, misturada à boa: ‘Esses voltarão para trás’ (id., ibid.), designando já por essas palavras quais os bons. Mas como as duas porções fazem um só enquanto na terra, parece ser dito para a segunda o que se dizia para a primeira. Contudo, não ficarão para sempre misturados. O mau servidor mencionado no evangelho é a prova formal: ‘Quando seu Senhor vier, ele o separará da porção dos bons e o porá na porção dos hipócritas’ (Mt 24,51)”. 

[Santo Agostinho. Patrística - A doutrina cristã - Vol. 17 (pp. 137-138). Paulus Editora. Edição do Kindle]

 

* * *

 

Comentário de Ratzinger sobre Ticônio e Agostinho:

 

“Agostinho sustentou – e nisto diverge de Ticônio – que os maus jamais estão unidos ao Cristo e que jamais fazem parte da Igreja. Isto porque a Igreja é somente de Cristo e não também do anticristo. A Igreja é uma só e não há nela duas partes que a dividam. Os maus, na verdade, não fazem parte da Igreja. Eles apenas parecem pertencer a ela. Esta distinção feita entre verdade e aparência já fora feita na ontologia neoplatônica. Para Ticônio, ela resta desconhecida, mas em Agostinho ela salva a unidade do conceito de Igreja e apresenta uma solução para o problema da Igreja dos pecadores, que é inteiramente diversa daquela que Ticônio quisera ver.

 

Temos, pois, agora uma ideia mais precisa sobre o problema que nos propusemos analisar, isto é, entendemos melhor agora o que Ticônio pensava a respeito de sua própria justificação como homem extra communiones. É evidente que a salvação de Cristo, segundo essa visão de Ticônio, não está, em primeiro lugar, baseada nas instituições visíveis da Igreja. Mas, por outro lado, Ticônio diz explicitamente que o culto visível da Igreja tanto pode ser um culto prestado ao Cristo como também culto prestado ao demônio, dependendo sempre do espírito com que é feito.

 

Aqui se vê como vai crescendo a ideia de que é possível pertencer a uma Igreja puramente espiritual. Isto, aliás, é consequência lógica da teoria de Ticônio a respeito do corpus bipertitum. Justamente essa doutrina nega praticamente toda validade e toda eficiência da instituição eclesiástica externa. Podemos tentar explicar algo mais. Ticônio ensina que os justos alcançaram a sua salvação não por meio da lei e sim pelos caminhos contrários à lei. Alcançaram salvação mediante a ruptura com a lei e porque foram contra a ostentação da Igreja do seu tempo. Ticônio vê perfeitamente que a dialética de lex e gratia ainda continua no Novo Testamento. Se houve outra pessoa que defendesse essa ideia, não podemos afirmar”. 

[RATZINGER, Joseph. O novo Povo de Deus. São Paulo: Molokai, 2017, pp. 34-35]

 

* * *

 

Das homilias de S. Agostinho sobre o Apocalipse:

 

“1. Na lição recitada ouvimos que naquela hora sobreveio um grande tremor de terra.

 

Nele reconhece-se a perseguição que o diabo costuma levantar, servindo-se dos homens maus.

 

E a décima parte da cidade caiu, e foram mortos no tremor de terra sete mil homens. O número dez e o número sete são números exatos. Se assim não fosse devia tomar-se o todo pela parte.

 

2. Há na Igreja dois edifícios, um construído sobre a pedra, outro construído sobre a areia. O que está construído sobre a areia diz-se que caiu.

 

E os restantes (foram tomados de terror e) deram glória a Deus.

 

Deram glória a Deus os que estavam edificados sobre a pedra, e não foi possível caírem com os que estavam edificados sobre a areia. Contudo disse: Foram tomados de terror, porque o justo, ao notar a ruína do pecador, mais se afervora na observância dos preceitos, segundo o que se diz: Lavará as mãos no sangue do pecador (Salmo LXXXVII, II)”. 

[SANTO AGOSTINHO. Apocalipse de S. João comentado: Vitória final de Cristo. Coimbra: Gráfica de Coimbra, 1960, p. 161]

 

* * *

 

Pe. Alfredo Sáenz sobre a exegese do Pe. Castellani sobre o Apocalipse:

 

“Com o advento do Protestantismo se produziu uma estranha variação na exegese do Anticristo. Lutero aplicou a terrível etiqueta esjatológica ao Papado, acreditando ver no Papa a Grande Meretriz de que fala o Apocalipse. Isto sobre a base de que a Igreja pode corromper-se, e de fato se corromperá nos últimos dias, tese muito delicada, e que deve entender-se com cautela em atenção à indefectibilidade que Cristo lhe prometeu, o que não fez Lutero, interpretando, por isso, dita tese de forma herética”. [SÁENZ, Alfredo. O fim dos tempos e sete autores modernos. Carta de Apresentação do Cardeal Ratzinger. Rio de Janeiro: CDB, 2019, p. 393]

 

Alguns autores têm pensado que o katéjon seria a mesma Igreja, cuja presença constituiria o último obstáculo para a manifestação do Anticristo. Assim opina São Justino, o primeiro comentador do Apocalipse, segundo o qual ‘Ecclesia de médio fiet’, a Igreja será retirada do meio. A interpretação é um tanto ousada. É claro que não se pode entender como se se tratasse de uma extinção da mesma Igreja, mas tão somente de uma grave decadência. Sua estrutura temporal será arrasada; ‘fornicará com os reis da terra’ (Ap 17,2), ao menos uma parte ostensiva dela, e a abominação da desolação entrará no lugar santo: ‘Quanto vejas a desolação abominável entrar onde não deve, então já é’ (Mt 24, 15). Também São Vitorino aplicou o katéjon à Igreja – ‘a Igreja será retirada’, diz –, mas no sentido de que voltará à obscuridade, às catacumbas, perdendo todo o influxo na ordem social.

 

Em sua novela João XXIII (XXIV) escreve [o Pe. Leonardo] Castellani que ‘Igreja’ se diz em três sentidos: ‘Há a Igreja que é o projeto de Deus e o ideal do homem, e se inicia no céu, a ‘Esposa’, a qual São Paulo chama ‘sem mancha’, uma; há a Igreja terrena, onde está o trigo e o joio misturados para sempre [sic] [nota: creio que se deve entender ‘até o fim dos tempos’], mas se pode chamar ‘santa’ por sua união com a de cima pela graça, duas; e há a Igreja que vê o mundo, ‘o Vaticano’, que trata com o mundo; que está talvez mais unida com o mundo que outra coisa, e que desacredita o todo’”. [Ibid., pp. 397-7]

 

“Em realidade o Anticristo não se apresentará como um personagem sinistro, a perversidade encarnada. Será, por certo, demoníaco, mas não parecerá tal, ao contrário, fará ostentação de humanitarismo e de humanismo; se fingirá virtuoso, ainda que de fato seja cruel, soberbo e mentiroso [...] Porque o Anticristo não se contentará em negar o Cristo como Deus e Redentor, mas se erigirá em seu lugar, qual verdadeiro Salvador da humanidade. Tratará inclusive de se parecer a Cristo o mais que possa. Será o ‘símio de Deus’, o macaco de Cristo. Encarnará a hipocrisia substancial dos fariseus do século I, que não só eram tidos como santos, mas cridos por si mesmos como tais. Juntará presumidas ‘virtudes’ e um imenso orgulho”. [Ibid., pp. 399]

 

“Como pensa nosso autor [Pe. Castellani], o principal trabalho a ser levado a cabo por esta Segunda Besta [o Falso Profeta] será a adulteração da religião. As Duas Bestas representam assim o poder político, a primeira, e o instinto religioso do homem, a segunda, ambos voltados contra Deus. Afirma-o de maneira terminante: ‘Quando a estrutura temporal da Igreja perca a efusão do Espírito e a religião adulterada se converta na Grande Meretriz, então aparecerá o Homem de Pecado e o Falso Profeta, um Rei do Universo que será ao mesmo tempo como um Sumo Pontífice do Orbe, ou então terá à suas ordens um falso Pontífice, chamado nas profecias o ‘Pseudo-profeta’. Não que a Igreja perderá a fé, mas se verá gravemente afetada. Todas as energias do demônio estarão concentradas em perverter o que é especificamente religioso. Não lhe interessará matar, mas ‘corromper, envenenar, falsificar’”. [Ibid., pp. 408-9]

 

“[...] Castellani se esmera por deixar claro que a corrupção da Igreja não será total. A isso tenderá sem dúvida a intenção do Pseudoprofeta. Logrará, sim, que o Átrio e as Naves sejam infringidos. Mas o Tabernáculo ou Sanctorum será preservado.

 

Como se concretizará esta adulteração do cristianismo? Da maneira que antes assinalamos, ou seja, consentido a Igreja, ela também – em seu setor adúltero, entenda-se –, às três tentações do deserto que em seu momento Cristo soube rejeitar. Uma Igreja afundada no temporal, polarizada nisso, na aquisição dos bens terrenos, na distribuição abundante de pão. Eis aqui a primeira tentação. Uma Igreja em busca de renome, que emprega seus poderes religiosos para alcançar prestígio e ascendência, que substitui a contemplação pela agitação burocrática. Tal a segunda tentação. E a terceira: uma Igreja ao serviço dos que são poderosos, buscando o reino deste mundo, com os meios mais eficazes, que são hoje os satânicos. A acusação de Dostoiévski acerta, agora sim, no alvo.

 

A este ‘naturalismo religioso’ ou ‘aloguismo’ Castellani o sintetiza assim: ‘É o ideal do Acréscimo antes do Reino, ou o Acréscimo sem o Reino, o Reino Milenário desde já e sem Cristo, quer dizer, o cristianismo expurgado da cruz de Cristo e de sua Segunda vinda’.

 

A parte corrupta da Igreja posta a serviço do Anticristo. Eis aí o grande logro da Primeira Besta. O pseudoprofeta será o que ‘atue’, isto é, ‘ritualize’ o projeto do Anticristo, o que leva a cabo sua ‘propaganda sacerdotal’ [...]

 

[...] Bem escreve Castellani: ‘O mundo quer unir-se e atualmente não o pode conseguir senão em uma religião falsa. Ou bem as nações se desdobram em si mesmas em nacionalismos hostis, ou bem se reúnem nefastamente sob a bandeira de uma religião nova, um cristianismo falsificado; o qual naturalmente odiará à morte o autêntico. Só a religião pode criar vínculos supranacionais’. A unificação do mundo se realizará pelo terror e pela mentira, pelo terror político  e pela mentira da falsa religião, ou de um cristianismo falsificado”. [Ibid., pp. 413-4]

 

* * *

 

“Las Dos Mujeres del Apokalypsis representan la religión en sus dos polos extremos, la religión corrompida y la religión fiel, la Forneguera sobre la Bestia roja y la Parturienta vestida del sol de la Fe, pisando la luna del mundo mudable, y coronada de la venticuatral diadema estelar patriarcal y apostólica.

 

Estos dos aspectos de la religión son perfectamente distinguibles para Dios, pero no siempre para nosotros. La cizaña se parece al trigo y no será separada hasta la Siega. [...]

 

Debemos apañamos del mal, pero no podemos juzgar al malhechor. El juicio pertenece a Dios.

 

Una prostituida no se distingue ni en la naturaleza ni en la forma de una mujer honesta. Sigue siendo mujer, no se vuelve bestia. Está sentada sobre la bestia.

Eso es lo que significa también el Pseudo-profeta de la Visión Oncena. Está al servicio del Anticristo, pero se parece al Cristo. ‘Hablaba como el Dragón, pero tenía dos cuernos semejantes al Cordero’.

 

Cuando vino Cristo eran tiempos confusos y tristes. La religión estaba pervertida en sus jefes y consecuentemente en parte del pueblo. ‘Haced todo lo que os dijeren pero no hagáis conforme a sus obras”. Cristo no abandonó la Sinagoga por eso, sino que se hizo matar por purificarla. De su corazón abierto nació la Iglesia, que primordialmente fue judía.

 

Cuando Cristo vuelva la situación será parecida. Solamente el fariseísmo, el pecado contra el Espíritu Santo, es capaz de producir esa magna apostasía que Él predijo: ‘la mayor tribulación desde el Diluvio acá’, será producida por la peor corrupción, la corrupción de lo óptimo. El dolor sólo remediable por Dios en persona es el producido por la corrupción irremediable, ‘la sal que pierde su salinez’.

 

Por eso San Juan vio en la frente de la Ramera la palabra misterio, y dice que se asombró sobremanera, y el Ángel le dice: ‘Ven, y te explicaré el misterio de la Bestia’. Es el Misterio de Iniquidad, la ‘abominación de la desolación’; la parte camal de la Iglesia ocultando, adulterando y aun persiguiendo la verdad. Sinagoga Satanae.

 

Por eso la parte fiel de la Iglesia padecerá entonces ‘dolores como de parto’, y el Dragón estará a punto de tragar a su hijo, que sólo se salvará por milagro, y ella se salvará solamente huyendo a la soledad con dos alas de águila, y aun allí la perseguirá la riada de agua sucia y torrentosa que el Dragón lanzará contra ella... la nueva Esposa pura y sin mácula, inmaculadamente concebida de nuevo.

 

La Esposa comete adulterio... cuando su legítimo Señor y Esposo Cristo no es ya su alma y su todo; cuando los gozos de su casa no son ya toda su vida; cuando codicia lo transitorio del mundo en sus diversas manifestaciones; cuando mira sus grandezas, riquezas y honores con ojos golosos; cuando -como Israel un día- busca la alianza de un poder terreno contra la amenaza de otro poder terreno, cuando los teme demasiado; cuando reconoce al mundo como una realidad ‘muy ponderable’ y lo mira como una potencia cuya ira procura evitar a cualquier costo, cuyo agrado y benevolencia solicita, con cuya ‘sabidría’, educación, ciencia, cultura, política, diplomacia está encantada [...]

 

[Nota: não é teologicamente exato dizer que a “Esposa” comete adultério, mas é a parte infiel do Corpo Místico de Cristo que comete; tampouco ela é “concebida de novo”, senão que o Corpo Místico de Cristo, volta a ser fiel, íntegro, conforme a Alma Esposa, isto é, os infiéis são afastados; penso que se deve entender a intenção didática da explicação de Castellani, até porque ele adiante afirma que o Magistério infalível da Igreja brilhará; toda esta crise final terrível não implica a defectibilidade da Igreja, nem perverte o ensinamento ex cathedra]

 

‘Fornicación’ llaman los profetas a la idolatría. ‘Fornicar con los ídolos’ significa poner los ídolos en lugar de Dios, el legítimo esposo de nuestras mentes. ‘Fornicar con los reyes de la tierra’ significa poner a los poderes de este mundo en el lugar de Dios.

 

Primero se fornica con el corazón desfalleciendo en la fe; después en los hechos, faltando a la caridad.

 

El error fundamental de nuestra práctica actual -y aun de la teoría a veces- es que amalgamamos el Reino y el Mundo, lo cual es exactamente lo que la Biblia llama ‘prostitución’ [...]

 

Dios mantendrá sus promesas acerca de la infalibilidad de la doctrina en el Magisterio Supremo; aun cuando todo parezca anochecido, brillará esa luz.

 

En los últimos días, el residuo de cristianos fieles y su jefe serán visibles. ¡Y tanto! Serán explosivamente visibles, a causa mismo de la furiosa persecución contra ellos; aunque no serán visibles para los perseguidores, que estarán -conforme está dicho a la Iglesia de Laodicea- ‘ciegos’”.

 

[CASTELLANI, Leonardo. "Las Dos Mujeres”, Capítulo I del Cuaderno III de Los Papeles de Benjamín Benavides. Apud Id., El Apocalypsis de San Juan. Buenos Aires: Vortice, 2005, pp. 209-11]


"A Prostituta do Apocalipse" (c. 1570), de Martial Courtois

Nenhum comentário: