A encíclica tem 3 partes (mais a conclusão):
1ª) Exposição do sistema e sua divisão:
a) O modernista filósofo
b) O modernista crente
c) O modernista teólogo
d) O modernista historiador e crítico
e) O modernista apologeta
f) O modernista reformador
g) Crítica geral do sistema
2ª) As causas do modernismo
3ª)
Remédios
Introdução
- Missão (“pastoral”) de apascentar o rebanho do Senhor guardando o depósito da Fé e repudiando “as novidades de uma ciência enganadora”.
- Agentes do erro já não eram inimigos declarados, mas ocultos no seio da Igreja (sem sólido conhecimento de filosofia e teologia).
- O termo “modernismo” → filosofia “moderna” → o que é?
O Modernista filósofo
- Fundamento da filosofia religiosa dos modernistas é o agnosticismo: “a razão humana fica inteiramente reduzida à consideração dos fenômenos... nem tem ela direito nem aptidão para transpor estes limites... Não é dado à razão elevar-se a Deus”
- Teologia natural = “intelectualismo”
- O agnosticismo é a parte negativa; a positiva é a “imanência vital”: não há explicação para a “religião” fora do homem.
- A Fé se baseia em um sentimento nascido da necessidade da divindade = “revelação”; toda religião = natural e sobrenatural.
- “Incognoscível” → interpretação de um fenômeno (que transpõe seus limites), algum homem excepcional.
- Transfiguração do fenômeno (suas condições são elevadas), depois desfiguração (atribui-se o que não tem realmente).
- De Jesus, deve-se eliminar tudo de divino.
- O sentimento religioso surge da subconsciência, é o gérmen de toda religião (inclusive a Católica); e se aperfeiçoa com o progresso da vida humana.
- Não de trata do direito à ordem sobrenatural, mas da naturalização até do Catolicismo.
- A inteligência sobrevém ao sentimento e elabora-o: dogmas → fórmulas simples → fórmulas secundárias (“facilitadoras”, símbolos, meras imagens da verdade).
O Modernista crente
- Sentimento religioso: contato imediato com a própria realidade de Deus (experiência sentimental).
- A doutrina da experiência mais a do simbolismo implica que toda religião seja verdadeira (“Catolicismo tem mais verdade”).
- A tradição é uma comunicação da experiência original: pregação mediante a fórmula intelectual → despertar o sentimento religioso.
- A fé é submissa à ciência: fora do sentimento religioso, tudo o mais não sai do campo dos fenômenos.
O Modernista teólogo
- Conciliar a ciência e a fé, com primazia da ciência. O filósofo diz que o princípio da fé é imanente, o crente diz que esse princípio é Deus, e o teólogo conclui que Deus é imanente no homem: imanência teológica.
- O filósofo diz que as representações da fé são puramente simbólicas, o crente diz que o objeto da fé é Deus em si mesmo, o teólogo conclui que as representações da realidade divina são simbólicas. As fórmulas são úteis para se unir com a verdade absoluta; devem ser respeitadas por motivos sociais, enquanto são expressão, pelo magistério, da consciência comum.
- A ação divina é uma e a mesma com a ação da natureza, o que destrói a ordem natural (panteísmo).
- Não se pode crer que a Igreja e os Sacramentos foram instituídos pelo próprio Cristo (A. Loisy). Todas as consciências cristãs estão virtualmente incluídas na consciência de Cristo; os cristãos vivem a vida de Cristo. Por isso, as Escrituras e os dogmas também são divinos.
- Dogma: necessidade de elaborar o pensamento religioso → polir a fórmula primitiva, não em si mesma e racionalmente, mas segundo as circunstâncias → fórmulas secundárias, depois sintetizadas e reunidas num todo doutrinal pelo magistério público como a consciência comum (cf. Calderón sobre CVII).
- Culto: impulso de dar à religião algo de sensível e do impulso de propagá-la (os atos santificantes/sacramentos são meros símbolos eficazes para despertar o sentimento religioso).
- Livros sagrados: coleções de experiências extraordinárias. Inspiração: intensificação da necessidade de manifestar a própria fé (semelhante à inspiração poética: “Deus está entre nós” e “nos agita e inflama”).
- Igreja: necessidade do que teve a experiência original de comunicar a própria fé, e da coletividade conservar e propagar o bem comum da fé (“parto da consciência coletiva”). Hoje ela deveria ser democrática, se separar do Estado e se submeter a ele nas coisas temporais.
- Magistério: serve para a unidade de consciência dos membros, com a unidade de fórmula que melhor corresponde à consciência comum; a crítica faz o dogma evoluir.
- Evolução da fé: a forma primitiva da fé foi rudimentar e comum a todos os homens, progrediu por evolução vital, pela crescente penetração do sentimento religioso na consciência. Os gênios religiosos fazem a fé progredir.
- O progresso do dogma nasce da necessidade de vencer os obstáculos da fé, derrotar os adversários. O divino em Cristo foi aumentando até que finalmente foi tido como Deus.
- O culto evolui pela necessidade de se adaptar aos costumes e tradições dos povos e gozar de eficácia.
- A evolução é o resultado de duas forças, uma progressiva e outra conservadora → a força conservadora é a tradição e seu exercício é próprio da autoridade; a força progressiva corresponde às necessidades e oculta-se nas consciências individuais.
O Modernista historiador e crítico: Cristo da
história x Cristo da fé
O Modernista apologeta: na religião,
especialmente na católica, há tal energia vital que deve esconder algo
incógnito; a religião católica é a mesma fundada por Cristo, mas ela contém
erros. Admitem uma exigência do sobrenatural. E que se deve mostrar ao homem
que não crê que ele tem latente o mesmo gérmen que esteve na consciência de
Cristo.
O Modernista reformador: inovação da filosofia,
excluindo a escolástica e só admitindo a moderna; para a teologia, a evolução
do dogma; para a disciplina, a democracia e a não intromissão nas questões
políticas e sociais, mas o “penetrá-las no seu espírito”; em moral,
“americanismo”, virtudes ativas antepõem-se
Crítica geral do sistema
- Síntese de todas as heresias
- Agnosticismo: por parte da inteligência está fechado ao homem todo o caminho para Deus, o qual estará aberto por certo sentimento e a ação
- “Sentimento” (analisado como “afeto” ou “paixão”)
- Sem a inteligência, nunca se chegará ao conhecimento de Deus
- “Simbolismo”: dúvida sobre a personalidade divina e entrada para o “panteísmo” (questão do “panenteísmo”); a imanência divina também se dirige ao panteísmo
- “Incognoscível”: “alma universal do mundo”, ateísmo
As causas do Modernismo
- Causa próxima e imediata: aberração do entendimento
- Causas remotas: amor de novidades e orgulho
- O homem corre atrás de novidades e se empenha em saber mais do que convém, e confiando demasiado em si, pensa que deve procurar a verdade fora da Igreja Católica
- O orgulho tem muito maior força para arrastar ao erro os entendimentos: se gloriam de ser os únicos que possuem o saber, repelem toda sujeição, e afirmam que a autoridade deve aliar-se com a liberdade; pensam unicamente em reformar os outros
- Ignorância da Escolástica, carecendo de meios convenientes para reconhecerem a confusão das ideias e refutar os sofismas
Remédios
- Filosofia escolástica, sobretudo Tomás
- Escolha dos diretores e professores dos seminários e das Universidades católicas
- Não ler e proibir seus livros e impedir a impressão
- Não permitir congressos de sacerdotes
