A
interpretação corretiva que S. Agostinho faz da tese do “corpo bipartido do Senhor”,
do donatista Ticônio, é a melhor explicação para a situação da Igreja neste período
conciliar. Trata-se da tese da “Igreja mista”, que não fere a visibilidade e a
indefectibilidade da Igreja, não cai no erro luterano.
Trago
aqui o texto de A doutrina cristã, um comentário de Ratzinger a respeito
em O novo Povo de Deus, e um trecho de uma homilia de S. Agostinho sobre
o Apocalipse que incide no mesmo tema; ademais, trechos do capítulo do livro O
fim dos tempos do Pe. Alfredo Sáenz, que comenta a visão do Pe. Leonardo
Castellani que corrobora a tese agostiniana, além de trechos do próprio
Castellani a respeito, de seu livro El Apocalypsis de San Juan, que explicitam
a questão da Mulher e da Prostituta.
Atenção!
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* *
“Segunda
regra: ‘O Corpo bipartido do Senhor’
45.
A segunda regra é: ‘O Corpo do Senhor dividido em duas partes’. Na verdade,
Ticônio não deveria ter empregado essa fórmula, pois não é Corpo do Senhor o
que não haverá de estar com ele para sempre na eternidade. Mas deveria ter
dito: ‘O Corpo do Senhor verdadeiro e o misto’. Ou então: ‘O Corpo do Senhor
verdadeiro e o simulado’. Ou outra expressão parecida. Pois não se pode dizer
que os hipócritas estarão com ele eternamente, e nem que estejam com ele agora,
parecendo estar em sua Igreja. Por isso, essa regra poderia, de preferência,
ser intitulada: ‘A Igreja mista’.
Essa
segunda regra exige leitor atento, já que a Escritura, quando fala a uma parte
da Igreja, parece dirigir-lhe palavras que ela dirige a outra; ou bem, passa da
primeira à segunda porção enquanto se dirige ainda à primeira, como se ambas as
partes constituíssem um só corpo, devido à sua mistura aqui na terra e à sua
comum participação dos mesmos sacramentos.
A isso se aplica o versículo do Cântico dos cânticos: ‘Sou morena mas formosa, como as tendas de Cedar e os pavilhões de Salomão’ (Ct 1,5). O texto não diz: ‘Eu era morena como as tendas de Cedar, e formosa como os pavilhões de Salomão’. Mas ele une os dois epítetos causa da unidade que, no tempo, constituem os peixes bons e maus dentro de uma só rede (Mt 13,48). As tendas de Cedar, com efeito, designam Ismael que não partilhará a herança com o filho da mulher livre (Gn 21,10; Gl 4,30). É porque quando Deus diz a respeito da boa porção da Igreja: ‘Guiarei os cegos por um caminho que eles não conhecem e fá-los-ei andar por veredas que ignoram; mudarei diante deles as trevas em luz e os caminhos tortuosos em direitos; farei isto em favor deles e não os desampararei’ (Is 42,16.17). Deus apressa-se em acrescentar a respeito da porção má, misturada à boa: ‘Esses voltarão para trás’ (id., ibid.), designando já por essas palavras quais os bons. Mas como as duas porções fazem um só enquanto na terra, parece ser dito para a segunda o que se dizia para a primeira. Contudo, não ficarão para sempre misturados. O mau servidor mencionado no evangelho é a prova formal: ‘Quando seu Senhor vier, ele o separará da porção dos bons e o porá na porção dos hipócritas’ (Mt 24,51)”.
[Santo Agostinho. Patrística - A
doutrina cristã - Vol. 17 (pp. 137-138). Paulus Editora. Edição do Kindle]
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Comentário
de Ratzinger sobre Ticônio e Agostinho:
“Agostinho
sustentou – e nisto diverge de Ticônio – que os maus jamais estão unidos ao
Cristo e que jamais fazem parte da Igreja. Isto porque a Igreja é somente de
Cristo e não também do anticristo. A Igreja é uma só e não há nela duas partes
que a dividam. Os maus, na verdade, não fazem parte da Igreja. Eles apenas
parecem pertencer a ela. Esta distinção feita entre verdade e aparência já fora
feita na ontologia neoplatônica. Para Ticônio, ela resta desconhecida, mas em
Agostinho ela salva a unidade do conceito de Igreja e apresenta uma solução
para o problema da Igreja dos pecadores, que é inteiramente diversa daquela que
Ticônio quisera ver.
Temos,
pois, agora uma ideia mais precisa sobre o problema que nos propusemos
analisar, isto é, entendemos melhor agora o que Ticônio pensava a respeito de
sua própria justificação como homem extra communiones. É evidente que a
salvação de Cristo, segundo essa visão de Ticônio, não está, em primeiro lugar,
baseada nas instituições visíveis da Igreja. Mas, por outro lado, Ticônio diz
explicitamente que o culto visível da Igreja tanto pode ser um culto prestado
ao Cristo como também culto prestado ao demônio, dependendo sempre do espírito
com que é feito.
Aqui se vê como vai crescendo a ideia de que é possível pertencer a uma Igreja puramente espiritual. Isto, aliás, é consequência lógica da teoria de Ticônio a respeito do corpus bipertitum. Justamente essa doutrina nega praticamente toda validade e toda eficiência da instituição eclesiástica externa. Podemos tentar explicar algo mais. Ticônio ensina que os justos alcançaram a sua salvação não por meio da lei e sim pelos caminhos contrários à lei. Alcançaram salvação mediante a ruptura com a lei e porque foram contra a ostentação da Igreja do seu tempo. Ticônio vê perfeitamente que a dialética de lex e gratia ainda continua no Novo Testamento. Se houve outra pessoa que defendesse essa ideia, não podemos afirmar”.
[RATZINGER, Joseph. O novo Povo de Deus. São
Paulo: Molokai, 2017, pp. 34-35]
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* *
Das
homilias de S. Agostinho sobre o Apocalipse:
“1.
Na lição recitada ouvimos que naquela hora sobreveio um grande tremor de
terra.
Nele
reconhece-se a perseguição que o diabo costuma levantar, servindo-se dos homens
maus.
E
a décima parte da cidade caiu, e foram mortos no tremor de terra sete mil
homens. O número dez e o número sete são números exatos. Se assim
não fosse devia tomar-se o todo pela parte.
2.
Há na Igreja dois edifícios, um construído sobre a pedra, outro construído
sobre a areia. O que está construído sobre a areia diz-se que caiu.
E
os restantes (foram tomados de terror e) deram glória a
Deus.
Deram glória a Deus os que estavam edificados sobre a pedra, e não foi possível caírem com os que estavam edificados sobre a areia. Contudo disse: Foram tomados de terror, porque o justo, ao notar a ruína do pecador, mais se afervora na observância dos preceitos, segundo o que se diz: Lavará as mãos no sangue do pecador (Salmo LXXXVII, II)”.
[SANTO AGOSTINHO. Apocalipse de S. João comentado: Vitória final de Cristo. Coimbra: Gráfica de Coimbra, 1960, p. 161]
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Pe.
Alfredo Sáenz sobre a exegese do Pe. Castellani sobre o Apocalipse:
“Com
o advento do Protestantismo se produziu uma estranha variação na exegese do
Anticristo. Lutero aplicou a terrível etiqueta esjatológica ao Papado,
acreditando ver no Papa a Grande Meretriz de que fala o Apocalipse. Isto sobre
a base de que a Igreja pode corromper-se, e de fato se corromperá nos últimos
dias, tese muito delicada, e que deve entender-se com cautela em atenção à
indefectibilidade que Cristo lhe prometeu, o que não fez Lutero, interpretando,
por isso, dita tese de forma herética”. [SÁENZ, Alfredo. O fim dos tempos e
sete autores modernos. Carta de Apresentação do Cardeal Ratzinger. Rio de
Janeiro: CDB, 2019, p. 393]
Alguns
autores têm pensado que o katéjon seria a mesma Igreja, cuja presença
constituiria o último obstáculo para a manifestação do Anticristo. Assim opina
São Justino, o primeiro comentador do Apocalipse, segundo o qual ‘Ecclesia
de médio fiet’, a Igreja será retirada do meio. A interpretação é um tanto
ousada. É claro que não se pode entender como se se tratasse de uma extinção da
mesma Igreja, mas tão somente de uma grave decadência. Sua estrutura temporal
será arrasada; ‘fornicará com os reis da terra’ (Ap 17,2), ao menos uma parte
ostensiva dela, e a abominação da desolação entrará no lugar santo: ‘Quanto
vejas a desolação abominável entrar onde não deve, então já é’ (Mt 24, 15).
Também São Vitorino aplicou o katéjon à Igreja – ‘a Igreja será
retirada’, diz –, mas no sentido de que voltará à obscuridade, às catacumbas,
perdendo todo o influxo na ordem social.
Em
sua novela João XXIII (XXIV) escreve [o Pe. Leonardo] Castellani que
‘Igreja’ se diz em três sentidos: ‘Há a Igreja que é o projeto de Deus e o
ideal do homem, e se inicia no céu, a ‘Esposa’, a qual São Paulo chama ‘sem
mancha’, uma; há a Igreja terrena, onde está o trigo e o joio misturados para
sempre [sic] [nota: creio que se deve entender ‘até o fim dos tempos’],
mas se pode chamar ‘santa’ por sua união com a de cima pela graça, duas; e há a
Igreja que vê o mundo, ‘o Vaticano’, que trata com o mundo; que está talvez
mais unida com o mundo que outra coisa, e que desacredita o todo’”. [Ibid., pp.
397-7]
“Em
realidade o Anticristo não se apresentará como um personagem sinistro, a perversidade
encarnada. Será, por certo, demoníaco, mas não parecerá tal, ao contrário, fará
ostentação de humanitarismo e de humanismo; se fingirá virtuoso, ainda que de
fato seja cruel, soberbo e mentiroso [...] Porque o Anticristo não se
contentará em negar o Cristo como Deus e Redentor, mas se erigirá em seu lugar,
qual verdadeiro Salvador da humanidade. Tratará inclusive de se parecer a
Cristo o mais que possa. Será o ‘símio de Deus’, o macaco de Cristo. Encarnará
a hipocrisia substancial dos fariseus do século I, que não só eram tidos como
santos, mas cridos por si mesmos como tais. Juntará presumidas ‘virtudes’ e um
imenso orgulho”. [Ibid., pp. 399]
“Como
pensa nosso autor [Pe. Castellani], o principal trabalho a ser levado a cabo
por esta Segunda Besta [o Falso Profeta] será a adulteração da religião. As
Duas Bestas representam assim o poder político, a primeira, e o instinto
religioso do homem, a segunda, ambos voltados contra Deus. Afirma-o de maneira
terminante: ‘Quando a estrutura temporal da Igreja perca a efusão do Espírito e
a religião adulterada se converta na Grande Meretriz, então aparecerá o Homem
de Pecado e o Falso Profeta, um Rei do Universo que será ao mesmo
tempo como um Sumo Pontífice do Orbe, ou então terá à suas ordens um falso
Pontífice, chamado nas profecias o ‘Pseudo-profeta’. Não que a Igreja perderá a
fé, mas se verá gravemente afetada. Todas as energias do demônio estarão
concentradas em perverter o que é especificamente religioso. Não lhe
interessará matar, mas ‘corromper, envenenar, falsificar’”. [Ibid.,
pp. 408-9]
“[...]
Castellani se esmera por deixar claro que a corrupção da Igreja não será total.
A isso tenderá sem dúvida a intenção do Pseudoprofeta. Logrará, sim, que o
Átrio e as Naves sejam infringidos. Mas o Tabernáculo ou Sanctorum será
preservado.
Como
se concretizará esta adulteração do cristianismo? Da maneira que antes
assinalamos, ou seja, consentido a Igreja, ela também – em seu setor adúltero,
entenda-se –, às três tentações do deserto que em seu momento Cristo soube
rejeitar. Uma Igreja afundada no temporal, polarizada nisso, na aquisição dos
bens terrenos, na distribuição abundante de pão. Eis aqui a primeira tentação.
Uma Igreja em busca de renome, que emprega seus poderes religiosos para
alcançar prestígio e ascendência, que substitui a contemplação pela agitação
burocrática. Tal a segunda tentação. E a terceira: uma Igreja ao serviço dos
que são poderosos, buscando o reino deste mundo, com os meios mais eficazes,
que são hoje os satânicos. A acusação de Dostoiévski acerta, agora sim, no
alvo.
A
este ‘naturalismo religioso’ ou ‘aloguismo’ Castellani o sintetiza assim: ‘É o
ideal do Acréscimo antes do Reino, ou o Acréscimo sem o Reino, o Reino
Milenário desde já e sem Cristo, quer dizer, o cristianismo expurgado da cruz
de Cristo e de sua Segunda vinda’.
A
parte corrupta da Igreja posta a serviço do Anticristo. Eis aí o grande logro
da Primeira Besta. O pseudoprofeta será o que ‘atue’, isto é, ‘ritualize’ o
projeto do Anticristo, o que leva a cabo sua ‘propaganda sacerdotal’ [...]
[...]
Bem escreve Castellani: ‘O mundo quer unir-se e atualmente não o pode conseguir
senão em uma religião falsa. Ou bem as nações se desdobram em si mesmas em
nacionalismos hostis, ou bem se reúnem nefastamente sob a bandeira de uma
religião nova, um cristianismo falsificado; o qual naturalmente odiará à morte
o autêntico. Só a religião pode criar vínculos supranacionais’. A unificação do
mundo se realizará pelo terror e pela mentira, pelo terror político e pela mentira da falsa religião, ou de um
cristianismo falsificado”. [Ibid., pp. 413-4]
* * *
“Las
Dos Mujeres del Apokalypsis representan la religión en sus dos polos extremos,
la religión corrompida y la religión fiel, la Forneguera sobre la Bestia
roja y la Parturienta vestida del sol de la Fe, pisando la luna del mundo
mudable, y coronada de la venticuatral diadema estelar patriarcal y apostólica.
Estos
dos aspectos de la religión son perfectamente distinguibles para Dios, pero no
siempre para nosotros. La cizaña se parece al trigo y no será separada hasta la
Siega. [...]
Debemos
apañamos del mal, pero no podemos juzgar al malhechor. El juicio pertenece a
Dios.
Una
prostituida no se distingue ni en la naturaleza ni en la forma de una mujer
honesta. Sigue siendo mujer, no se vuelve bestia. Está sentada sobre la
bestia.
Eso
es lo que significa también el Pseudo-profeta de la Visión Oncena. Está al
servicio del Anticristo, pero se parece al Cristo. ‘Hablaba como el Dragón,
pero tenía dos cuernos semejantes al Cordero’.
Cuando
vino Cristo eran tiempos confusos y tristes. La religión estaba pervertida en
sus jefes y consecuentemente en parte del pueblo. ‘Haced todo lo que os dijeren
pero no hagáis conforme a sus obras”. Cristo no abandonó la Sinagoga por eso,
sino que se hizo matar por purificarla. De su corazón abierto nació la Iglesia,
que primordialmente fue judía.
Cuando
Cristo vuelva la situación será parecida. Solamente el fariseísmo, el pecado
contra el Espíritu Santo, es capaz de producir esa magna apostasía que Él
predijo: ‘la mayor tribulación desde el Diluvio acá’, será producida por la
peor corrupción, la corrupción de lo óptimo. El dolor sólo remediable por Dios
en persona es el producido por la corrupción irremediable, ‘la sal que pierde
su salinez’.
Por
eso San Juan vio en la frente de la Ramera la palabra misterio, y dice
que se asombró sobremanera, y el Ángel le dice: ‘Ven, y te explicaré el
misterio de la Bestia’. Es el Misterio de Iniquidad, la ‘abominación de la
desolación’; la parte camal de la Iglesia ocultando, adulterando y aun
persiguiendo la verdad. Sinagoga Satanae.
Por
eso la parte fiel de la Iglesia padecerá entonces ‘dolores como de parto’, y el
Dragón estará a punto de tragar a su hijo, que sólo se salvará por milagro, y
ella se salvará solamente huyendo a la soledad con dos alas de águila, y aun
allí la perseguirá la riada de agua sucia y torrentosa que el Dragón lanzará
contra ella... la nueva Esposa pura y sin mácula, inmaculadamente concebida de
nuevo.
La
Esposa comete adulterio... cuando su legítimo Señor y Esposo Cristo no es ya su
alma y su todo; cuando los gozos de su casa no son ya toda su vida; cuando
codicia lo transitorio del mundo en sus diversas manifestaciones; cuando mira
sus grandezas, riquezas y honores con ojos golosos; cuando -como Israel un día-
busca la alianza de un poder terreno contra la amenaza de otro poder terreno,
cuando los teme demasiado; cuando reconoce al mundo como una realidad ‘muy
ponderable’ y lo mira como una potencia cuya ira procura evitar a cualquier
costo, cuyo agrado y benevolencia solicita, con cuya ‘sabidría’, educación,
ciencia, cultura, política, diplomacia está encantada [...]
[Nota:
não é teologicamente exato dizer que a “Esposa” comete adultério, mas é a
parte infiel do Corpo Místico de Cristo que comete; tampouco ela é “concebida
de novo”, senão que o Corpo Místico de Cristo, volta a ser fiel, íntegro,
conforme a Alma Esposa, isto é, os infiéis são afastados; penso que se deve
entender a intenção didática da explicação de Castellani, até porque ele
adiante afirma que o Magistério infalível da Igreja brilhará; toda esta crise final
terrível não implica a defectibilidade da Igreja, nem perverte o ensinamento ex
cathedra]
‘Fornicación’
llaman los profetas a la idolatría. ‘Fornicar con los ídolos’ significa poner
los ídolos en lugar de Dios, el legítimo esposo de nuestras mentes. ‘Fornicar
con los reyes de la tierra’ significa poner a los poderes de este mundo en el
lugar de Dios.
Primero
se fornica con el corazón desfalleciendo en la fe; después en los hechos,
faltando a la caridad.
El
error fundamental de nuestra práctica actual -y aun de la teoría a veces- es
que amalgamamos el Reino y el Mundo, lo cual es exactamente lo que la Biblia
llama ‘prostitución’ [...]
Dios
mantendrá sus promesas acerca de la infalibilidad de la doctrina en el
Magisterio Supremo; aun cuando todo parezca anochecido, brillará esa luz.
En
los últimos días, el residuo de cristianos fieles y su jefe serán visibles. ¡Y
tanto! Serán explosivamente visibles, a causa mismo de la furiosa persecución
contra ellos; aunque no serán visibles para los perseguidores, que estarán
-conforme está dicho a la Iglesia de Laodicea- ‘ciegos’”.
[CASTELLANI,
Leonardo. "Las Dos Mujeres”, Capítulo I del Cuaderno III de Los Papeles
de Benjamín Benavides. Apud Id., El Apocalypsis de San Juan. Buenos
Aires: Vortice, 2005, pp. 209-11]



