17.12.19

Pe. Bernardo Bartmann sobre a não-infalibilidade das canonizações

Excerto de: BARTMANN, Bernard. Teologia Dogmática (vol. I): Revelação e fé - Deus - A Criação. 2a reimpressão. Tradução de Pe. Vicente Pedroso. São Paulo: Paulinas, 1964, pp. 69-70.


"As dificuldades a se resolverem são as seguintes: antes de tudo, não está absolutamente claro se a Igreja quer definir o fato de que o santo em questão tenha chegado à visão de Deus. Além disso, o juízo da Igreja poderia referir-se somente ao pequeno número dos santos canonizados pelo magistério, e não ao número daqueles que, antes da praxe da canonização solene, foram declarados santos pelos Bispos, pelas Ordens Religiosas, e pouco a pouco, foram geralmente aceitos, sem se terem rigorosamente examinado as razões em favor da sua santidade. Enfim - a principal dificuldade deve-se acrescentar que é impossível, sem uma revelação divina, chegar-se a uma certeza de fé sobre o estado de graça de uma alma. Acrescente-se que a Igreja, depois da morte dos Apóstolos, não recebe mais nenhuma revelação pública. Certamente, na revelação, encerrada com os Apóstolos, encontramos a promessa geral da vida eterna para os eleitos; não é porém, atribuída de modo definitivo a nenhuma pessoa particular honrada como santa pela Igreja. A predestinação é um mistério imperscrutável. A Igreja, nas indagações sobre a vida dos santos, baseia-se não sobre testemunho divino, mas tão somente sobre informações humanas e elementos naturais que podem sempre ser subjetivos. Deus pode testemunhar em prol dos santos por meio de milagres. Mas também estes como a própria canonização, não têm relação íntima e direta com as verdades reveladas. Acrescente-se que estes milagres só podem ser reconhecidos por quem neles creem, mas essa fé não é obrigatória. A velha controvérsia se é possível provar um dogma com um milagre que é notório na Igreja, foi resolvida negativamente. É bem difícil confutar tais argumentos, quando seriamente examinados. Quando Eusébio Amort escreve que ‘dubietas revelationis tollatur per indubitata miracula’ afasta-se da noção estrita de revelação.

Portanto, aqui não se deveria falar da mais alta certeza dogmática. Assim pensa também Scheid que, tratando da infalibilidade do Papa na canonização dos santos, escreve: ‘A dificuldade do problema está em se encontrar uma prova verdadeiramente satisfatória desta infalibilidade, cuja existência se afirma. A canonização toca o extremo limite das decisões infalíveis. Não é por isso fácil estabelecer-se, de modo claro e probativo, que ela, em toda a sua extensão, entre também no âmbito da infalibilidade da Igreja’. O mais das vezes, com Melquior Cano, foge-se aos argumentos particulares e peremptórios para se basear no ‘feixe de argumentos’ como se o número pudesse, de algum modo, suprir a fragilidade de cada argumento. Scheid mesmo procurava mostrar que a Igreja pretende obrigar todos os fiéis a crer na canonização. De certo, seria mais segura uma declaração da Igreja que afirmasse ser essa sua vontade.

Contudo, o juízo da Igreja sobre a santidade de uma pessoa merece, sem dúvida, grande consideração, seja por motivo da sua autoridade infalível, seja pela severidade e rigor com que examina os títulos para a canonização. Em todo caso, os atos da canonização só podem ser aceitos por fé geral eclesiástica e não por fé divina. O fiel não faz um ato de fé especial na canonização, mas nela crê, com um ato de fé geral, ato que aceita no seu complexo o culto da Igreja.

Se no número dos Santos encontramos algum ‘falso’ santo, como Barlaam e Josafat, o culto relativo que lhes é prestado vai a Deus. Como um rei pode ser honrado num pseudo-embaixador, assim Deus, num pseudo-santo”.


17.11.19

Pascendi Dominici Gregis de S. Pio X (resumo)

A encíclica tem 3 partes (mais a conclusão):

1ª) Exposição do sistema e sua divisão:
a) O modernista filósofo
b) O modernista crente
c) O modernista teólogo
d) O modernista historiador e crítico
e) O modernista apologeta
f) O modernista reformador
g) Crítica geral do sistema

2ª) As causas do modernismo

3ª)  Remédios




Introdução
  • Missão (“pastoral”) de apascentar o rebanho do Senhor guardando o depósito da Fé e repudiando “as novidades de uma ciência enganadora”.
  • Agentes do erro já não eram inimigos declarados, mas ocultos no seio da Igreja (sem sólido conhecimento de filosofia e teologia).
  • O termo “modernismo” → filosofia “moderna” → o que é?

O Modernista filósofo
  • Fundamento da filosofia religiosa dos modernistas é o agnosticismo: “a razão humana fica inteiramente reduzida à consideração dos fenômenos... nem tem ela direito nem aptidão para transpor estes limites... Não é dado à razão elevar-se a Deus”
  • Teologia natural = “intelectualismo”
  • O agnosticismo é a parte negativa; a positiva é a “imanência vital”: não há explicação para a “religião” fora do homem.
  • A Fé se baseia em um sentimento nascido da necessidade da divindade = “revelação”; toda religião = natural e sobrenatural.
  • “Incognoscível” → interpretação de um fenômeno (que transpõe seus limites), algum homem excepcional.
  • Transfiguração do fenômeno (suas condições são elevadas), depois desfiguração (atribui-se o que não tem realmente).
  • De Jesus, deve-se eliminar tudo de divino.
  • O sentimento religioso surge da subconsciência, é o gérmen de toda religião (inclusive a Católica); e se aperfeiçoa com o progresso da vida humana.
  • Não de trata do direito à ordem sobrenatural, mas da naturalização até do Catolicismo.
  • A inteligência sobrevém ao sentimento e elabora-o: dogmas → fórmulas simples → fórmulas secundárias (“facilitadoras”, símbolos, meras imagens da verdade).

O Modernista crente
  • Sentimento religioso: contato imediato com a própria realidade de Deus (experiência sentimental).
  • A doutrina da experiência mais a do simbolismo implica que toda religião seja verdadeira (“Catolicismo tem mais verdade”).
  • A tradição é uma comunicação da experiência original: pregação mediante a fórmula intelectual → despertar o sentimento religioso.
  • A fé é submissa à ciência: fora do sentimento religioso, tudo o mais não sai do campo dos fenômenos.

O Modernista teólogo
  • Conciliar a ciência e a fé, com primazia da ciência. O filósofo diz que o princípio da fé é imanente, o crente diz que esse princípio é Deus, e o teólogo conclui que Deus é imanente no homem: imanência teológica.
  • O filósofo diz que as representações da fé são puramente simbólicas, o crente diz que o objeto da fé é Deus em si mesmo, o teólogo conclui que as representações da realidade divina são simbólicas. As fórmulas são úteis para se unir com a verdade absoluta; devem ser respeitadas por motivos sociais, enquanto são expressão, pelo magistério, da consciência comum.
  • A ação divina é uma e a mesma com a ação da natureza, o que destrói a ordem natural (panteísmo).
  • Não se pode crer que a Igreja e os Sacramentos foram instituídos pelo próprio Cristo (A. Loisy). Todas as consciências cristãs estão virtualmente incluídas na consciência de Cristo; os cristãos vivem a vida de Cristo. Por isso, as Escrituras e os dogmas também são divinos.
  • Dogma: necessidade de elaborar o pensamento religioso → polir a fórmula primitiva, não em si mesma e racionalmente, mas segundo as circunstâncias → fórmulas secundárias, depois sintetizadas e reunidas num todo doutrinal pelo magistério público como a consciência comum (cf. Calderón sobre CVII).
  • Culto: impulso de dar à religião algo de sensível e do impulso de propagá-la (os atos santificantes/sacramentos são meros símbolos eficazes para despertar o sentimento religioso).
  • Livros sagrados: coleções de experiências extraordinárias. Inspiração: intensificação da necessidade de manifestar a própria fé (semelhante à inspiração poética: “Deus está entre nós” e “nos agita e inflama”).
  • Igreja: necessidade do que teve a experiência original de comunicar a própria fé, e da coletividade conservar e propagar o bem comum da fé (“parto da consciência coletiva”).  Hoje ela deveria ser democrática, se separar do Estado e se submeter a ele nas coisas temporais.
  • Magistério: serve para a unidade de consciência dos membros, com a unidade de fórmula que melhor corresponde à consciência comum; a crítica faz o dogma evoluir.
  • Evolução da fé: a forma primitiva da fé foi rudimentar e comum a todos os homens, progrediu por evolução vital, pela crescente penetração do sentimento religioso na consciência. Os gênios religiosos fazem a fé progredir.
  • O progresso do dogma nasce da necessidade de vencer os obstáculos da fé, derrotar os adversários. O divino em Cristo foi aumentando até que finalmente foi tido como Deus.
  • O culto evolui pela necessidade de se adaptar aos costumes e tradições dos povos e gozar de eficácia.
  • A evolução é o resultado de duas forças, uma progressiva e outra conservadora → a força conservadora é a tradição e seu  exercício é próprio da autoridade; a força progressiva corresponde às necessidades e oculta-se nas consciências individuais.

O Modernista historiador e crítico: Cristo da história x Cristo da fé

O Modernista apologeta: na religião, especialmente na católica, há tal energia vital que deve esconder algo incógnito; a religião católica é a mesma fundada por Cristo, mas ela contém erros. Admitem uma exigência do sobrenatural. E que se deve mostrar ao homem que não crê que ele tem latente o mesmo gérmen que esteve na consciência de Cristo.

O Modernista reformador: inovação da filosofia, excluindo a escolástica e só admitindo a moderna; para a teologia, a evolução do dogma; para a disciplina, a democracia e a não intromissão nas questões políticas e sociais, mas o “penetrá-las no seu espírito”; em moral, “americanismo”, virtudes ativas antepõem-se


Crítica geral do sistema
  • Síntese de todas as heresias
  • Agnosticismo: por parte da inteligência está fechado ao homem todo o caminho para Deus, o qual estará aberto por certo sentimento e a ação
  • “Sentimento” (analisado como “afeto” ou “paixão”)
  • Sem a inteligência, nunca se chegará ao conhecimento de Deus
  • “Simbolismo”: dúvida sobre a personalidade divina e entrada para o “panteísmo” (questão do “panenteísmo”); a imanência divina também se dirige ao panteísmo
  • “Incognoscível”: “alma universal do mundo”, ateísmo

As causas do Modernismo
  • Causa próxima e imediata: aberração do entendimento
  • Causas remotas: amor de novidades e orgulho
  • O homem corre atrás de novidades e se empenha em saber mais do que convém, e confiando demasiado em si, pensa que deve procurar a verdade fora da Igreja Católica
  • O orgulho tem muito maior força para arrastar ao erro os entendimentos: se gloriam de ser os únicos que possuem o saber, repelem toda sujeição, e afirmam que a autoridade deve aliar-se com a liberdade; pensam unicamente em reformar os outros
  • Ignorância da Escolástica, carecendo de meios convenientes para reconhecerem a confusão das ideias e refutar os sofismas

Remédios
  • Filosofia escolástica, sobretudo Tomás
  • Escolha dos diretores e professores dos seminários e das Universidades católicas
  • Não ler e proibir seus livros e impedir a impressão
  • Não permitir congressos de sacerdotes

11.10.19

D. Athanasius Schneider sobre a questão de um papa herege

Muito esclarecedor artigo diante da hipótese ou da existência concreta de erros no magistério de um sucessor de S. Pedro; mediania superior à "papolatria" (sic) que julga que o papa é infalível em tudo ou absolutamente incriticável, e ao sedevacantismo, que assume a prerrogativa de julgar canonicamente o papa reinante (nenhum profeta destronou algum rei de Israel ímpio, nem Nosso Senhor, em sua carne mortal, fulminou Caifás ou Herodes).

* * *
Não há nenhum caso histórico de perda de um pontificado por um papa durante seu mandato devido à heresia ou suposta heresia. O Papa Honório I (625-638) foi excomungado postumamente por três concílios ecumênicos (o Terceiro Concílio de Constantinopla de 681, o Segundo Concílio de Nicéia de 787 e o Quarto Concílio de Constantinopla de 870) porque apoiou a doutrina herética daqueles que promoveram o Monotelismo, contribuindo assim para espalhar esta heresia. Na carta com a qual ele confirmou os decretos do Terceiro Concílio de Constantinopla, o Papa São Leão II (682-683) lançou o anátema sobre o Papa Honório (” anathematizamus Honorium”), afirmando que seu predecessor “não esclareceu esta Igreja apostólica com a doutrina da tradição apostólica, mas procurou subverter a fé imaculada com uma traição ímpia” (Denzinger-Schönmetzer, 563).
O Liber Diurnus Romanorum Pontificum, uma coleção heterogênea de formas usadas na chancelaria papal até o século 11, contém o texto do juramento papal, segundo o qual todo novo papa, ao tomar posse, tinha que jurar que “reconhece o Sexto Concílio Ecumênico que golpeou com eterno anátema os criadores da heresia (monotelita), Sérgio, Pirro etc., juntamente com Honório” (PL 105, 40-44).
Em alguns Breviários até o século XVI e XVIII, o Papa Honório foi mencionado como  herege nas lições das Matinas do 28 de junho, festa de São Leão II: “In synodo Constantinopolitano condemnati sunt Sergius, Ciro, Honório, Pirro, Paulus e Petrus nec non et Macarius, cum discipulo seu Stephano, sed et Polychronius et Simon, qui unam voluntatem et operationem in Domino Jesu Christo dixerunt vel praedicaverunt”. A presença desta leitura em alguns Breviários ao longo de muitos séculos mostra que muitas gerações de católicos não consideraram escandaloso que um papa em particular, e em um caso muito raro, tenha sido considerado culpado de heresia ou de favorecer a heresia. Naqueles tempos, os fiéis e a hierarquia da Igreja distinguiam claramente entre a indestrutibilidade da fé católica divinamente garantida pelo Magistério da Sé de Pedro e a infidelidade e traição de um único papa no exercício concreto de seu ofício magistral.
Dom John Chapman, em seu livro “A Condenação do Papa Honório” (Londres, 1907), explica que o Terceiro Concílio Ecumênico de Constantinopla, que lançou o anátema sobre o Papa Honório, determinou uma clara distinção entre o erro de um único papa e a inerrância na fé da Sé Apostólica como tal. Na carta ao papa Agatão (678-681) pedindo-lhe para aprovar as decisões conciliares, os Padres do Terceiro Concílio Ecumênico de Constantinopla afirmam que Roma tem uma fé infalível, promulgada com autoridade para toda a Igreja pelos bispos da Sé Apostólica, os sucessores de Pedro. Pode-se perguntar: como foi possível o Terceiro Concílio Ecumênico de Constantinopla afirmar isso e, ao mesmo tempo, condenar um papa como herege? A resposta é bem clara. Papa Honório era falível, ele estava errado, ele era um herege, precisamente porque não reafirmou com autoridade, como devia, a tradição petrina da Igreja Romana. Ele não apelou para essa tradição, mas simplesmente aprovou e espalhou uma doutrina incorreta. Mas, uma vez desaprovadas por seus sucessores, as palavras do Papa Honório I tornaram-se inofensivas para a inerrância na fé da Sé Apostólica. Elas foram reduzidas ao seu verdadeiro valor, ou melhor, à mera expressão de sua opinião pessoal.
O papa Santo Agatão não se deixou confundir e nem abalar pelo comportamento deplorável de seu predecessor Honório I, que contribuiu para espalhar a heresia, mas manteve sua visão sobrenatural na inerrância da Sé de Pedro ao ensinar a fé, como escreveu aos imperadores em Constantinopla: “Esta é a regra da verdadeira fé, que esta mãe espiritual do seu pacífico império, a Igreja Apostólica de Cristo (a Sé de Roma) sempre manteve e defendeu com energia tanto na prosperidade como na adversidade; que, pela graça do Deus Todo-Poderoso, como será demonstrado, ela nunca se desviou do caminho da tradição apostólica, nem foi ela adulterada cedendo a inovações heréticas, mas desde o princípio recebeu a fé cristã de seus fundadores, os príncipes dos Apóstolos de Cristo, e permanecerá inalterada até o final, de acordo com a promessa divina do mesmo Senhor Salvador, que anunciou nos Santos Evangelhos ao príncipe dos seus discípulos, dizendo: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos.” (Ep. “Considerando mihi” ad Imperatores ).
Dom Prosper Guéranger deu uma breve e lúcida explicação teológica e espiritual deste caso concreto de um papa herege, dizendo: “Que aplausos nos abismos quando, um dia, o representante d’Aquele que é a luz apareceu como cúmplice do poder das trevas para trazer a noite! Uma nuvem pareceu interpor-se entre o céu e os montes onde reside Deus no seu vigário; sem dúvida, o aporte social da intercessão não tinha sido como que devia” (L’Année liturgique, Paris 1911, vol. 3, p. 403)..
Há também o fato de que por dois mil anos nunca houve um caso em que um papa foi declarado deposto por causa do crime de heresia durante seu pontificado. O papa Honório I foi anatematizado somente após sua morte. O último caso de um papa herege ou quase herético foi o do Papa João XXII (1316-1334), quando ensinou a teoria segundo a qual os santos desfrutariam da visão beatífica somente após o Julgamento Universal, na segunda vinda de Cristo. O caso foi abordado da seguinte maneira: houve admoestações públicas (da Universidade de Paris e do rei Filipe VI da França), uma refutação das teorias papais por meio de várias publicações teológicas e uma correção fraterna do cardeal Jacques Fournier, que mais tarde sucedeu João XXII com o nome de Bento XII (1334-1342).
A Igreja, nos raros casos concretos de um pontífice que incorre em sérios erros teológicos ou heresias, certamente pode continuar a viver. A prática da Igreja até agora tem sido deixar o julgamento final sobre um papa herético reinante para seus sucessores ou para um futuro concílio ecumênico, como no caso do papa Honório I. O mesmo provavelmente teria acontecido com o papa João XXII, se ele não tivesse se retratado de seu erro.
Os pontífices foram depostos várias vezes por poderes seculares ou por grupos criminosos. Isso aconteceu especialmente durante o “saeculum obscurum”, o chamado século escuro (século X e XI), quando os imperadores alemães depuseram vários papas indignos, não por causa de heresia, mas por causa de sua escandalosa vida imoral e seus abusos de poder. No entanto, eles nunca foram depostos por meio de um procedimento canônico, sendo isso impossível por causa da estrutura divina da Igreja. O papa recebe sua autoridade diretamente de Deus e não da Igreja; portanto, a Igreja não pode depô-lo, por qualquer motivo que seja.
É um dogma de fé que o papa não pode proclamar uma heresia quando ensina ex cathedra. Esta é a garantia divina de que as portas do inferno não prevalecerão contra a cátedra veritatis, que é a Sé Apostólica do Apóstolo São Pedro. Dom John Chapman, especialista na história da condenação do Papa Honório I, escreve: “A infalibilidade é, por assim dizer, o vértice de uma pirâmide. Quanto mais solenes os pronunciamentos da Sé Apostólica, mais podemos ter certeza da sua verdade. Quando eles atingem o máximo da solenidade, ou seja, quando eles são ex cathedra em senso estrito, a possibilidade de erro é completamente eliminada. A autoridade de um papa, mesmo nas ocasiões em que não é realmente infalível, deve ser obedecida e reverenciada. Que possa estar do lado errado é uma contingência que a história e a fé mostram como possível “(The Condenation of Pope Honourius, Londres, 1907, p. 109).
Se um papa espalha erros doutrinários ou heresias, a estrutura divina da Igreja já fornece um antídoto: a suplência ministerial dos representantes do episcopado e do indefectível sensus fidei dos fiéis. Nesta matéria, o fator numérico não é decisivo. Basta ter apenas um par de bispos que proclamam a integridade da fé e, assim, corrigem os erros de um papa herege. É suficiente que os bispos instruam e protejam seu rebanho dos erros de um papa herege e que seus sacerdotes e os pais de famílias católicas façam o mesmo. Além disso, como a Igreja é também uma realidade sobrenatural, um mistério, um único organismo sobrenatural, o Corpo Místico de Cristo, os bispos, padres e fiéis leigos – além de correções, apelos, profissões de fé e resistência pública – devem necessariamente realizar atos de reparação e de expiação à Divina Majestade pelas heresias do Papa. De acordo com a constituição dogmática Lumen gentium (cf. n° 12) do Concílio Vaticano II, todo o corpo de fiéis não pode errar na fé, quando desde os bispos até os últimos fiéis leigos compartilham um consenso universal numa matéria de fé e moral. Mesmo que um papa esteja espalhando erros teológicos e heresias, a Fé da Igreja como um todo permanecerá intacta por causa da promessa de Cristo sobre a assistência especial e a presença permanente do Espírito Santo, o Espírito da verdade, em sua Igreja (cf. Jo 14,17; 1 Jo 2,27).
Quando, por uma permissão inescrutável de Deus, em um determinado momento da história e em um caso muito raro, um papa espalha erros e heresias através de seu magistério ordinário e quotidiano não infalível, a Providência divina desperta ao mesmo tempo o testemunho de alguns membros do colégio episcopal e também os fiéis, para compensar as falhas temporárias do Magistério Pontifício. Deve ser dito que tal situação é muito rara, mas não impossível, como mostra a história da Igreja. A Igreja é verdadeiramente um único corpo orgânico, e quando há uma enfermidade ou falha na cabeça (o papa), o resto do corpo (os fiéis) ou partes eminentes dele (os bispos) compensam os erros papais temporários. Um dos exemplos mais famosos e trágicos de tal situação ocorreu durante a crise ariana do século quarto, quando a pureza da fé foi mantida não tanto pela ecclesia docens (papa e episcopado), mas pela ecclesia docta (os fiéis), como afirmou o Bem-aventurado John Henry Newman.
A teoria ou opinião da perda do ministério papal por deposição ou por declaração da perda ipso facto, identifica implicitamente o papa com toda a Igreja ou manifesta a atitude doentia de um “centrismo papal”, em última análise, de papolatria. Os defensores dessa opinião (especialmente alguns santos) manifestaram um ultramontanismo exagerado ou “centrimo papal”, fazendo do pontífice uma espécie de semi-deus, que não pode cometer erros, mesmo em assuntos fora do objeto da infalibilidade papal. Assim, um papa que comete erros doutrinários – o que teórica e logicamente inclui também a possibilidade de cometer o mais grave erro doutrinário, isto é a heresia – é insuportável ou impensável para os seguidores dessa opinião (ou seja, a deposição de um papa e a perda de seu ofício por causa da heresia), mesmo se o papa incorre nesses erros em questões alheias ao objeto da infalibilidade papal.
A teoria ou opinião teológica de que um papa herege pode ser deposto ou vir a perder o cargo era desconhecida no primeiro milênio. Originou-se apenas no início da Idade Média, numa época em que o papo-centrismo atingia o seu auge, quando o papa foi inconscientemente identificado com a Igreja inteira. Isto já prefigurava, em sua raiz, a atitude mundana de um príncipe absolutista segundo o lema: “L’État, c’est moi!” Ou, em termos eclesiásticos: “Eu sou a Igreja!”.
A opinião de que um papa herege perde seu ofício ipso facto tornou-se comum entre os teólogos desde o início da Idade Média até o século XX. Continua, porém, sendo uma mera opinião teológica e não um ensinamento da Igreja e, portanto, não pode reivindicar o título de um verdadeiro ensinamento constante e perene da Igreja, uma vez que nenhum concílio ecumênico e nenhum papa apoiaram explicitamente essa opinião. De fato, a Igreja condenou um papa herético, mas somente após sua morte e não durante seu pontificado. Mesmo que alguns doutores sagrados da Igreja (por exemplo, S. Roberto Bellarmino e S. Francisco de Sales) apoiem tal opinião, isso não prova sua certeza ou um consenso doutrinário universal. Até os doutores da Igreja incorreram em erros; foi, por exemplo, o caso de São Tomás de Aquino sobre a questão da Imaculada Conceição, da matéria do sacramento da Ordem ou o caráter sacramental da ordenação episcopal.
Houve um período na Igreja em que, por exemplo, prevaleceu uma opinião teológica comum, objetivamente errada, segundo a qual a entrega dos instrumentos era a matéria do sacramento da Ordem; uma opinião, no entanto, que não podia invocar antiguidade ou universalidade, mesmo que tivesse sido apoiada por um papa (pelo decreto de Eugênio IV) por um tempo limitado ou por livros litúrgicos (também por um curto período). Essa opinião comum foi, no entanto, corrigida por Pio XII em 1947.
A teoria da deposição de um papa herético ou da perda de seu cargo ipso facto devido à heresia é apenas uma opinião teológica, que não satisfaz as categorias teológicas necessárias de antiguidade, universalidade e consenso (semper, ubique, ab omnibus ). Não houve declarações do Magistério universal ordinário ou do Magistério pontifício em apoio às teorias da deposição de um papa herege ou da perda de seu ofício ipso facto por causa da heresia. Segundo uma tradição canônica medieval, posteriormente coletada no Corpus Juris Canonici (a lei canônica válida na Igreja latina até 1918), um papa poderia ser julgado em caso de heresia: “Papa a nemine est iudicandus, nisi deprehendatur a fide devius”, quer dizer, que “o papa não pode ser julgado por ninguém, a menos que seja flagrado desviando-se da fé “(Decretum Graciano, Prima Pars, dist. 40, c. 6, 3. pars). O Código de Direito Canônico de 1917, no entanto, eliminou a norma do Corpus Juris Canonici, que falava de um papa herético. O Código de Direito Canônico de 1983 também não prevê essa regra.
A Igreja sempre ensinou que até mesmo uma pessoa herética, automaticamente excomungada por causa de heresia formal, pode validamente administrar os sacramentos e que, em um caso extremo, um padre herege ou excomungado também pode exercer um ato de jurisdição dando a um penitente a absolvição sacramental. As regras eleitorais papais, válidas até Paulo VI, ele incluído, admitiam que mesmo um cardeal excomungado podia participar da eleição e ser eleito papa: “Nenhum cardeal eleitor pode ser excluído da eleição, ativa e passiva, do Sumo Pontífice, por causa ou com o pretexto de excomunhão, suspensão, interdito ou qualquer outro impedimento eclesiástico; estas censuras devem ser consideradas suspensas, mas apenas para os fins dessa eleição” (Paulo VI, Constituição Apostólica Romano Pontifice eligendo , 35). Esse princípio teológico também deve ser aplicado ao caso de um bispo herege ou de um papa herege, que, apesar de suas heresias, pode validamente realizar atos de jurisdição eclesiástica e, portanto, não perde o cargo ipso facto devido à heresia.
A teoria teológica ou opinião que permite a deposição de um papa herege ou a perda de seu ofício ipso facto devido à heresia é praticamente impraticável. Se fosse aplicada na prática, criaria uma situação semelhante à do Grande Cisma, que a Igreja já experimentou desastrosamente no final do século XIV e início do século XV. Na verdade, sempre haverá uma parte do Colégio Cardinalício e uma parte considerável do episcopado mundial e também dos fiéis que não vai concordar em considerar um erro material (ou erros materiais) do papa como heresia formal (heresias formais), e, portanto, continuará a considerar o papa reinante como o único papa legítimo.
Um cisma formal, com dois ou mais pretendentes ao trono papal – que também será uma consequência inevitável da deposição canônica de um papa – necessariamente causará mais danos à Igreja como um todo do que um período relativamente curto e muito raro em que um papa espalhe erros doutrinais ou heresias. A situação de um papa herege será sempre relativamente curta, se comparada aos dois mil anos de existência da Igreja. Neste caso raro e delicado, devemos deixar margem para uma intervenção da Divina Providência.
A tentativa de depor um papa herege a qualquer custo é sinal de um comportamento demasiadamente humano, o que eventualmente reflete uma relutância em suportar a cruz temporária de um pontífice herético. Talvez reflita também o sentimento por demais humano da raiva. Em todo caso, oferecerá uma solução excessivamente humana e, como tal, semelhante ao comportamento na política. A Igreja e o Papado são realidades que não são puramente humanas, mas também divinas. A cruz de um papa herege – mesmo quando de duração limitada – é a maior cruz imaginável para toda a Igreja.
Outro erro na intenção ou tentativa de destituir um papa herético consiste na identificação indireta ou subconsciente da Igreja com o Papa ou em fazer do Papa o ponto focal da vida cotidiana da Igreja. Isso, em última instância, significa ceder subconscientemente a um ultramontanismo doentio, ao papo-centrismo e à papolatria, isto é, ao culto à personalidade papal.
Na verdade, houve períodos na história da Igreja quando, por um tempo considerável, a Sé de Pedro permaneceu vacante. Por exemplo, de 29 de novembro de 1268 a 1° de setembro de 1271, não houve papa nem antipapa. Portanto, os católicos não devem fazer do pontífice, de suas palavras e de suas ações, o foco diário de sua atenção.
Os filhos de uma família podem ser deserdados. No entanto, o pai de uma família não pode ser deserdado, não importa quão culposamente ou monstruosamente ele se comporte. Esta é a lei da hierarquia que Deus estabeleceu até na criação. O mesmo se aplica ao papa, que durante o seu mandato é o pai espiritual de toda a família de Cristo na terra. No caso de um pai criminoso ou monstruoso, as crianças devem retirar-se dele ou evitar o contato. No entanto, eles não podem dizer: “elegeremos um novo e bom pai para nossa família”. Seria contrário ao senso comum e à natureza. O mesmo princípio deve, portanto, ser aplicável à questão da deposição de um papa herege. O papa não pode ser deposto por ninguém; só Deus pode intervir e irá fazê-lo em seu tempo, já que Ele não comete erros em sua providência (“Deus in sua dispositione non fallitur”). Durante o Concílio Vaticano I, Dom Zinelli, Relator da deputação da Fé, falou nestes termos da possibilidade de um papa herege: “Se Deus permite um mal tão grande (isto é, um papa herético), não vão faltar os meios para remediar a esta situação “(Mansi 52, 1109).
A deposição de um pontífice herético acabaria por favorecer a heresia do conciliarismo, do sedevacantismo e de uma atitude mental semelhante à de uma comunidade puramente humana ou política. Também promoveria uma mentalidade semelhante ao separatismo no mundo protestante ou ao autocefalismo no conjunto das igrejas ortodoxas.
A teoria ou opinião que permite a deposição ou a perda do ofício revela-se também em suas raízes mais profundas – ainda que de modo inconsciente – uma espécie de “donatismo” aplicado ao ministério papal. A teoria donatista identificava os ministros sagrados (sacerdotes e bispos) quase com a santidade moral do próprio Cristo, exigindo, portanto, para a validade de seu ofício, a ausência de erros morais ou de má conduta em sua vida pública. De maneira similar, a teoria supracitada exclui a possibilidade de um papa cometer erros doutrinários, isto é, heresias, declarando seu cargo inválido ou vacante por este fato, assim como faziam os donatistas, que declaravam inválido ou vacante o ofício sacerdotal ou episcopal devido a erros na vida moral.
Pode-se imaginar que no futuro a autoridade suprema da Igreja (o Papa ou o Concílio Ecumênico) poderia estabelecer as seguintes normas canônicas ou vinculantes para o caso de um papa herético ou manifestamente heterodoxo:
  • Um papa não pode ser deposto de qualquer forma ou por qualquer razão, nem mesmo por razões de heresia.
  • Todo novo papa eleito que toma posse de seu ofício é obrigado, em virtude de seu ministério como Mestre supremo da Igreja, a fazer o juramento de proteger todo o rebanho de Cristo dos perigos das heresias e de evitar aparência de heresia, respeitando sua obrigação de fortalecer todos os pastores e fiéis na fé.
  • Um papa que espalhe erros teológicos óbvios ou heresias ou que contribua para sua difusão com suas ações e omissões deve ser devidamente corrigido de forma fraternal e privada pelo Decano do Colégio dos Cardeais.
  • Depois de correções privadas sem sucesso, o Decano do Colégio dos Cardeais é obrigado a tornar pública sua correção.

Juntamente com a correção pública, o decano do Colégio dos Cardeais deve fazer um apelo a rezar pelo Papa, para que ele possa recuperar a força para confirmar inequivocamente toda a Igreja na Fé.
  • Ao mesmo tempo, o Decano do Colégio Cardinalício deveria publicar uma fórmula de Profissão de Fé, na qual os erros teológicos que o Papa ensina ou tolera (sem necessariamente nomear o Papa) fossem rejeitados.
  • Se o decano do Colégio dos Cardeais omitir a correção, o apelo à oração e a publicação de uma Profissão de Fé, todo cardeal, bispo ou grupo de bispos deve fazê-lo; e se cardeais e bispos também deixarem de fazê-lo, qualquer membro dos fiéis católicos ou qualquer grupo de fiéis católicos deve fazê-lo.
  • O Decano do Colégio dos Cardeais ou um cardeal, ou um bispo ou um grupo de bispos, ou um fiel católico ou um grupo de fiéis católicos que fizerem a correção, pedirem orações e publicarem uma Profissão de Fé não podem ser submetidos a sanções canônicas ou acusados de falta de respeito pelo Papa por este motivo.

No caso extremamente raro de um papa herege, a situação espiritual da Igreja pode ser descrita com as palavras usadas pelo papa São Gregório Magno (590-604), que falou da Igreja de seu tempo como “um velho navio todo quebrado, que faz água por todos os lados, e cujas tábuas podres, na grande tempestade que o sacode todos os dias, fazem rangidos de naufrágio” (Registrum I, 4, Ep. Ioannem episcopum Constantinopolitanum ).
Os episódios evangélicos em que Nosso Senhor acalma o mar tempestuoso e salva Pedro que estava afundando na água nos ensinam que mesmo na situação mais dramática e humanamente desesperada de um papa herege, todos os Pastores da Igreja e os fiéis devem acreditar e confiar que Deus, em Sua Providência, intervirá, e que Cristo acalmará a furiosa tempestade e devolverá a força aos sucessores de Pedro, seus Vigários na terra, para confirmar todos os Pastores e fiéis na Fé Católica e Apostólica.
O Papa Santo Agatão (678-681), que teve a difícil tarefa de limitar os danos causados pelo Papa Honório I à integridade da Fé, deixou palavras vivas num apelo ardente a cada sucessor de Pedro, que deve estar sempre ciente de seu grave dever de preservar intacta a pureza virginal do Depósito da Fé: “Ai de mim se eu negligenciar a pregar a verdade do meu Senhor, que eles [os antecessores] pregaram sinceramente. Ai de mim, se eu cobrir pelo silêncio a verdade que sou obrigado a dar ao meu rebanho, isto é, ensinar e convencer o povo cristão. O que direi no futuro julgamento do próprio Cristo, se eu envergonhar-me – Deus me livre! – de pregar agora a verdade de suas palavras? Que satisfação posso dar por mim, pelas almas que me foram confiadas, quando Ele pedirá estrita conta do ofício que recebi?” (Ep.”Considerando mihi ”ad Imperatores ).
Quando o primeiro Papa, São Pedro estava fisicamente acorrentado, toda a Igreja implorou pela sua libertação: “Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus” (Atos 12: 5). Quando um papa espalha erros ou mesmo heresias, ele está em cadeias espirituais ou em uma prisão espiritual. Portanto, toda a Igreja deve orar incessantemente por sua libertação desta prisão espiritual. Toda a Igreja deve ter uma perseverança sobrenatural em tal oração e uma confiança sobrenatural no fato de que, no fim das constas, é Deus e não o Papa quem governa Sua Igreja.
Quando o Papa Honório I (625-638) adotou uma atitude ambígua a respeito da propagação da nova heresia do Monotelismo, São Sofrônio, Patriarca de Jerusalém, enviou um bispo da Palestina a Roma, dizendo-lhe: “Vá à Sé Apostólica, onde estão as bases da doutrina sagrada e não deixe de rezar até que a Sé Apostólica condene a nova heresia”.
Ao tratar do trágico caso de um pontífice herege, todos os membros da Igreja, começando pelos bispos, até os simples fiéis, devem usar todos os meios legítimos, como as correções privadas e públicas ao papa errante, orações constantes e ardentes e profissões públicas da verdade, para que a Sé Apostólica volte a professar claramente as verdades divinas que o Senhor confiou a Pedro e a todos os seus sucessores. “O Espírito Santo foi prometido aos sucessores de Pedro, não de maneira que eles pudessem, por revelação sua, dar a conhecer alguma nova doutrina, mas que, por assistência sua, pudessem guardar santamente e expor fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos, isto é, o depósito da fé” (Concílio Vaticano I, Constituição Dogmática Pastor aeternus ,cap. 4).
Cada Papa e todos os membros da Igreja devem lembrar as palavras sábias e atemporais que o Concílio Ecumênico de Constança (1414-1418) pronunciou sobre o Papa, considerado como a primeira pessoa na Igreja a ser vinculada pela Fé, cuja integridade ele deve guardar cuidadosamente: “Visto que o Romano Pontífice exerce um poder tão grande entre os mortais, é adequado que ele esteja cada vez mais ligado aos laços incontrovertíveis da fé e aos ritos que devem ser observados com respeito aos sacramentos da Igreja. Por isso decretamos e ordenamos, para que a plenitude da fé possa brilhar num futuro Pontífice Romano com um esplendor singular desde o primeiro momento de tornar-se papa, que a partir daquele momento em que será eleito Romano Pontífice faça a seguinte confissão e profissão pública” (Trigésima Nona Sessão de 9 de outubro de 1417.
Na mesma sessão, o Concílio de Constança decretou que todo novo papa eleito deveria fazer um juramento de fé, propondo a seguinte fórmula, da qual citamos as passagens mais cruciais:
“Eu, N., eleito Papa, com o coração e os lábios confesso e professo ao Deus todo-poderoso, que confessarei firmemente e preservarei a fé católica de acordo com as tradições dos Apóstolos, dos Concílios Gerais e dos outros Santos Padres. Que manterei esta fé inalterada até o último iota e que a confirmarei, defenderei e pregarei até a morte e o derramamento de meu sangue, e da mesma maneira que seguirei e observarei de todas as maneiras o rito transmitido dos sacramentos eclesiásticos da Igreja Católica”.
Quão urgente seria pôr em prática o juramento do papa, especialmente em nossos dias! O pontífice não é um monarca absoluto, que pode fazer e dizer o que quiser, que pode mudar a discrição a doutrina ou a liturgia. Infelizmente, nos séculos passados – ao contrário da tradição apostólica dos tempos antigos – o comportamento dos papas como monarcas absolutos ou semi-deuses tornou-se tão habitualmente aceito que chegou a influenciar as concepções teológicas e espirituais da maioria dos bispos e fiéis, e especialmente das pessoas piedosas. O fato de que o Papa deva ser o primeiro na Igreja a evitar as novidades, obedecendo de maneira exemplar à tradição da Fé e da Liturgia, foi às vezes apagado da consciência dos bispos e dos fiéis por uma aceitação cega e piedosa de uma espécie de absolutismo papal.
O juramento papal de Liber diurnus Romanorum Pontificum considerava como a principal exigência e qualidade distintiva de um novo papa a sua fidelidade inabalável a tradição, assim como foi transmitida por todos os seus antecessores: ” Nihil de traditione, quod em probatissimis praedecessoribus Meis servatum reperi, diminu vel vel mutare, aut aliquam novitatem admittere; sed ferventer, e verum discipulus et sequipeda, totis viribus meis conatibusque traído conservar ac venerari“(“Nada mudarei da Tradição que recebi, e nada do que encontrei antes de mim, preservado por meus veneráveis predecessores, nem tocarei, alterarei ou permitirei qualquer inovação nela; de fato, reverenciá-la-ei com ardente afeto como verdadeiro e fiel discípulo, transmitindo-a com toda a minha força e máximo esforço”).
O mesmo juramento papal definia, em termos concretos, a fidelidade à lex credendi (a regra da fé) e à lex orandi (a regra da oração). Quanto à lex credendi (a regra da fé), o texto do juramento diz:
” Verae fidei rectitudinem, quam Christo tradente autor para sucessores UST atque
Discipulos, até exiguitatem meam perlatam, em seus Sanctum marcos Ecclesia, totis conatibus meis, usico a animam et sanguinem valorizar, difficultates temporumque, cum seu adjutorio, toleranter sufferre ” ( “Prometo manter com todas as minhas forças, até a morte e o derramamento de meu sangue, a integridade da verdadeira fé, cujo autor é Cristo, e que, através de seus sucessores e discípulos, foi transmitida a minha humilde pessoa e que eu encontrei em Sua Igreja. Eu também prometo pacientemente suportar as dificuldades dos tempos”).
Em relação à lex orandi , o juramento do Papa afirma:
” Disciplinam ritum et Ecclesiae, inveni sicut, et Sanctis em praecessoribus Meis
traditum marcos, illibatum valorizar ” (“Prometo manter inviolada a disciplina e a liturgia da Igreja como as encontrei e como elas foram transmitidos por meus santos predecessores”).
Nos últimos cem anos, houve alguns exemplos espetaculares de absolutismo papal. Quando consideramos a lex orandi, as mudanças feitas pelos papas Pio X, Pio XII e Paulo VI foram drásticas e radicais e, no que diz respeito à lex credendi, pelo Papa Francisco.
Pio X tornou-se o primeiro papa na história da Igreja Latina a realizar uma reforma tão radical do Salterio (cursus psalmorum), que levou à construção de um novo tipo de ofício divino no que diz respeito à distribuição dos salmos. Depois, houve o Papa Pio XII, que aprovou para o uso litúrgico uma versão latina radicalmente modificada do texto milenar e melodioso do Vulgate Psalter. A nova tradução latina, o chamado “Saltério Piano”, era um texto fabricado artificialmente pelos acadêmicos e, em seu refinamento, era difícil de pronunciar. Esta nova tradução latina, acertadamente criticada com o ditado “accessit latinitas, recessit pietas”, foi depois rejeitada de fato por toda a Igreja sob o pontificado do papa João XXIII. O Papa Pio XII mudou também a liturgia da Semana Santa, um tesouro litúrgico milenar da Igreja, introduzindo parcialmente rituais inventados ex novo.  Mudanças litúrgicas inauditas foram, porém, levadas a cabo pelo Papa Paulo VI com uma reforma revolucionária do rito da Missa e dos outros sacramentos, uma reforma litúrgica, que nenhum Papa antes ousou realizar com tanta radicalidade.
Uma mudança teologicamente revolucionária foi feita pelo Papa Francisco na medida em que ele aprovou a prática de algumas igrejas locais de admitir à Santa Comunhão “caso por caso” adúlteros sexualmente ativos (aqueles que coabitam nas chamadas “uniões irregulares”). Mesmo que essas normas locais não representem uma norma geral na Igreja, constituem, no entanto, uma negação prática da verdade da absoluta indissolubilidade do matrimónio sacramental rato e consumado. Outra mudança radical nas questões doutrinárias é a modificação da doutrina bíblica e do magistério bimilenar da Igreja quanto ao princípio da legitimidade da pena de morte.
Neste contexto, destaca-se e nos faz refletir um fato impressionante narrado na vida do Papa Pio IX: diante do pedido de um grupo de bispos para introduzir uma pequena mudança no Canon da Missa (inserindo o nome de São José), ele respondeu: “Eu não posso fazer isso . Eu sou apenas o papa!”
A seguinte oração de Dom Prosper Guéranger, na qual ele elogia o papa São Leão II por sua vigorosa defesa da integridade da Fé depois da crise causada pelo Papa Honório I, deve ser rezada assiduamente por cada papa e por todos os fiéis, especialmente em nosso tempo:
“Impedi, ó São Leão, o retorno de situações a tal ponto dolorosas. Mantende o pastor acima da região das névoas malignas que se erguem da terra;  mantende no rebanho aquela oração que deve continuamente subir da Igreja a Deus em favor dele (Atos 12: 5): e Pedro, mesmo se ele estiver sepultado nas mais escuras prisões, não deixará de contemplar o puro esplendor do Sol da justiça; e todo o corpo da santa Igreja estará na luz. O corpo, de fato — diz Jesus – é iluminado pelo olho: se o olho é simples, todo o corpo resplandece (Mt 6,22). Instruídos por vós sobre o valor do benefício que o Senhor concedeu ao mundo quando o estabeleceu sobre o ensinamento infalível dos sucessores de Pedro, agora conhecemos a força da rocha que sustenta a Igreja; sabemos que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (ibid. 16, 18). De fato, o esforço desses poderes do abismo nunca foi tão longe como na crise fatal [do Papa Honório] a qual Vós colocastes o termo. ora, seu sucesso, por mais doloroso que tenha sido, não desmentiu as promessas divinas: não é ao silêncio de Pedro, mas ao seu ensino que foi prometida a assistência indefectível do Espírito da verdade ”(Année liturgique, Paris 1911, vol. 3, pp. 403-404).
O caso extremamente raro de um papa herético ou semi-herético deve, eventualmente, ser suportado e sofrido à luz da fé no caráter divino e na indestrutibilidade da Igreja e do ministério petrino. O Papa São Leão Magno formulou essa verdade, dizendo que a dignidade de São Pedro não foi diminuída em seus sucessores, por mais indignos que sejam, “Cuius Dignitas etiam em haerede indignado sem déficit” ( Serm . 3, 4).
Poderia ocorrer a situação verdadeiramente extravagante de um papa que pratica abuso sexual de menores ou de subordinados no Vaticano. O que a Igreja deve fazer nessa eventualidade? Deveria a Igreja tolerar um predador sexual de menores ou subordinados? Por quanto tempo a Igreja deveria tolerar tal papa? Ele deveria perder o papado ipso facto por causa desses abusos? Nessa situação, poderia surgir uma nova teoria ou opinião canônica ou teológica que permitisse a deposição de um papa e a perda de seu cargo devido a crimes morais monstruosos (por exemplo, o abuso sexual de menores ou subordinados acima mencionado). Tal opinião seria análoga à opinião de que seria possível a deposição de um papa ou a perda de seu cargo devido à heresia. No entanto, essa nova teoria ou opinião (deposição de um papa e a perda de seu cargo devido a crimes sexuais monstruosos) certamente não corresponderia à mente e à prática perenes da Igreja.
A tolerância de um papa herético como uma cruz não significa passividade ou aprovação de sua conduta errônea. Tudo deve ser feito para remediar esta situação. Suportar a cruz de um papa herege, em nenhum caso significa ser passivo ou consentir com suas heresias. Assim como as pessoas têm que suportar, por exemplo, um regime iníquo ou ateu como uma cruz (muitos católicos viveram sob tal regime na União Soviética, suportando essa situação como uma cruz, num espírito de expiação), ou como os pais devem carregar a cruz de um filho adulto que se tornou um descrente ou imoral, ou como os membros de uma família devem carregar como uma cruz um pai alcoólico. Os pais não podem “depor” o filho descarriado de pertencer à família, assim como as crianças não podem “destituir’ o pai transviado de pertencer à família ou do seu título de “pai”.
Não depor um papa herege é mais seguro e está mais de acordo com uma visão sobrenatural da Igreja. Fazer isso, com todas as contramedidas práticas e concretas a serem tomadas, em nenhum caso significa passividade ou colaboração com os erros papais, mas um engajamento muito ativo e uma verdadeira compaixão com a Igreja, que, no tempo de um papa herege ou semi-herege, vive suas horas no Gólgota. Quanto mais um papa dissemina ambiguidades doutrinárias, erros ou mesmo heresias, mais intensamente brilhará na Igreja a fé católica pura dos pequeninos: a Fé de crianças inocentes; de freiras religiosas; em particular a fé das gemas ocultas da Igreja: as monjas de clausura; a fé dos fiéis leigos heroicos e virtuosos de todas as condições sociais; a fé de padres e bispos.  Esta chama pura da fé católica, muitas vezes alimentada por sacrifícios e atos de expiação, brilhará mais do que a covardia, a infidelidade, a rigidez espiritual e a cegueira de um papa herético.
A Igreja tem um caráter tão divino que pode existir e viver por um período limitado de tempo apesar de um papa reinante herege, precisamente por causa da verdade de que o papa não é sinônimo ou idêntico à Igreja. A Igreja tem um caráter tão divino que nem mesmo um papa herege é capaz de destruí-la, apesar de prejudicar muito sua vida; porém, sua ação tem duração limitada. A fé de toda a Igreja é maior e mais forte do que os erros de um papa herege e esta fé não pode ser derrotada. A constância de toda a Igreja é maior e mais duradoura do que o desastre relativamente breve de um papa herege. A verdadeira rocha sobre a qual reside a indestrutibilidade da Fé e a santidade da Igreja é o próprio Cristo, sendo o papa somente seu instrumento, assim como todo sacerdote ou bispo é apenas um instrumento de Cristo Sumo Sacerdote.
A saúde doutrinal e moral da Igreja não depende exclusivamente do Papa, pois, pela lei divina, esta é garantida, na situação extraordinária de um papa herético, pela fidelidade do ensinamento dos bispos e, em última análise, também pela fidelidade de todo o corpo dos fiéis leigos, como foi suficientemente demonstrado pelo beato John Henry Newman e pela história. A saúde doutrinal e moral da Igreja não depende em tal grau dos erros doutrinários de um papa, por um período relativamente curto de tempo, como para tornar a Santa Sé vacante. Assim como a Igreja pode ficar um tempo sem o Papa, como já aconteceu na história por um período de vários anos), assim também a Igreja é tão forte pela sua constituição divina que pode até aturar um papa herege por um curto prazo.
O ato de depor um pontífice ou declarar sua sé vacante devido à perda ipso facto do pontificado por causa de heresia seria uma novidade revolucionária na vida da Igreja a respeito de uma questão muito importante de sua constituição e vida. Em uma matéria tão delicada, mesmo quando ela é de natureza prática e não estritamente doutrinal, é preciso seguir a via mais segura (via tutior), que é aquela do senso perene da Igreja. Apesar de três Conselhos Ecumênicos sucessivos (o Terceiro Concílio de Constantinopla em 681, o Segundo Concílio de Nicéia em 787 e o Quarto Concílio de Constantinopla em 870) e o Papa São Leão II em 682 terem excomungado o Papa Honório I  por heresia, eles nem sequer implicitamente declararam que Honório havia perdido o papado ipso facto por causa da heresia. De fato, o pontificado do Papa Honório foi considerado válido mesmo depois de ter apoiado a heresia em suas cartas ao Patriarca Sérgio, em 634, enquanto reinou por mais quatro anos até 638. O seguinte princípio, formulado pelo Papa Santo Estêvão I (257), ainda que em outro contexto, deveria ser uma diretriz para lidar com a questão muito delicada e rara de um papa herege: “Nihil innovetur, nisi quod traditum est”, “Não haja nenhuma inovação em relação ao que foi transmitido”.
(Por Athanasius Schneider, bispo auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana)



PS: o artigo de D. Athanasius tem tanto mais valor por ser criticado pelos sedevacantistas: https://controversiacatolica.com/2019/04/15/os-erros-de-athanasius-schneider/

PS 2: O Atanásio abaixo é o santo e Padre da Igreja vencedor do arianismo:

3.10.19

Quadro sinótico das duas "Formas" do Rito Romano

Novo Missal Romano
Missal Romano Tridentino
RITOS INICIAIS

Reunido o povo, o sacerdote e os ministros encaminham-se para o altar enquanto se executa o CÂNTICO DE ENTRADA.

Ao chegar ao altar, o sacerdote, feita a devida reverência juntamente com os ministros, beija o altar e, conforme as circunstâncias, incensa-o. Depois, dirige-se para a sua cadeira, juntamente com os ministros.

Terminado o cântico de entrada, sacerdote e fiéis, todos de pé, fazem o sinal da cruz, enquanto o sacerdote, voltado para o povo, diz:

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

O povo responde:

Amen.

Depois, o sacerdote, abrindo os braços, saúda o povo, dizendo:

A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

O povo responde:

Bendito seja Deus, que nos reuniu no amor de Cristo.

[Esta primeira saudação corresponde à que na Missa Tradicional é realizada após o Glória e antes da oração coleta]

O sacerdote, ou o diácono, ou um ministro idóneo, pode fazer aos fiéis uma brevíssima introdução à Missa do dia.


































Segue-se o ACTO PENITENCIAL.

O sacerdote convida os fiéis ao acto penitencial com estas palavras ou outras semelhantes:

Irmãos: Para celebrarmos dignamente os santos mistérios, reconheçamos que somos pecadores.

Guardam-se alguns momentos de silêncio.

Seguidamente, o sacerdote introduz a confissão com estas palavras ou outras semelhantes:

Confessemos os nossos pecados.


E dizem todos juntos a confissão:

Confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, actos e omissões,

e, batendo no peito, dizem:

por minha culpa, minha tão grande culpa.

e continuam:

E peço à Virgem Maria, aos Anjos e Santos, e a vós, irmãos, que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.
____________

Ou  

Tende compaixão de nós, Senhor.

O povo responde:

Porque somos pecadores.

O sacerdote continua:

Manifestai, Senhor, a vossa misericórdia.

O povo responde:

E dai-nos a vossa salvação.

[Esta é parte de uma das orações ao pé do altar do sacerdote, que ele realizava após o Confiteor da assembleia e a indulgência; agora é uma oração opcional do “ato penitencial” geral)
____________

Ou pode-se ou cantar as seguintes invocações ou outras semelhantes:

Senhor, que fostes enviado pelo Pai a salvar os corações atribulados, Senhor, misericórdia.

O povo responde:

Senhor, misericórdia.

O sacerdote continua:

Cristo, que viestes chamar os pecadores, Cristo, misericórdia.

O povo responde:

Cristo, misericórdia.

De novo, o sacerdote diz:

Senhor, que estais à direita do Pai a interceder por nós, Senhor, misericórdia.

O povo responde:

Senhor, misericórdia.
____________

Segue-se a absolvição do sacerdote:

Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

O povo responde:

Amen.
____________



Ou, aos domingos, sobretudo no Tempo Pascal, em vez do acto penitencial pode fazer-se a BÊNÇÃO DA ÁGUA e a ASPERSÃO.

[A dupla confissão da Missa Tradicional, do ministro e da assembleia, é resumida em uma, que, por um lado omite o nome dos santos e acrescenta a confissão pelos pecados de “omissão”, e, por outro lado, se torna opcional (!) em face das outras duas possibilidades ou ainda em face do costume atual -não regulamentado- do “canto penitencial”]











































PREPARAÇÃO

Orações ao pé do altar
[Estas orações constituíam uma preparação imediata para o sacerdote ministerial, e não exatamente uma preparação geral da assembleia; acentuavam o paradoxo de sua indignidade humana (são orações de caráter penitencial) e de sua peculiar dignidade sacerdotal: ele se tornava consciente em ato da sublimidade do sacrifício de Cristo pelos pecados que estava prestes a oferecer através da  participação no sacramento da ordem]

De pé, diante dos degraus do altar, o celebrante começa a Missa, fazendo o sinal da cruz (X):

Em nome do Pai, X e do Filho, e do Espírito. Amém.
In nómine Patris, X et Filii, et Spiritus Sancti. Amén.



Subirei ao altar de Deus.



Introibo ad altare Dei.
R. Do Deus que alegra a minha juventude.
R. Ad Deum qui lætificat juventutem meam.
 Salmo 42 (este salmo omite-se nas Missas de Defuntos e do Tempo da Paixão)
Julga-me, ó Deus, e separa a minha causa duma gente não santa. Livra-me do homem iníquo e enganador.
Judica me, Deus, et discerne causam meam de gente non sancta: ab homine iniquo et doloso erue me.
R. Tu que és, ó Deus, a minha fortaleza, porque me repeliste? E porque hei-de eu andar triste, enquanto me aflige o inimigo?
R. Quia tu es, Deus, fortitudo mea: quare me repulisti, et quare tristis incedo, dum affligit me inimicus?
Envia a Tua luz e a Tua verdade; estas me conduzirão e me levarão ao Teu santo monte e aos Teus tabernáculos.
Emitte lucem tuam et veritatem tuam: ipsa me deduxerunt et adduxerunt in montem sanctum tuum, et in tabernacula tua.
R. E aproximar-me-ei do altar de Deus, do Deus que alegra a minha mocidade.
R. Et introibo ad altare Dei: ad Deum qui lætificat juventutem meam.
Ó Deus, Deus meu, eu Te louvarei com a cítara. Por que estás triste, minha alma? E por que me inquietas?
Confitebor tibi in cithara Deus, Deus meus: quare tristis es anima mea, et quare conturbas me?
R. Espera em Deus, porque eu ainda O hei-de louvar, a Ele que é a minha salvação e o meu Deus.
R. Spera in Deo, quoniam adhuc confitebor illi: salutare vultus mei, et Deus meus
Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto.
R. Assim como era no princípio, seja agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.
R. Sicut erat in principo, et nunc, et semper: et in sæcula sæculorum. Amen.
Subirei ao Altar de Deus.
Introibo ad altare Dei.
R. Do Deus que alegra a minha juventude.
R. Ad Deum qui lætificat juventutem meam.
O nosso X auxílio está no nome do Senhor. 
Adjutorium X nostrum in nomine Domine.
R. Que fez o Céu e a Terra.
R. Qui fecit caelum et terram.

Com grande desejo de se purificar, o Celebrante primeiramente, antes de se aproximar do altar, e depois os fiéis, acusam-se diante de Deus e dos Santos dos pecados que cometeram e pedem a Deus misericórdia.
Eu me confesso a Deus etc.
Confiteor Deo omnipotenti, etc.
R. Que Deus onipotente se amerceie de ti, que te perdoe os pecados e te conduza à vida eterna.
R. Misereatur tui omnipotens Deus, et dimissis peccatis tuis, perducat te ad vitam æternam.
Amém.
Amen.

Os assistentes dizem o Confiteor:
Eu pecador me confesso a Deus todo-poderoso,à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado são Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado são João Batista, aos santos apóstolos são Pedro e são Paulo, a todos os Santos e a vós, Padre, porque pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras, (bate-se por três vezes no peito) por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa. Portanto, rogo à bem-aventurada Virgem Maria, ao bem-aventurado são Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado são João Batista, aos santos apóstolos são Pedro e são Paulo, a todos os Santos e a vós, Padre, que rogueis a Deus Nosso Senhor por mim.








































Que Deus onipotente se compadeça de vós, que vos perdoe os pecados e vos conduza à vida eterna.

R. Amém.
Confiteor Deo omnipotenti, beatæ Mariæ semper Virgini, beato Michæli Archangelo, beato Joanni Baptistæ, sanctis Apostolis Petro et Paulo, omnibus Sanctis, et tibi, pater: quia peccavi nimis cogitatione, verbo, et opere: percutiunt sibi pectus ter, dicentes: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Ideo precor beatam Mariam semper Virginem, beatum Michælem Archangelum, beatum Joannem Baptistam, sanctos Apostolos Petrum et Paulum, omnes Sanctos, et te, pater, orare pro me ad Dominum Deum nostrum.











































Misereatur vestri omnipotens Deus, et dimissis peccatis vestris, perducat vos ad vitam æternam.

R. Amen.
O Celebrante pronuncia sobre si mesmo e sobre os fiéis a fórmula da absolvição:
Indulgência X absolvição, e remissão dos nossos pecados, conceda-nos o Senhor onipotente e misericordioso.
Indulgentiam X absolutionem, et remissionem peccatorum nostrorum, tribuat nobis omnipotens et misericors Dominus:
R. Amém.
R. Amen.

  
Inclinam-se todos para a recitação dos versículos seguintes:
Se Vos tornardes para nós, Senhor, dar-nos-ei a vida.
Deus, tu conversus vivificabis nos.
R. E o Vosso povo alegrar-se-á em Vós.
R. Et plebs tua lætabitur in te.
Mostrai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia.
Ostende nobis Domine, misericordiam tuam.
R. E dai-nos a Vossa salvação.
R. Et salutare tuum da nobis.
Senhor, ouvi a minha oração.
Domine, exuadi orationem meam.
R. E fazei subir até Vós o meu clamor.
R. Et clamor meus ad te veniat.
O Senhor seja convosco.
Dominus vobiscum.
R. E com o vosso espírito.
R. Et cum spiritu tuo.

[Parte desta última oração virou oração alternativa opcional do novo “ato penitencial”]


Ao subir ao altar, o Celebrante pede a Deus mais uma vez que o purifique de todos os pecados:
Oremos.
Lavai-nos, Senhor, de todo o pecado, a fim de merecermos penetrar de coração puro no Santo dos Santos. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém
Oremus.
Aufer a nobis, quæsumus, Domine, iniquitates nostras: ut ad Sancta sanctorum puris mereamur mentibus introire. Per Christum Dominum nostrum. Amen.


O celebrante, inclinado, diz a seguinte oração:
Nós vos suplicamos, Senhor, pelos méritos de vossos santos, (beijando o centro do altar) cujas relíquias aqui se encontram, e de todos os demais santos, vos digneis perdoar todos os nossos pecados. Amém.
Oramus te, Domine, per merita Sanctorum tuorum, quorum reliquiæ hic sunt, et omnium Sanctorum: ut indulgere digneris omnia peccata mea. Amen.

Incensação do altar
Nas Missas solenes o Celebrante deita incenso no turíbulo e benze-o ao mesmo tempo com as palavras seguintes : « Bendito sejas por Aquele em honra de Quem vais ser queimado. » Depois incensa o altar.
[O que se segue pertence aos “ritos iniciais”, só separo para facilitar a comparação sinóptica]
















Seguem-se as INVOCAÇÕES Kýrie, eléison, a não ser que já tenham sido feitas nalgum dos formulários do acto penitencial.

V. Senhor, tende piedade de nós.
R. Senhor, tende piedade de nós.
V. Cristo, tende piedade de nós.
R. Cristo, tende piedade de nós.
V. Senhor, tende piedade de nós.
R. Senhor, tende piedade de nós.











Em seguida, segundo as rubricas, canta-se ou recita-se o HINO:

Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados. Senhor Deus, Rei dos céus, Deus Pai todo-poderoso: nós Vos louvamos, nós Vos bendizemos, nós Vos adoramos, nós Vos glorificamos, nós Vos damos graças, por vossa imensa glória. Senhor Jesus Cristo, Filho Unigénito, Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai: Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós; Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica; Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós. Só Vós sois o Santo; só Vós, o Senhor; só Vós, o Altíssimo, Jesus Cristo; com o Espírito Santo, na glória de Deus Pai. Amen



















  


Terminado o hino, o sacerdote, de mãos juntas, diz:

Oremos.

E todos, juntamente com o sacerdote, oram em silêncio durante alguns momentos.

Depois, o sacerdote, de braços abertos, diz a ORAÇÃO COLECTA.

Se a oração se dirige ao Pai, a conclusão é da seguinte forma:

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Se se dirige ao Pai, com menção do Filho na parte final:

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Se se dirige ao Filho:

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

No fim o povo aclama:

Amen.
PRIMEIRA PARTE: ANTE-MISSA
(Missa dos Catecúmenos)

Intróito

O celebrante vai para o lado da Epístola, e lê o Introito. Canto solene de entrada, o Intróito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia. Às primeiras palavras, todos se benzem, ao mesmo tempo que o celebrante. [O Intróito pode ser ou geralmente é cantado pelo coro ou assistentes ao longo das “orações ao pé do altar”]

 1 - VER MISSA DO DIA 

Kýrie, Eléison
O Kýrie é uma breve ladainha de procedência grega, uma tríplice invocação das três Pessoas Divinas. O celebrante, no meio do altar, diz, alternadamente com os assistentes: 

Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

S. Kyrie, eleison.
M. Kyrie, eleison.
S. Kyrie, eleison.
M. Christe, eleison.
S. Christe, eleison.
M. Christe, eleison.
S. Kyrie, eleison.
M. Kyrie, eleison.
S. Kyrie, eleison.


Glória in Excélsis
O Glória in excelsis, que os gregos denominam a grande doxologia, é um cântico de louvor entretecido de aclamações e súplicas, dirigido à Santíssima Trindade. Abre com as palavras que os Anjos cantaram no nascimento do Salvador. – Omite-se nas Missas de Defuntos, em todas do Tempo do Advento, da Septuagésima e da Quaresma e nas férias sem festa.
Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. Nós vos louvamos, Vos bendizemos, Vos adoramos e Vos glorificamos. Nós vos damos graças, por causa da Vossa grande glória, ó Senhor Deus, Rei do céu, Deus Pai onipotente. Ó Senhor, Filho Unigênito de Deus, Jesus Cristo. Senhor Deus, Cordeiro de Deus e Filho do Pai. Vós que tirais os pecados do mundo, tende compaixão de nós. Vós que tirais os pecados do mundo, ouvi a nossa prece. Vós que estais sentado à direita do Pai, tende compaixão de nós. Porque só Vós, Senhor Jesus Cristo, sois Santo, só Vós sois o Altíssimo. Com o Espírito Santo, X na glória de Deus Pai. Amém.
GLORIA IN EXCÉLSIS DEO.
Et in terra pax hominibus bonæ voluntatis. | Laudamus te. | Benedicimus te. | Adoramus te. | Glorificamus te. | Gratias agimus tibi propter magnam gloriam tuam. | Domine Deus, Rex coelestis, Deus Pater omnipotens. | Domine Fili unigenite, Jesu Christe. | Domine Deus, Agnus Dei, Filius Patris. | Qui tollis peccata mundi, miserere nobis. | Qui tollis peccata mundi, suscipe deprecationem nostram. | Qui sedes ad dexteram Patris, miserere nobis. | Quoniam tu solus Sanctus. | Tu solus Dominus. Tu solus Altissimus, Jesu Christe. | Cum Sancto Spiritu X in gloria Dei Patris. Amen.
 O celebrante beija o altar, volta-se ao povo e diz:
O Senhor seja convosco.
V. Dominus vobiscum.
R. E com vosso espírito.
R. Et cum spiritu tuo.
   
Coleta
O celebrante, diante do missal, recita a COLETA. Breve oração que resume e apresenta a Deus os votos de toda a assembléia, votos estes sugeridos pelo mistério ou solenidade do dia
Orémus:

2 - VER MISSA DO DIA 
O Celebrante saúda a assembléia e depois acrescenta a Deus em resumo os votos e aspirações que a Santa Igreja nos sugere em razão da festa ou do mistério que celebramos.  Respondamos todos com um Amém cheio de confiança. Conclusão:
...por todos os séculos dos séculos.
R. Amém.
...per ómnia saécula saeculorum.
R. Amen








[OBS.: na Missa Tradicional as leituras e o Credo não são consideradas como um bloco ritual (“A Liturgia da Palavra”) à parte da “Ante-Missa”; separo-as adiante por didática, para facilitar a visão sinóptica dos ritos]
LITURGIA DA PALAVRA

Em seguida, o leitor vai ao ambão e lê a PRIMEIRA LEITURA, que todos escutam sentados. No fim da leitura, o leitor diz:

Palavra do Senhor.


Todos respondem com a aclamação:

Graças a Deus.

O salmista ou cantor canta ou recita o SALMO, ao qual o povo responde com o refrão.

A seguir, se há uma SEGUNDA LEITURA antes do Evangelho, o leitor lê-a no ambão, como se disse acima.

No fim da leitura, o leitor diz:

Palavra do Senhor.

Todos respondem com a aclamação:

Graças a Deus.

[Sempre há um salmo distinto do aleluia ou do canto antes do Evangelho (na Quaresma); os 3 ciclos dominicais e os 2 feriais também são novidades da reforma]

Segue-se o ALELUIA ou outro cântico.

Entretanto, o sacerdote, se se usa o incenso, impõe incenso no turíbulo.
Em seguida, o diácono que tiver de proclamar o EVANGELHO, inclinado diante do sacerdote, pede a bênção em voz baixa, dizendo:

A vossa bênção.

O sacerdote, em voz baixa, diz:

O Senhor esteja no teu coração e nos teus lábios, para anunciares dignamente o seu Evangelho: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

O diácono benze-se e responde:

Amen.

Se um presbítero tiver de proclamar o Evangelho numa celebração presidida pelo Bispo, pedirá a bênção do mesmo modo que o diácono.

Se não houver diácono, o sacerdote, inclinado diante do altar, diz em silêncio:

Deus todo-poderoso, purificai o meu coração e os meus lábios, para que eu anuncie dignamente o vosso santo Evangelho.


A seguir, o diácono ou o sacerdote, dirige-se para o ambão, acompanhado dos acólitos que podem levar o incenso e os círios, e diz:
                              
O Senhor esteja convosco.

O povo responde:

Ele está no meio de nós.

O diácono ou o sacerdote diz:

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São N.

e, ao mesmo tempo, faz o sinal da cruz sobre o livro e depois sobre si mesmo na fronte, na boca e no peito; e o mesmo fazem todos os demais.

O povo aclama:

Glória a Vós, Senhor.

A seguir, o diácono ou o sacerdote, quando se usar o incenso, incensa o livro e proclama o EVANGELHO.

Terminado o Evangelho, o diácono ou o sacerdote diz:

Palavra da salvação.

O povo responde com a aclamação:

Glória a Vós, Senhor.

Em seguida, beija o livro, dizendo em silêncio:

Por este santo Evangelho, perdoai-nos, Senhor.

Depois, segue-se a HOMILIA que deve ser feita todos os domingos e festas de preceito, e é recomendada nos outros dias.

Terminada a homilia, guardam-se, conforme as circunstâncias, alguns momentos de silêncio.







Em seguida, faz-se a PROFISSÃO DE FÉ, segundo as rubricas:

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus.

Todos se inclinam às palavras: E encarnou ... e Se fez homem.

E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e Se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai. De novo há-de vir em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos Profetas. Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professo um só baptismo para remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos, e a vida do mundo que há-de vir. Amen.

Em vez do Símbolo niceno-constantinopolitano, sobretudo no Tempo da Quaresma e no Tempo da Páscoa, pode dizer-se o chamado Símbolo dos Apóstolos.

Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor,

Todos se inclinam às palavras: que foi concebido ... nasceu da Virgem Maria.

que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos Céus; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, de onde há-de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na santa Igreja Católica; na comunhão dos Santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; na vida eterna. Amen.










  


Segue-se a ORAÇÃO UNIVERSAL ou ORAÇÃO DOS FIÉIS, que se realiza do seguinte modo:


Início

O sacerdote convida os fiéis à oração com uma breve admonição inicial.

Intenções

As intenções são propostas por um diácono ou um leitor ou outra pessoa idónea. O povo exprime a sua participação ou com uma invocação ou rezando em silêncio. Normalmente a ordem das intenções é a seguinte:
a) pelas necessidades da Igreja;
b) pelas autoridades civis e pela salvação do mundo;
c) por aqueles que sofrem dificuldades;
d) pela comunidade local.

Conclusão

O sacerdote termina com uma oração conclusiva.

[Obs.: a reinserção da Oração Universal foi expressamente ordenada pela Sacrosanctum Concilium; na reforma, ficou totalmente delegado à criatividade do sacerdote e da comunidade: ainda que haja alguns formulários de preces, eles não são obrigatórios]
Epístola

No decorrer do ano litúrgico, a Igreja vai-nos lendo os mais belos passos dos Profetas e os princípios basilares da doutrina dos Apóstolos.
 3 - VER MISSA DO DIA 

– Nas Missas solenes, a Epístola é cantada pelo Subdiácono. Nas rezadas responde-se no fim.
R. Graças a Deus
R. Deo grátias

Gradual, Aleluia, Tracto
O Gradual compõe-se geralmente de alguns versículos dum salmo que era outrora cantado por inteiro pelos cantores e pela assembléia. No Tempo Pascal, o Gradual é substituído por um Aleluia. – Aleluia é, em hebreu, uma espécie de interjeição de alegria. E de fato a melodia dos nossos Aleluias é uma explosão de júbilo, único modo que a alma, nesses momentos de dulcificante altura espiritual, encontra para se dirigir a Deus. Junta-se-lhe um versículo do salmo. – Durante a Septuagésima e a Quaresma, o Aleluia é substituído pelo Tracto.

[Não há uma segunda leitura na Missa Tradicional, ou, melhor, a leitura do Antigo Testamento]



4 - VER MISSA DO DIA 


  
O Evangelho do Mestre
Antes de ler ou cantar o Evangelho, o Celebrante diz a oração « Munda cor meum » e pede a Deus que o abençoe. – Nas Missas solenes é o Diácono que canta o Evangelho. Recita o « Munda cor » e pede a benção ao Celebrante. Nas Missas de Defuntos diz-se o « Munda cor », mas omite-se a benção.

Senhor onipotente, purificai o meu coração e os meus lábios, Vós que purificastes os lábios do Profeta Isaías com um carvão em brasa. E dignai-Vos por tal modo purificar-me com a Vossa misericórdia, que possa dignamente anunciar o Vosso Santo Evangelho. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amen.

Senhor, abençoai-me.
Que o Senhor resida no meu coração e nos meus lábios, para que anuncie digna e convenientemente o Seu Evangelho. Amén.

Munda cor meum ac lábia mea, omnípotens Deus, qui lábia Isaíae prophétae cálculo mundásti igníto: ita me tua grata miserratióne dignáre mundáre, ut sanctum evangélium tuum digne váleam nuntiáre. Per Christum Dómine nostrum. Amem. 



Jube, Dómine, bene, benedicere.
Dominus sit in corde meo et in labiis meis: ut digne et competenter annuntiem evangelium suum. Amen.


 A leitura ou o canto do Evangelho, que nos recorda sempre um episódio da vida ou um ponto de doutrina do Salvador, rodeia-se de certa solenidade. A assembléia conserva-se de pé, por veneração e respeito para com a palavra de Deus. Nas Missas solenes organiza-se uma pequena procissão. Incensa-se o Livro dos Evangelhos e acompanha-se com círios acesos. – Às primeiras palavras - Sequentia, etc. faz-se o sinal da cruz na testa, na boca e no peito.
O Senhor seja convosco
Dominus vobiscum.
R. E com vosso espírito.
R. Et cum spiritu tuo.
Seqüência do santo Evangelho X segundo ....
R. Glória a Vós, Senhor.
Sequéntia sancti Evangélii X secúndum ....
R. Glória tibi, Dómine


5 - VER MISSA DO DIA 

 No fim, responde-se:
R. Louvor a vós, ó Cristo!
R. Laus tibi, Christe











O celebrante beija o sagrado texto, dizendo:

Que pelas palavras do Evangelho nos sejam perdoados os pecados.
Per evangelica dicta deleantur nostra delicta.

Segue-se a Homilia, ou explicação da Palavra de Deus.


Credo
A história deste Credo, que chamam de Nicéia, é uma brilhante afirmação de fé contra as heresias que a Igreja teve de defrontar no decorrer dos séculos. É o símbolo triunfante da nossa fé. Diz-se aos Domingos, nas festas dos Apóstolos e dos Doutores da Igreja, e em certas festas mais solenes.

CREIO em um só Deus.
Pai, todo poderoso, criador do Céu e da Terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho unigênito de Deus.
Nascido do Pai, antes de todos os séculos.
Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.

Gerado, não feito, consubstancial ao Pai, por meio de Quem foram feitas todas as coisas.
Que por causa de nós, homens, e por causa de nossa salvação desceu dos Céus.
(todos se ajoelham) E SE ENCARNOU POR OBRA DO ESPÍRITO SANTO, EM MARIA VIRGEM, E SE FEZ HOMEM.

Também por amor de nós foi crucificado, sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras.
Subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai.
Donde virá de novo, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos e cujo reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho.
Que com o Pai e com o Filho é igualmente adorado e glorificado: ele o que falou pelos profetas.
Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica.
Professo um só Batismo, para a remissão dos pecados.
Espero a ressurreição dos mortos.
E a vida X do século futuro. Amém.
CREDO in unum Deum.
Patrem omnipotentem, factorem coeli et terræ, | visibilium omnium et invisibilium.
Et in unum Dominum Jesum Christum, | Filium Dei unigenitum.
Et ex Patre natum ante omnia sæcula.
Deum de Deo, lumen de lumine, | Deum verum de Deo vero.
Genitum, non factum, | consubstantialem Patri: | per quem omnia facta sunt.
Qui propter nos homines, | et propter nostram salutem descendit de coelis.
(hic genuflectitur – aqui se ajoelha) ET INCARNATUS EST DE SPIRITU SANCTO EX MARIA VIRGINE: | ET HOMO FACTUS EST.
Crucifixus etiam pro nobis: | sub Pontio Pilato passus, et sepultus est.
Et resurrexit tertia die, secundum Scripturas.
Et ascendit in coelum: sedet ad dexteram Patris.
Et iterum venturus est cum gloria judicare vivos et mortuos: | cujus regni non erit finis.
Et in Spiritum Sanctum, Dominum et vivificantem: qui ex Patre, Filioque procedit.
Qui cum Patre, et Filio simul adoratur et conglorificatur: qui locutus est per Prophetas.
Et unam, sanctam, catholicam et apostolicam Ecclesiam.
Confiteor unum baptisma in remissionem peccatorum.
Et exspecto resurrectionem mortuorum.
Et vitam X venturi sæculi. Amen.


[Obs.: Na Missa Tradicional, a “oração universal” ou “oração dos fiéis” ficou conservada apenas na Sexta-Feira da Paixão, sendo reintroduzida na recente reforma]

[Hipótese teológica: o desenvolvimento litúrgico teria ido na linha de identificar cada vez mais a prece dos fiéis com a Prece de Cristo na Cruz, de modo a não ver motivos para distingui-las na Missa; tanto assim, que a celebração da Sexta da Paixão, que conservou a “oração universal”, não é Missa, não tendo, portanto, “oração eucarística” ou “sacrifício”, havendo, assim, mais sentido em fazer a prece dos fiéis]
LITURGIA EUCARÍSTICA
[novo nome do “Sacrifício” da Missa Tradiconal]

Terminada a Oração Universal, canta-se o CÂNTICO DO OFERTÓRIO. Entretanto, os ministros colocam no altar o corporal, o sanguinho, o cálice e o Missal.

Convém que os fiéis manifestem a sua participação, apresentando o pão e o vinho para a celebração da Eucaristia, e mesmo outros dons para ocorrer às necessidades da Igreja e dos pobres.

[O novo ofertório ou “apresentação dos dons” acentua o elemento da fecundidade da terra e da laboriosidade humanas, ausente no ofertório tradicional; a Missa se desenvolveu -como no caso das preces- para a consciência da unidade do Sacrifício de Cristo e dos fiéis, e o ofertório tradicional antecipa no sentido de esclarecer o Sacrifício do Cânon: ele diz explicitamente o que acontece na Missa, tendo em vista a unidade da mesma e do sacrifício espiritual dos fiéis que se faz unido ao Sacrifício incruento de Cristo, e tendo em vista também as necessidades catequéticas do católico moderno, que tem tanto o Protestantismo (negador do Sacrifício da Missa), quanto o Secularismo (exaltador da bondade da criação e do esforço humano) à espreita]


O sacerdote, junto do altar, toma a patena com o pão e, elevando-a um pouco acima do altar, diz em silêncio:


Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão que recebemos da vossa bondade, fruto da terra e do trabalho do homem, que hoje Vos apresentamos e que para nós se vai tornar Pão da vida.

[Nos dois casos, do pão e do vinho, a tradução exata do latim original seria “vos oferecemos”, mas mesmo assim o sentido é diverso do ofertório tradicional]

Em seguida, depõe a patena com o pão sobre o corporal.

Se não houver cântico do ofertório, o sacerdote pode proferir estas palavras em voz alta. No fim o povo pode aclamar:

Bendito seja Deus para sempre.

O diácono ou o sacerdote deita vinho e um pouco de água no cálice, dizendo em silêncio:

Pelo mistério desta água e deste vinho sejamos participantes da divindade d’Aquele que assumiu a nossa humanidade.


















  





Em seguida, o sacerdote toma o cálice e, elevando-o um pouco acima do altar, diz em silêncio:

Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo vinho que recebemos da vossa bondade, fruto da videira e do trabalho do homem, que hoje Vos apresentamos e que para nós se vai tornar Vinho da salvação.

Em seguida, depõe o cálice sobre o corporal.

Se não houver cântico do ofertório, o sacerdote pode proferir estas palavras em voz alta. No fim o povo pode aclamar:

Bendito seja Deus para sempre.

A seguir, o sacerdote inclina-se e diz em silêncio:

De coração humilhado e contrito sejamos recebidos por Vós, Senhor. Assim o nosso sacrifício seja agradável a vossos olhos.





Depois, eventualmente, incensa as oblatas e o altar.

A seguir, o diácono ou o ministro incensa o sacerdote e o povo.







Em seguida, o sacerdote, estando ao lado do altar, lava as mãos, dizendo em silêncio:

Lavai-me, Senhor, da minha iniquidade e purificai-me do meu pecado.





































































Depois, estando ao meio do altar e, voltado para o povo, abrindo e juntando as mãos, diz:

Orai, irmãos, para que o meu e vosso sacrifício seja aceite por Deus Pai todo-poderoso.

O povo responde:
  
Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para glória do seu nome, para nosso bem e de toda a santa Igreja.








Em seguida, de braços abertos, o sacerdote diz a ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS.

A conclusão da oração sobre as oblatas é como a das colectas.

No fim, o povo aclama:

Amen.

SEGUNDA PARTE: SACRIFÍCIO
OFERTÓRIO
Preparação para o Sacrifício

Com o Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito. O celebrante volta-se ao povo com esta saudação:
O Senhor seja convosco
Dominus vobiscum.
R. E com vosso espírito.
R. Et cum spiritu tuo.
Orémus:
Segue-se em voz baixa.
 6 - VER MISSA DO DIA 
O Celebrante lê a Antífona do Ofertório, vestígio de um cântico que se executava outrora durante a procissão das oferendas. Esta procissão era constituída por todos os fiéis presentes, que levavam ao Sacerdote pão, vinho e outros dons, símbolos da oblação que fazia cada um de si mesmo. – Todas as orações do Ofertório exprimem este sentimento de oblação. Nas Missas dialogadas a assembléia pode recitar em português estas Antífonas.

[Tanto o pão quanto o vinho já eram oferecidos tendo em vista o sacrifício de Cristo da Cruz, renovado incruentamente no Cânon da Missa, não eram nem um ofertório que tivesse valor por si próprio, nem uma espécie de pré-santificação ou bênção do sacerdote agindo com seu poder de bendizer ou abençoar, como o atual ofertório]

Ofertório do pão e do vinho
O Celebrante oferece o pão e coloca-o na patena. Coloquemo-nos também na patena, hóstias pequenas à beira da grande, ofereçamo-nos com ela ao Senhor. Ofereçamo-nos sim, e não retiremos dela, durante o dia, nehuma partícula da nossa oblação. Oferecimento do pão:
Recebei, santo Pai, onipotente e eterno Deus, esta hóstia imaculada, que eu vosso indigno servo, vos ofereço, ó meu Deus, vivo e verdadeiro, por meus inumeráveis pecados, ofensas, e negligências, por todos os que circundam este altar, e por todos os fiéis vivos e falecidos, afim de que, a mim e a eles, este sacrifício aproveite para a salvação na vida eterna. Amém
Suscipe, sancte Pater, omnipotens æterne Deus, hanc immaculatam hostiam, quam ego indignus famulus tuus offero tibi, Deo meo vivo et vero, pro innumerabilibus peccatis, et offensionibus, et negligentiis meis, et pro omnibus circumstantibus, sed et pro omnibus fidelibus Christianis vivis atque defunctis: ut mihi, et illis proficiat ad salutem in vitam æternam. Amen.

Ao lado direito do altar, o celebrante deita vinho no cálice, a que mistura umas gotas de água, dizendo a seguinte oração:

Ó Deus, X que maravilhosamente criastes em sua dignidade a natureza humana e mais prodigiosamente ainda a restaurastes, concedei-nos, que pelo mistério desta água e deste vinho, sermos participantes da divindade daquele que se dignou revestir-se de nossa humanidade, Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor Nosso, que sendo Deus convosco vive e reina em união com o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Deus, X qui humanæ substantiæ dignitatem mirabiliter condidisti, et mirabilius reformasti: da nobis per hujus aquæ et vini mysterium, ejus divinitatis esse consortes, qui humanitatis nostræ fieri dignatus est particeps, Jesus Christus Filius tuus Dominus noster: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus: per omnia sæcula sæculorum. Amen.


[Esta bela oração já louvava a Deus pelo criação e a dignidade humana intrínseca, de uma forma muito mais bela e teologicamente mais exata que as novas fórmulas]

No meio do altar, o celebrante faz o oferecimento do cálice:
Nós vos oferecemos Senhor, o cálice da salvação, suplicando a vossa clemência. Que ele suba qual suave incenso à presença de vossa divina majestade, para salvação nossa e de todo o mundo. Amém.
Offerimus tibi, Domine, calicem salutaris, tuam deprecantes clementiam: ut in conspectu divinæ maiestatis tuæ, pro nostra et totius mundi salute, cum odore suavitatis ascendat. Amen.





Depois, inclinando-se diz:

Em espírito de humildade e coração contrito, sejamos por vós acolhidos, Senhor. E assim se faça hoje este nosso sacrifício em vossa presença, de modo que vos seja agradável, ó Senhor Nosso Deus.
In spiritu humilitatis et in animo contrito suscipiamur a te, Domine: et sic fiat sacrificum nostrum in conspectu tuo hodie, ut placeat tibi, Domine Deus.


Invoca o Espírito Santo e abençoa as oferendas:
Vinde, ó Santificador, onipotente e eterno Deus e, abençoai X este sacrifício preparado para glorificar o vosso santo nome
Veni, Sanctificator, omnipotens æterne Deus: et benedic X hoc sacrificum, tuo sancto nomini præparatum.


O celebrante vai à direita do altar e lava as mãos, dizendo os seguintes versículos do salmo 25:

Lavo as minhas mãos entre os inocentes, e me aproximo do vosso altar, ó Senhor.
LAVABO inter innocentes manus meas: et circumdabo altare tuum, Domine.
Para ouvir o cântico dos vossos louvores, e proclamar todas as vossas maravilhas.
Ut audiam vocem laudis: et enarrem universa mirabila tua.
Eu amo, Senhor, a beleza da vossa casa, e o lugar onde reside a vossa glória.
Domine, dilexi decorem domus tuæ: et locum habitationis gloriæ tuæ.
Não me deixeis, ó Deus, perder a minha alma com os ímpios, nem a minha vida com os sanguinários.
Ne perdas cum impiis, Deus, animam meam: et cum viris sanguinum vitam meam.
Em suas mãos se encontram iniquidades, sua direita está cheia de dádivas.
In quorum manibus iniquitates sunt: dextera eorum repleta est muneribus.
Eu porém, tenho andado na inocência. Livrai-me, pois, e tende piedade de mim.
Ego autem in innocentia mea ingressus sum: redime me, et miserere mei.
Meus pés estão firmes no caminho reto. Eu te bendigo, Senhor, nas assembléias dos justos.
Pes meus stetit in directo: in ecclesiis benedicam te, Domine.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos, Amém.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio, et nunc, et semper: et in sæcula sæculorum. Amen.
Inclinado, ao meio do altar, o celebrante diz a Oração à Santíssima Trindade:
Recebei, ó Trindade Santíssima, esta oblação, que vos oferecemos em memória da Paixão, Ressurreição e Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, e em honra da bem-aventurada e sempre Virgem Maria, de são João Batista, dos santos apóstolos Pedro e Paulo, e de todos os Santos; para que, a eles sirva de honra e a nós de salvação, e eles se dignem interceder no céu por nós que na terra celebramos sua memória. Pelo mesmo Cristo, Senhor Nosso. Amém.
Suscipe, sancta Trinitas, hanc oblationem, quam tibi offerimus ob memoriam passionis, resurrectionis, et ascensionis Jesu Christi, Domini nostri, et in honorem beatæ Mariæ semper Virginis, et beati Ioannis Baptistæ, et sanctorum apostolorum Petri et Pauli, et istorum, et omnium sanctorum: ut illis proficiat ad honorem, nobis autem ad salutem: et illi pro nobis intercedere dignentur in cælis, quorum memoriam agimus in terris. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.
  
O Celebrante volta-se para os fiéis e convida-os a que orem com ele para que Deus Se digne aceitar-lhes o sacrifício comum :

Orai irmãos, para que este sacrifício, que também é vosso, seja aceito e agradável a Deus Pai Onipotente

Orate fratres, ut meum ac vestrum sacrificium acceptabile fiat apud Deum Patrem omnipotentem.
R. Receba, o Senhor, de vossas mãos este sacrifício, para louvor e glória de seu nome, para nosso bem e de toda a sua santa Igreja.
R. Suscipiat Dominus sacrificium de manibus tuis | ad laudem et gloriam nominis sui, | ad utilitatem quoque nostram, totiusque Ecclesiæ suæ sanctæ.
Amém.
Amen.


Secreta
Depois diz a Secreta:
7 - VER MISSA DO DIA
– A Secreta diz-se, como o nome indica, em secreto. No entanto, para que os fiéis possam corroborar com um amém a toda a ação do Ofertório que terminou, o Celebrante conclue em voz alta:
...por todos os séculos dos séculos.
R. Amém.
...per ómnia saécula saeculorum.
R. Amen
ORAÇÃO EUCARÍSTICA
[como se chama agora o CÂNON, que foi multiplicado: são 3 oficiais, e foi facultada às conferências episcopais a elaboração de outras orações eucarísticas]

Depois, o sacerdote começa a ORAÇÃO EUCARÍSTICA. Abrindo os braços diz:

O Senhor esteja convosco.

O povo responde:

Ele está no meio de nós.

Elevando as mãos, o sacerdote continua:

Corações ao alto.

O povo responde:

O nosso coração está em Deus.

De braços abertos, o sacerdote acrescenta:

Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

O povo responde:

É nosso dever, é nossa salvação.

O sacerdote continua o PREFÁCIO de braços abertos.
[há uma grande variedade de novos prefácios; colocarei dois exemplos do missal de Portugal: o Prefácio Pascal I (“O mistério pascal”) e o Prefácio do Tempo Comum I (“O mistério pascal e o Povo de Deus”)]
Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação que sempre Vos louvemos, mas com maior solenidade [nesta noite – dia – tempo], em que Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. Ele é o Cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo: morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida.

Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória, cantando numa só voz:

____________

Ou

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo, nosso Senhor.

Pelo seu mistério pascal, Ele realizou a obra admirável de nos chamar do pecado e da morte à glória de geração escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo resgatado, a fim de que, libertos do poder das trevas para a claridade da vossa luz, anunciemos por toda a parte as vossas maravilhas.
Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:
____________

No fim junta as mãos e conclui o prefácio, cantando ou recitando em voz alta com o povo:

Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo. O céu e a terra proclamam a vossa glória. Hossana nas alturas. Bendito O que vem em nome do Senhor. Hossana nas alturas.

Em todas as Missas, o sacerdote celebrante pode cantar as partes da Oração Eucarística que nas Missas concelebradas podem ser cantadas.

Na Oração Eucarística I, ou Cânone Romano, podem omitir-se as partes que aparecem entre parêntesis.



ORAÇÃO EUCARÍSTICA I 
OU CÂNON ROMANO

O sacerdote, de braços abertos, diz:

Pai de infinita misericórdia, humildemente Vos suplicamos, por Jesus Cristo, vosso Filho, nosso Senhor,

Junta as mãos e diz:

que Vos digneis aceitar

Traça o sinal da cruz, uma só vez, simultaneamente sobre o pão e o cálice, dizendo:

e abençoar estes dons, esta oblação pura e santa.

De braços abertos continua:

Nós Vo-la oferecemos pela vossa Igreja santa e católica: dai-lhe a paz e congregai-a na unidade, defendei-a e governai-a em toda a terra em comunhão com o vosso servo o Papa N., o nosso Bispo N. .

Também se podem mencionar os Bispos Coadjutores e Auxiliares.

e todos os Bispos que são fiéis à verdade e professam a fé católica e apostólica.



COMEMORAÇÃO DOS VIVOS
Lembrai-Vos, Senhor, dos vossos servos e servas N. e N.

Junta as mãos e ora alguns momentos por aqueles que quer recordar

Depois, de braços abertos, continua:

e de todos os que estão aqui presentes, cuja fé e dedicação ao vosso serviço bem conheceis. Por eles nós Vos oferecemos e também eles Vos oferecem este sacrifício de louvor por si e por todos os seus, pela redenção das suas almas, para a salvação e segurança que esperam, ó Deus eterno, vivo e verdadeiro.




Comemoração dos santos
Em comunhão com toda a Igreja, veneramos a memória da gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe do nosso Deus e Senhor, Jesus Cristo, * e também a de São José, seu esposo, e a dos bem-aventurados Apóstolos e Mártires: Pedro e Paulo, André, [Tiago, João, Tomé, Tiago, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Simão e Tadeu; Lino, Cleto, Clemente, Sixto, Cornélio, Cipriano, Lourenço, Crisógono, João e Paulo, Cosme e Damião] e de todos os Santos. Por seus méritos e orações, concedei-nos, em tudo e sempre, auxílio e protecção. [Por Cristo, nosso Senhor. Amen.]
















De braços abertos, continua:

Aceitai benignamente, Senhor, a oblação que nós, vossos servos, com toda a vossa família, Vos apresentamos. Dai a paz aos nossos dias, livrai-nos da condenação eterna e contai-nos entre os vossos eleitos. Junta as mãos. [Por Cristo, nosso Senhor. Amen.]





  
Estendendo as mãos sobre as oblatas, diz:

Santificai, Senhor, esta oblação com o poder da vossa bênção e recebei-a como sacrifício espiritual perfeito, de modo que se converta para nós no Corpo e Sangue de vosso amado Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Junta as mãos.











Nas fórmulas que se seguem, as palavras do Senhor devem pronunciar-se clara e distintamente, como o requer a natureza das mesmas palavras.

Na véspera da sua paixão,

Toma o pão e, sustentando-o um pouco elevado sobre o altar, continua:

Ele tomou o pão em suas santas e adoráveis mãos

Eleva os olhos.

e, levantando os olhos ao céu, para Vós, Deus, seu Pai todo-poderoso, dando graças, abençoou-o, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo:

Inclina-se um pouco.

TOMAI, TODOS, E COMEI:
ISTO É O MEU CORPO,
QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.

Mostra ao povo a hóstia consagrada, coloca-a sobre a patena e genuflecte em adoração. Depois continua:
  

De igual modo, no fim da Ceia,

Toma o cálice e, sustentando-o um pouco elevado sobre o altar, continua:

tomou este sagrado cálice em suas santas e adoráveis mãos e, dando graças, abençoou-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo:

Inclina-se um pouco.


TOMAI, TODOS, E BEBEI: ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA,
QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR TODOS, PARA REMISSÃO DOS PECADOS. FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM. [No original “por muitos” e não “por todos”]

Mostra ao povo o cálice, coloca-o sobre o corporal e genuflecte em adoração. Em seguida, diz:

Eis o Mistério da fé!

O povo aclama, dizendo [as 2 alternativas são do Missal brasileiro]:

Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!

Ou Todas as vezes que comemos deste pão
E bebemos deste cálice,
anunciamos, Senhor, a vossa morte,
enquanto esperamos a vossa vinda!

Ou Salvador do mundo, salvai-nos, Vós que nos libertastes pela cruz e ressurreição.

[Os novos destaques parecem dar a entender que as palavras da consagração (a “forma”, na teologia clássica) começam no “Tomai e comei...”, incluem o “que será entregue por vós” na consagração do pão, e vão até “Fazei isto em memória de mim”: com isto acentua-se: a) a comunhão; b) a celebração memorial. Ao ser deslocado o “Mistério da Fé” para o final da consagração, este deixa de referir-se diretamente à redenção significada pela consagração do vinho em sangue, e diz respeito agora a toda a celebração memorial cujo ápice é a consagração].


Depois, o sacerdote, de braços abertos, diz:

Celebrando agora, Senhor, o memorial da bem-aventurada paixão de Jesus Cristo, vosso Filho, nosso Senhor, da sua ressurreição de entre os mortos e da sua gloriosa ascensão aos Céus, nós, vossos servos, com o vosso povo santo, dos próprios bens que nos destes oferecemos à vossa divina majestade o sacrifício perfeito, santo e imaculado, o pão santo da vida eterna e o cálice da eterna salvação.







  


Olhai com benevolência e agrado para esta oferenda e dignai-Vos aceitá-la como aceitastes os dons do justo Abel, vosso servo, o sacrifício de Abraão, nosso pai na fé, e a oblação pura e santa do sumo sacerdote Melquisedec.



  




Inclinado e de mãos juntas, continua:

Humildemente Vos suplicamos, Deus todo-poderoso, que esta nossa oferenda seja apresentada pelo vosso santo Anjo no altar celeste, diante da vossa divina majestade, para que todos nós, participando deste altar pela comunhão do santíssimo Corpo e Sangue do vosso Filho,




Ergue-se e, benzendo-se, continua:

alcancemos a plenitude das bênçãos e graças do Céu. Junta as mãos. [Por Cristo, nosso Senhor. Amen.]



  
COMEMORAÇÃO DOS DEFUNTOS
De braços abertos, diz:

Lembrai-vos, Senhor, dos vossos servos e servas N. e N., que partiram antes de nós marcados com o sinal da fé e agora dormem o sono da paz.

Junta as mãos e ora uns momentos pelos defuntos que quer recordar.
Depois, de braços abertos, continua:

Concedei-lhes, Senhor, a eles e a todos os que descansam em Cristo, o lugar da consolação, da luz e da paz.

Junta as mãos.

[Por Cristo, nosso Senhor. Amen.]

Bate com a mão direita no peito dizendo:

E a nós, pecadores, que esperamos na vossa infinita misericórdia,

De braços abertos, continua:

admiti-nos também na assembleia dos bem-aventurados Apóstolos e Mártires: João Baptista, Estêvão, Matias, Barnabé [Inácio, Alexandre, Marcelino, Pedro, Felicidade, Perpétua, Águeda, Luzia, Inês, Cecília, Anastácia] e de todos os Santos. Recebei-nos em sua companhia, não pelo valor dos nossos méritos, mas segundo a grandeza do vosso perdão.

Junta as mãos.

[Por Cristo, nosso Senhor. Amen.]

E continua:

Por Cristo, nosso Senhor, criais todos os bens e lhes dais vida, os santificais, abençoais e distribuís por nós.










Toma o cálice e a patena com a hóstia e, elevando-os, diz:

Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a Vós, Deus Pai todo-poderoso na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória agora e para sempre.

O povo aclama:
Amen.






RITOS DA COMUNHÃO

Tendo colocado o cálice e a patena sobre o altar, o sacerdote, de mãos juntas, diz:






Fiéis aos ensinamentos do Salvador, ousamos dizer:

Abre os braços e, juntamente com o povo, continua [Na Missa Tridentina é o padre que reza a oração]:

Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação; mas livrai-nos do mal.
   





De braços abertos, o sacerdote diz sozinho:

Livrai-nos de todo o mal, Senhor, e dai ao mundo a paz em nossos dias, para que, ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e de toda a perturbação, enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador.

Junta as mãos.

O povo conclui a oração, aclamando:

Vosso é o reino e o poder e a glória para sempre.

















Em seguida, o sacerdote, de braços abertos, diz em voz alta:

Senhor Jesus Cristo, que dissestes aos vossos Apóstolos: Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz: não olheis aos nossos pecados mas à fé da vossa Igreja e dai-lhe a união e a paz, segundo a vossa vontade,

[Esta oração foi deslocada do fim do Cordeiro para este lugar, na Missa nova]

Junta as mãos.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

O povo responde:

Amen.

O sacerdote, voltado para o povo, estendendo e juntando as mãos, diz:

A paz do Senhor esteja sempre convosco. O povo responde: O amor de Cristo nos uniu. Em seguida, conforme as circunstâncias, o diácono ou o sacerdote acrescenta: Saudai-vos na paz de Cristo.

E todos se saúdam, segundo os costumes locais, em sinal de mútua paz e caridade. O sacerdote saúda o diácono ou o ministro.

[Este rito da paz foi introduzido na reforma]

Em seguida, toma a hóstia, parte-a sobre a patena e deita um fragmento no cálice, dizendo em silêncio:

Esta união do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que vamos receber, nos sirva para a vida eterna.
Entretanto, canta-se ou recita-se:











Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz.

Estas invocações podem repetir-se várias vezes, se a fracção do pão se prolongar. Contudo, na última vez diz-se: dai-nos a paz.





























Em seguida, o sacerdote, de mãos juntas, diz em silêncio:

Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, que, por vontade do Pai e com o poder do Espírito Santo, destes a vida ao mundo pela vossa morte, livrai-me de todos os meus pecados e de todo o mal, por este vosso santíssimo Corpo e Sangue; conservai-me sempre fiel aos vossos mandamentos e não permitais que eu me separe de Vós.

____________

Ou

A comunhão do vosso Corpo e Sangue, Senhor Jesus Cristo, não seja para meu julgamento e condenação, mas, pela vossa misericórdia, me sirva de protecção e remédio para a alma e para o corpo.

[Estas duas orações alternativas eram rezadas juntas na Missas Tridentina]
















O sacerdote genuflecte, toma a hóstia, levanta-a um pouco sobre a patena e, voltado para o povo, diz em voz alta:

Felizes os convidados para a Ceia do Senhor. Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

E, juntamente com o povo, acrescenta uma só vez:

Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo.

[Estas duas fórmulas estão imediatamente antes da comunhão dos fiéis, na Missa Tridentina]

Voltado para o altar, o sacerdote diz em silêncio:

O Corpo de Cristo me guarde para a vida eterna.

E comunga com reverência o Corpo de Cristo.









Em seguida, toma o cálice e diz em silêncio:

O Sangue de Cristo me guarde para a vida eterna.

E comunga com reverência o Sangue de Cristo.
































































Depois, toma a patena ou a píxide, aproxima-se dos comungantes e, elevando um pouco a hóstia, mostra-a a cada um deles dizendo:

O Corpo de Cristo (Ou Corpus Christi).

O comungante responde:

Amen.

E comunga.

O diácono procede do mesmo modo, se tiver de distribuir a Comunhão.

Para a Comunhão sob as duas espécies, segue-se o rito descrito em seu lugar próprio.

Enquanto o sacerdote comunga o Corpo de Cristo, começa-se o CÂNTICO DA COMUNHÃO.

Terminada a distribuição da Comunhão, o sacerdote ou o diácono purifica a patena sobre o cálice e o próprio cálice.

Durante a purificação, o sacerdote diz em silêncio:

O que em nossa boca recebemos, Senhor, seja por nós acolhido em coração puro, e estes dons da vida temporal se tornem remédio de vida eterna.


















Então, o sacerdote pode voltar para a sua cadeira. Se convier, podem-se guardar uns momentos de silêncio sagrado, ou recitar um salmo ou um cântico de louvor
  



Em seguida, de pé, junto da sua cadeira ou do altar, o sacerdote diz:
Oremos.

Em seguida, o sacerdote diz, de braços abertos, a ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO.

A conclusão da oração depois da comunhão é como a das colectas.

No fim da oração o povo aclama:

Amen.

CÂNON

Oblação do Sacrifício
O Cânon constitui a parte central da Missa. Com o Prefácio, começa a solene oração sacerdotal da Igreja e oblação propriamente dita do Sacrifício. Curto diálogo introdutório entre o celebrante e a assembléia desperta nas almas os sentimentos de ação de graças que convêm à celebração dos santos mistérios.
O Senhor seja convosco.
Dominus vobiscum.
R. E com o vosso espírito.
R. Et cum spiritu tuo.
Corações ao alto.
Sursum corda.
R. Temo-los para o Senhor
R. Habemus ad Dominum.
Demos graças ao Senhor, nosso Deus.
Gratias agamus Domino Deo nostro
R. É digno e justo.
R. Dignum et justum est.





Prefácio

 8 - VER MISSA DO DIA


Prefácio da SS. Trindade
Diz-se nas festas e nas Missas votivas da SS. Trindade ; em todos os Domingos do ano, menos nas festas que tiverem próprio.
É verdadeiramente digno, justo, racional e salutar, que sempre e em toda a parte Vos rendamos graças, Senhor Santo, Pai onipotente e Deus eterno ; Que sois, com o Vosso Filho Unigénito e com o Espírito Santo, um só Deus e um só Senhor, não na singularidade duma só pessoa, mas na Trindade duma só substância. Porque tudo aquilo que nos revelastes e cremos da Vossa glória, isso mesmo sentimos, sem diferença nem distinção, do Vosso Filho e do Espírito Santo, de maneira que, confessando a verdadeira e eterna Divindade, adoramos a propriedade nas Pessoas, a unidade na Essência e a igualdade na Majestade, a qual louvam os Anjos e os Arcanjos, os Querubins e os Serafins, que não cessam de cantar dizendo a uma só voz: ...
Vere dignum et justum est, aequum et salutáre, nos tibi semper et ubíque grátias ágere : Dómine sancte, Pater omnípotens, aetérne Deus : Qui cum unigénito Filio tuo et Spiritu Sancto unus es Deus, unus es Dóminus : non in uníus singularitáte persónae, sed in uníus Trinitáte substántiae. Quod enim de tua glória, revelánte te, crédimus, hoc de Fílio tuo, hoc de Spíritu Sanco sine differéntia discretiónis sentímus. Ut in confessióne verae sempiternaéque Deitátis, et in persónis propríetas, et in esséntia únitas, et in majestáte adorétur aequálitas. Quam laudant Angeli atque Archángeli, Chérubim quoque ac Séraphim: qui non cessant clamáre quotídie, una voce dicéntes: ...




Sanctus
Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus dos Exércitos. A Terra e o Céu estão cheios da Vossa glória. Hosana no mais alto dos Céus.
Bendito O que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!
Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth. Pleni sunt cæli et terra gloria tua.
Hosanna in excelsis.
Benedictus, qui venit in nomine Domini. Hosanna in excelsis.







Continuação do Cânon
O celebrante, profundamente inclinado, beija o altar e continua a grande oração sacerdotal.

A vós, Pai clementíssimo, por Jesus Cristo vosso Filho e Senhor nosso, humildemente rogamos e pedimos aceiteis e abençoeis estes X dons, estas X dádivas, estas X santas oferendas ilibadas.
Te igitur, clementissime Pater, per Jesum Christum Filium tuum, Dominum nostrum, supplices rogamus ac petimus, uti accepta habeas, et benedicas, hæc X dona, hæc X munera, hæc sancta X sacrificia illibata;


Oração por toda a Igreja, em especial pela hierarquia:

Nós Vo-los oferecemos, em primeiro lugar, pela vossa santa Igreja católica, à qual vos dignai conceder a paz, proteger, conservar na unidade e governar, através do mundo inteiro, e também pelo vosso servo o nosso Papa..., pelo nosso Bispo..., e por todos os (bispos) ortodoxos, aos quais incumbe a guarda da fé católica e apostólica.
In primis, quae tibi offérimus pro Ecclésia tua sancta cathólica: quam pacificáre, custódire, adunáre et régere dignéris toto orbe terrárum: una cum fámulo tuo Papa nostro N. et Antístite nostro N. et ómnibus orthodoxis, atque cathólicae et apostólicae fídei cultóribus.
  
Momento dos vivos:
Lembrai-vos, Senhor, de vossos servos e servas N. e N., e de todos os que aqui estão presentes, cuja fé e devoção conheceis, e pelos quais vos oferecemos, ou eles vos oferecem, este sacrifício de louvor, por si e por todos os seus, pela redenção de suas almas, pela esperança de sua salvação e de sua conservação, e consagram suas dádivas a vós, o Deus eterno, vivo e verdadeiro.
Memento, Domine, famulorum, famularumque tuarum N. et N. et omnium circumstantium, quorum tibi fides cognita est, et nota devotio, pro quibus tibi offerimus: vel qui tibi offerunt hoc sacrificium laudis pro se, suisque omnibus: pro redemptione animarum suarum, pro spe salutis, et incolumitatis suæ: tibique reddunt vota sua æterno Deo, vivo et vero.

Memória dos Santos:
Unidos na mesma comunhão, veneramos primeiramente a memória da gloriosa e sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e Senhor Nosso Jesus Cristo, e também de S. José, o Esposo da mesma Virgem, e dos vossos bem-aventurados Apóstolos e Mártires: Pedro e Paulo, André, Tiago, João e Tomé, Tiago, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Simão e Tadeu, Lino, Cleto, Clemente, Xisto, Cornélio, Cipriano, Lourenço, Crisógono, João e Paulo, Cosme e Damião, e a de todos os vossos santos. Por seus méritos e preces, concedei-nos, sejamos sempre fortalecidos com o socorro de vossa proteção. Pelo mesmo Cristo, Senhor Nosso. Amém.
Communicantes, et memoriam venerantes, in primis gloriosæ semper Virginis Mariæ, Genitricis Dei et Domini nostri Jesu Christi: sede t beáti Joseph, ejúsdem Viginis Sponsi, et beatorum Apostolorum ac Martyrum tuorum, Petri et Pauli, Andreæ, Jacobi, Joannis, Thomæ, Jacobi, Philippi, Bartholomæi, Matthæi, Simonis, et Thaddæi, Lini, Cleti, Clementis, Xysti, Cornelii, Cypriani, Laurentii, Chrysógoni,Joannis et Pauli, Cosmæ et Damiani, et omnium Sanctorum tuorum; quorum meritis precibusque concedas, ut in omnibus protectionis tuæ muniamur auxilio. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.
Estendendo as mãos sobre as oblatas, o celebrante diz:
Por isso, vos rogamos, Senhor, aceiteis favoravelmente a homenagem de servidão que nós e toda a vossa Igreja vos prestamos, firmai os nossos dias em vossa paz, arrancai-nos da condenação eterna, e colocai-nos entre os vossos eleitos. Por Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.
Hanc igitur oblationem servitutis nostræ, sed et cunctæ familiæ tuæ, quæsumus, Domine, ut placatus accipias: diesque nostros in tua pace disponas, atque ab æterna damnatione nos eripi, et in electorum tuorum jubeas grege numerari.Per Christum Dominum nostrum. Amen.


O celebrante abençoa as oblatas dizendo:
Nós vos pedimos, ó Deus, que esta oferta seja por vós em tudo, abenXçoada, aproXovada, ratifiXcada, digna e aceitável a vossos olhos, afim de que se torne para nós o CorXpo e o SanXgue de Jesus Cristo, vosso diletíssimo Filho e Senhor Nosso.
Quam oblationem tu, Deus, in omnibus, quæsumus, beneXdictam, adscriXptam, raXtam, rationabilem, acceptabilemque facere digneris: ut nobis CorXpus, et SanXguis fiat dilectissimi Filii tui Domini nostri Jesu Christi.
CONSAGRAÇÃO
Chegou o Celebrante ao momento soleníssimo da Missa. Vai renovar, sob a ordem e com as palavras de Jesus, o Sacrifício da última ceia, sacrifício que o Senhor instituiu para perpetuar de modo incruento o Sacrifício redentor do Calvário. Veneremos e adoremos o Corpo e o Sangue do Senhor, que o Sacerdote nos vai apresentar[1].

Ele, na véspera de sua paixão, tomou o pão em suas santas e veneráveis mãos, e elevando os olhos ao céu para vós, ó Deus, seu Pai onipotente, dando-vos graças, benXzeu-o, partiu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: Tomai e Comei Dele, Todos.
Qui pridie quam pateretur, accepit panem in sanctas ac venerabiles manus suas,et elevatis oculis in cælum ad te Deum Patrem suum omnipotentem, tibi gratias agens, beneXdixit, fregit, deditque discipulis suis, dicens: Accipite, et manducate ex hoc omnes.




ISTO É O MEU CORPO





« Hoc est enim Corpus meum »

Consagração do Cálice:
  
De igual modo, depois de haver ceado, tomando também este precioso cálice em suas santas e veneráveis mãos, e novamente dando-vos graças, benXzeu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: Tomai e Bebei Dele Todos.
Simili modo postquam cænatum est, accipiens et hunc præclarum Calicem in sanctas ac venerabiles manus suas: item tibi gratias agens, beneXdixit, deditque discipulis suis, dicens: Accipite, et bibite ex eo omnes

ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE, DO NOVO E ETERNO ESTAMENTO : MISTÉRIO DE FÉ : QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR MUITOS PARA REMISSÃO DOS PECADOS.


« Hic est enim Calix Sanguinis mei, novi et æterni testamenti : mysterium fidei : qui pro vobis et pro multis effundetur in remissionem peccatorum. »

Todas as vezes que isto fizerdes, fazei-o em memória de mim.
Hæc quotiescumque fecérit, in mei memóriam faciétis.




























Fórmula da oblação
O celebrante continua depois as orações do Cânon:

Por esta razão, Senhor, nós, vossos servos, com o vosso povo santo, lembrando-nos da bem-aventurada Paixão do mesmo Cristo, vosso Filho e Senhor Nosso, assim como de sua Ressurreição, saindo vitorioso do sepulcro, e de sua gloriação Ascensão aos céus, oferecemos à vossa augusta Majestade, de vossos dons e dádivas, a Hóstia X pura, a Hóstia X santa, a Hóstia X imaculada, o Pão X santo da vida eterna, e o Cálice da salvação X perpétua.
Unde et memores, Domine, nos servi tui sed et plebs tua sancta, eiusdem Christi Filii tui Domini nostri tam beatæ Passionis, nec non et ab inferis Resurrectionis, sed et in cælos gloriosæ Ascensionis: offerimus præclaræ maiestati tuæ de tuis donis ac datis, hostiam X puram, hostiam X sanctam, hostiam X immaculatam, Panem X sanctum vitæ æternæ, et Calicem X salutis perpetuæ.
Sobre estes dons, vos pedimos digneis lançar um olhar favorável, e recebê-los benignamente, assim como recebeste as ofertas do justo Abel, vosso servo, o sacrifício de Abraão, pai de nossa fé, e o que vos ofereceu vosso sumo sacerdote Melquisedeque, Sacrifício santo, Hóstia imaculada.
Supra quæ propitio ac sereno vultu respicere digneris; et accepta habere, sicuti accepta habere dignatus es munera pueri tui justi Abel, et sacrificium Patriarchæ nostri Abrahæ: et quod tibi obtulit summus sacerdos tuus Melchisedech, sanctum sacrificium, immaculatam hostiam.
Profundamente inclinado, o celebrante diz:
Suplicantes vos rogamos, ó Deus onipotente, que, pelas mãos de vosso santo Anjo, mandeis levar estas ofertas ao vosso Altar sublime, à presença de vossa divina Majestade, para que, todos os que, participando deste altar, recebermos o sacrossanto CorXpo, e SanXgue de vosso Filho, sejamos repletos de toda a bênção celeste e da Graça.Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.
Supplices te rogamus, omnipotens Deus, jube hæc perferri per manus sancti Angeli tui in sublime altare tuum, in conspectu divinæ majestatis tuæ: ut quoquot ex hac altaris partecipatione sacrosanctum Filii tui CorXpus, et SanXguinem sumpserimus, omni benedictione cælesti et gratia repleamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

Momento dos defuntos:

Lembrai-vos, também, Senhor, de vossos servos e servas (NN. e NN.), que nos precederam, marcados com o sinal da fé, e agora descansam no sono da paz.
A estes, Senhor, e a todos os mais que repousam em Jesus Cristo, nós vos pedimos, concedei o lugar do descanso, da luz e da paz. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém
Memento etiam, Domine, famulorum famularumque tuarum N. et N. qui nos præcesserunt cum signo fidei, et dormiunt in somno pacis.
Ipsis, Domine, et omnibus in Christo quiescentibus, locum refrigerii, lucis et pacis, ut indulgeas, deprecamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.




O celebrante bate no peito, dizendo:

Também a nós, pecadores, vossos servos, que esperamos na vossa infinita misericórdia, dignai-vos conceder um lugar na comunidade de vossos santos Apóstolos e Mártires: João, Estevão, Matias, Barnabé, Inácio, Alexandre, Marcelino, Pedro, Felicidade, Perpétua, Águeda, Luzia, Inês, Cecília, Anastácia, e com todos os vossos Santos. Unidos a eles pedimos, vos digneis receber-nos, não conforme nossos méritos mas segundo a vossa misericórdia.Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.
Nobis quoque peccatoribus, famulis tuis, de multitudine miserationum tuarum sperantibus, partem aliquam, et societatem donare digneris, tuis sanctis Apostolis et Martyribus: cum Joanne, Stephano, Matthia, Barnaba, Ignatio, Alexandro, Marcellino, Petro, Felicitate, Perpetua, Agatha, Lucia, Agnete, Cæcilia, Anastasia, et omnibus Sanctis tuis: intra quorum nos consortium non æstimator meriti, sed veniæ, quæsumus, largitor admitte. Per Christum Dominum nostrum.

DOXOLOGIA FINAL

Por Ele, ó Senhor, sempre criais, santiXficais, viviXficais, abenXçoais, e nos concedeis todos estes bens.
Per quem hæc omnia Domine, semper bona creas, sanctiXficas, viviXficas, beneXdicis, et præstas nobis.
Por XEle, com XEle e XNele, a Vós, Deus Pai X onipotente, na unidade do XEspírito Santo, toda a honra e toda a glória
Per X ipsum, et cum X ipso, et in X ipso, est tibi Deo Patri X omnipotenti, in unitate X Spiritus Sancti, omnis honor et gloria.
O celebrante termina em voz alta:
Por todos os séculos dos séculos
Per omnia sæcula sæculorum
R. Amém.
.R. Amen.




COMUNHÃO

Pater Noster
O Sacrifício já se ofereceu. Deus aceitou-o, deixou-se apaziguar, e vai-Se-nos dar a Si mesmo em Cristo na Santa Comunhão. O Celebrante prepara-se e recita a oração dominical, e pede a Deus que nos dê o pão de cada dia e as disposições de caridade para com Ele e o próximo indispensáveis para bem comungar. Porque receber a Sagrada Eucaristia é apertar os laços que nos unem com Jesus e com o Seu corpo místico:
OREMOS. Instruídos com estes preceitos salutares e com esta divina doutrina, ousamos dizer:
OREMUS.Præceptis salutaribus moniti, et divina institutione formati, audemus dicere:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixeis cair em tentação,
Pater noster, qui es in cælis: sanctificetur nomen tuum: adveniat regnum tuum: fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra. Panem nostrum quotibianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem,
R. Mas livrai-nos do mal.
R. Sed libera nos a malo.
  
 O celebrante diz Amen em voz baixa, e continua:

Livrai-nos de todos os males, ó Pai, passados, presentes e futuros, e pela intercessão da bem-aventurada e gloriosa sempre Virgem Maria, dos vossos bem-aventurados apóstolos, Pedro, Paulo, André e todos os Santos, dai-nos propício a paz em nossos dias, para que, por vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado, e preservados de toda a perturbação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que, sendo Deus, convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo,
Libera nos, quæsumus, Domine, ab omnibus malis, præteritis, præsentibus, et futuris: et intercedente beata et gloriosa semper Virgine Dei Genitrice Maria, cum beatis Apostolis tuis Petro et Paulo, atque Andrea, et omnibus Sanctis,  da propitius pacem in diebus nostris:  ut ope misericordiæ tuæ adiuti, et a peccato simus semper liberi, et ab omni perturbatione securi. Per eumdem Dominum nostrum Jesum Christum, Filium tuum. Qui tecum vivit et regnat in unitate Spíritus Sanctis Deus,
Por todos os séculos dos séculos.
Per ómnia saecula saeculórum.
R. Amém
R. Amen


Fração da Hóstia
Jesus « pacifica todas as coisas com o Seu sangue ». – O Celebrante divide a Hóstia em três partes, e com um pequeno bocado faz por três vezes o sinal da cruz sobre o cálice, desejando aos fiéis a paz de Cristo:
A paz X do Senhor X seja sempre conXvosco.
Pax X Domini X sit semper vobisXcum.
R. E com o vosso Espírito.
R. Et cum spiritu tuo.































Que esta união e consagração do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo aproveite para a vida eterna àqueles que dela participamos. Amém.
Hæc commixtio et consecratio Corporis et Sanguinis Domini nostri Jesu Christi fiat accipientibus nobis in vitam æternam. Amen.


Agnus Dei
O celebrante bate três vezes no peito, dizendo (Nas Missas de Defuntos o misereré nobis é substituído por dona eis réquiem e na última vez ajunta-se sempitérnam : dai-lhes o descanso eterno):
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo,
R. Tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo,
R. Tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo,
R. Dai-nos a paz.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,
R. Miserere nobis.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,
R. Miserere nobis.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,
R. Dona nobis pacem.

Inclinado, recita a oração seguinte, pela paz da Igreja,
Senhor Jesus Cristo, que dissestes aos vossos apóstolos: "Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz": não olheis os meus pecados, mas para a fé da vossa Igreja; dai-lhe, a paz e a unidade, segundo a vossa misericórdia. Vós que sendo Deus, viveis e reinais, em união com o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Domine Jesu Christe, qui dixisti Apostolis tuis: Pacem relinquo vobis, pacem meam do vobis: ne respicias peccata mea, sed fidem Ecclesiæ tuæ: eamque secundum voluntatem tuam pacificare et coadunare digneris: qui vivis et regnas Deus, per omnia sæcula sæculorum. Amen.
 [oração deslocada para o novo “rito da paz” antes do Cordeiro, na missa nova]

Preparação para a Comunhão
Inclinado sobre o altar, o celebrante recita as duas orações seguintes, como preparação imediata para a Comunhão:
Senhor Jesus Cristo, filho de Deus vivo, que por vontade do Pai, cooperando com o Espírito Santo, por vossa morte destes a vida ao mundo. Livrai-me, por este vosso sacrossanto Corpo e por vosso Sangue, de todos os meus pecados e de todos os males. E, fazei que eu observe sempre os vossos preceitos, e nunca me afaste de Vós, que, sendo Deus, viveis e reinais com Deus Pai e o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Domine Jesu Christe, Fili Dei vivi, qui ex voluntate Patris, cooperante Spiritu Sancto, per mortem tuam mundum vivificasti: libera me per hoc sacrosanctum Corpus et Sanguinem tuum ab omnibus iniquitatibus meis, et universis malis: et fac me tuis semper inhærere mandatis, et a te numquam separari permittas. Qui cum eodem Deo Patre et Spiritu Sancto vivis et regnas Deus in sæcula sæculorum. Amen.
Este vosso Corpo, Senhor Jesus Cristo, que eu, que sou indigno, ouso receber, não seja para mim causa de juízo e condenação, mas por vossa misericórdia, sirva de proteção e defesa à minha alma e ao meu corpo, e de remédio aos meus males. Vós, que sendo Deus, viveis e reinais com Deus Pai e o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Perceptio Corporis tui, Domine Jesu Christe, quod ego, indignus sumere præsumo, non mihi proveniat in judicium et condemnationem; sed pro tua pietate prosit mihi ad tutamentum mentis et corporis, et ad medelam percipiendam. Qui vivis et regnas cum Deo Patre in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia sæcula sæculorum. Amen.

Comunhão do celebrante
O celebrante genuflecte e pegando depois na sagrada Hóstia, diz:
Receberei o Pão do céu e invocarei o nome do Senhor:
Panem cælestem accipiam, et nomen Domini invocabo.
Em seguida bate três vezes no peito, dizendo:
Senhor, eu não sou digno, de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e a minha alma será salva.
Domine, non sum dignus,  ut intres sub tectum meum: sed tantum dic verbo, et sanabitur anima mea.
Faz sobre si o sinal da cruz com a sagrada Hóstia, antes de a comungar:
O Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo X guarde a minha alma para a vida eterna. Amém.
Corpus Domini nostri Jesu Christi custodiat X animam meam in vitam æternam. Amen.
Recolhe-se por uns instantes, e depois recita os seguintes versículos:
Que retribuirei ao Senhor por tudo o que me tem concedido? Tomarei o Cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor. Invocarei o Senhor louvando-O, e ficarei livre de meus inimigos.
Quid retribuam Domino pro omnibus quæ tribuit mihi?Calicem salutaris accipiam, et nomen Domini invocabo.Laudans invocabo Dominum, et ab inimicis meis salvus ero.

Toma o preciosíssimo Sangue, fazendo antes sobre si o sinal da cruz, dizendo:
O Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo X guarde a minha alma para a vida eterna. Amém.
Sanguis Domini nostri Jesu Christi X custodiat animam meam in vitam æternam. Amen.


Comunhão dos fiéis
Os fiéis, ou o acólito por eles, recitam o CONFITEOR:
Eu pecador me confesso a Deus todo-poderoso,à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado são Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado são João Batista, aos santos apóstolos são Pedro e são Paulo, a todos os Santos e a vós, Padre, porque pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras, (bate-se por três vezes no peito) por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa. Portanto, rogo à bem-aventurada Virgem Maria, ao bem-aventurado são Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado são João Batista, aos santos apóstolos são Pedro e são Paulo, a todos os Santos e a vós, Padre, que rogueis a Deus Nosso Senhor por mim.
Confiteor Deo omnipotenti, beatæ Mariæ semper Virgini, beato Michæli Archangelo, beato Joanni Baptistæ, sanctis Apostolis Petro et Paulo, omnibus Sanctis, et tibi, pater: quia peccavi nimis cogitatione, verbo, et opere:  mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Ideo precor beatam Mariam semper Virginem, beatum Michælem Archangelum, beatum Joannem Baptistam, sanctos Apostolos Petrum et Paulum, omnes Sanctos, et te, pater, orare pro me ad Dominum Deum nostrum.
  
[Este segundo Confiteor dos fiéis, imediatamente antes da comunhão, realçava paradoxalmente a distância infinita do pecador em relação ao Dom da Eucaristia, e a proximidade inefável de Deus]

Voltando-se para os fiéis, o celebrante diz:
Que Deus onipotente se compadeça de vós, e perdoando os vossos pecados, vos conduza à vida eterna.
Misereatur vestri omnipotens Deus, et dimissis peccatis vestris, perducat vos ad vitam æternam.
R. Amém.
R. Amen.
Indulgência X absolvição, e remissão dos nossos pecados, conceda-nos o Senhor onipotente e misericordioso.
Indulgentiam X absolutionem, et remissionem peccatorum nostrorum, tribuat nobis omnipotens et misericors Dominus:
R. Amém.
R. Amen.
O celebrante volta-se para o altar, genuflecte e voltando-se pra os assistentes ergue a Hóstia, dizendo:
Eis o Cordeiro de Deus; eis O que tira os pecados do mundo.
Ecce Agnus Dei, ecce qui tollit peccata mundi.
E em seguida, três vezes:
Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e a minha alma será salva.
Domine, non sum dignus, ut intres sub tectum meum: sed tantum dic verbo, et sanabitur anima mea.
[estas duas fórmulas estão depois do Cordeiro na Missa nova ]

Ao dar a cada fiel a Sagrada Comunhão, diz:
O Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo X guarde tua alma para a vida eterna. Amem.
Corpus Domini nostri Jesu Christi X custodiat animam tuam in vitam æternam. Amen.















Abluções
O celebrante purifica primeiro o cálice e depois os dedos, e toma as abluções. Enquanto isso vai dizendo:
Fazei Senhor, que com o espírito puro, conservemos o que a nossa boca recebeu. E, que desta dádiva temporal, nos venha remédio para a eternidade.
Quod ore sumpsimus, Domine, pura mente capiamus, et de munere temporali fiat nobis remedium sempiternum.
Concedei, Senhor, que vosso Corpo e vosso Sangue que recebi, me absorvam intimamente, e fazei que, restabelecido por estes puros e santos Sacramentos, não fique em mim mancha alguma de culpa. Vós, que sendo Deus, viveis e reinais com Deus Pai e o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Corpus tuum, Domine, quod sumpsi, et Sanguis, quem potavi, adhæreat visceribus meis: et præsta; ut in me non remaneat scelerum macula, quem pura et sancta refecerunt Sacramenta. Qui vivis et regnas in sæcula sæculorum. Amen.
Limpa o cálice e deixa-o, coberto, no meio do altar.

Antífona da Comunhão
O celebrante passa para o lado direito do altar, e recita a antífona da Comunhão.
[Geralmente cantada pelo coro ou assistentes durante a comunhão dos fiéis]

 9 - VER MISSA DO DIA 

O Senhor seja convosco.

Dominus vobiscum.

R. E com o vosso espírito.
R. Et cum spiritu tuo.



Pós Comunhão
Orémus:
 10 - VER MISSA DO DIA
Conclusão:
...por todos os séculos dos séculos.
R. Amém.
...per ómnia saécula saeculorum.
R. Amen
RITOS DE CONCLUSÃO

Seguem-se, se os houver, breves avisos ao povo. Em seguida faz-se a despedida. O sacerdote, voltado para o povo, abrindo os braços, diz:

O Senhor esteja convosco.

O povo responde:

Ele está no meio de nós.













O sacerdote abençoa o povo, dizendo:

Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai, Filho e X Espírito Santo. O povo responde: Amen.

Em seguida, o diácono ou o próprio sacerdote, de mãos juntas e voltado para o povo, diz:

Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

O povo responde:

Graças a Deus.
[Na Missa Tridentina, a despedida ou envio é antes da bênção final]

Em seguida, o sacerdote beija o altar em sinal de veneração, como no início. Feita a devida reverência com os ministros, retira-se.




Final da Missa
O celebrante volta ao meio do altar, beija-o, e, voltando-se para os fiéis saúda-os:
O Senhor seja convosco
Dominus vobiscum.
R. E com o vosso espírito.
R. Et cum spiritu tuo.
Ide, a Missa acabou.
Ite, Missa est.
R. Demos graças a Deus.
R. Deo gratias.
Voltando-se para o altar, recita a seguinte oração:
Seja-vos agradável, ó Trindade santa, a oferta de minha servidão, afim de que este sacrifício que, embora indigno aos olhos de vossa Majestade, vos ofereci, seja aceito por Vós, e por vossa misericórdia, seja propiciatório para mim e para todos aqueles por quem ofereci. Por Cristo Jesus Nosso Senhor. Amém.
Placeat tibi, sancta Trinitas, obsequium servitutis meæ: et præsta, ut sacrificium quod oculis tuæ maiestatis indignus obtuli, tibi sit acceptabile, mihique, et omnibus pro quibus illud obtuli, sit, te miserante, propitiabile. Per Christum Dominum nostrum. Amen.
Beija o altar, volta-se para a assistência, e dá a bênção, dizendo:
Abençoe-vos o Deus onipotente, Pai, e Filho, X e Espírito Santo.
Benedicat vos omnipotens Deus: Pater, et Filius, X et Spiritus Sanctus.
R. Amém.
R. Amen.










ÚLTIMO EVANGELHO
O celebrante passa para o lado esquerdo do altar e recita, como último Evangelho, o princípio do Evangelho de S. João:
O Senhor seja convosco.
V.Dominus vobiscum.
R. E com o vosso espírito.
R. Et cum spiritu tuo.
Início do santo Evangelho X segundo São João
Initium sancti Evangelii X secundum Joannem.
R. Glória a Vós, Senhor.
R. Gloria tibi, Domine.
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.Ele estava no princípio com Deus Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João Este veio como Testemunha para dar testemunho da luz, afim de que todos cressem por meio dele. Não era Ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Ali estava a Luz verdadeira, a que ilumina a todo o homem que vem a este mundo Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não O receberam. Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, aos que crêem no seu Nome;Os quais não nasceram do sangue, nem do desejo da carne, nem da vontade do homem, mas nasceram de Deus. (ajoelha-se) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, glória própria do Filho Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
In principio erat Verbum et Verbum erat apud Deum, et Deus erat Verbum. Hoc erat in principio apud Deum. Omnia per ipsum facta sunt, et sine ipso factum est nihil quod factum est; in ipso vita erat, et vita erat lux hominum; et lux in tenebris lucet, et tenebræ eam non comprehenderunt. Fuit homo missus a Deo cui nomen erat Joannes. Hic venit in testimonium, ut testimonium perhiberet de lumine, ut omnes crederent per illum. Non erat ille lux, sed ut testimonium perhiberet de lumine. Erat lux vera quæ illuminat omnem hominem venientem in hunc mundum. In mundo erat, et mundus per ipsum factus est et mundus eum non cognovit. In propria venit, et sui eum non receperunt. Quotquot autem receperunt eum, dedit eis potestatem filios Dei fieri; his qui credunt in nomine ejus, qui non ex sanguinibus, neque ex voluntate carnis, neque ex voluntate viri, sed ex Deo nati sunt. (ajoelha-se) Et Verbum caro factum est, et habitavit in nobis: et vidimus gloriam ejus, gloriam quasi Unigeniti a Patre, plenum gratiæ et veritatis.
R. Demos graças a Deus.
R. Deo gratias.


ORAÇÕES NO FIM DA MISSA

De joelhos diante do altar, o celebrante diz com os fiéis as seguintes preces prescritas pelo papa Leão XIII e por Pio XI enriquecidas de indulgências (10 anos). Este último papa mandou que se rezassem pela conversão da Rússia.
Ave Maria (três vezes)
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
Ave María, grátia plena, Dóminus técum, benedícta tu in muliéribus, et benedictus fructus ventris tui Jesus. Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amém

Salve Rainha
Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve!
A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva.
A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei.
E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre.
Ó clemente! Ó piedosa! Ó doce sempre Virgem Maria!
Salve Regína, Mater Misericórdia, vita, dulcédo et spes nostra salve.
Ad te clamámus, éxsules fílii Evæ.
Ad te suspirámus gementes et flentes in hac lacrimárum valle.
Eia ergo, advocate nostra, illos tuos misericórdes óculos ad nos converte.
Et Jesum, benedíctum fructum ventris tui, nobis, post hoc exsílium, osténde.
O clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria!
Rogai por nós, Santa Mãe de Deus
Ora pro nobis Sancta Dei Génitrix
R: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo
R: Ut digni efficiámur promissionibus Christi.
Oremos:
Deus, nosso refúgio e fortaleza, olhai propício para o povo que a Vós clama; e, pela intercessão da gloriosa e imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, de S. José, seu Esposo, dos vossos bem-aventurados Apóstolos S. Pedro e S. Paulo e de todos os Santos, ouvi misericordioso e benigno as preces que Vos dirigimos para a conversão dos pecadores, para a liberdade e exaltação da Santa Madre Igreja. Pelo mesmo Jesus Cristo Senhor Nosso.
Orémus:
Deus, refugium nostrum et virtus, populum ad te clamantem propitius respice; et intercedente gloriosa et imaculata Virgine Dei Genitrice Maria, cum beato Joseph, ejus sponso, ac beatis apostolis tuis Petro et Paulo, et omnibus sanctis, quas pro conversione peccatorum, pro libertate et exaltatione sanctæ Matris Ecclesiæ, preces effundimus, misericors et benignus exaudi. Per eumdem Christum Dominum nostrum.
R: Amém
R: Amen
São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemene o pedimos. E vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.
Sancte Michael Archangele, defende nos in prælio; contra nequitiam et insidias diaboli esto præsidium. Imperet illi Deus, supplices deprecamur: tuque, Princeps militiæ cælestis, Satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute in infernum detrude. Amen.
R: Amém
R: Amen
S. Pio X pediu se ajuntasse três vezes a seguinte jaculatória:
Sacratíssimo Coração de Jesus
Cor Jesu sacratíssimum
R. Tende piedade de nós.
R: Miserere nobis