17.11.19

Pascendi Dominici Gregis de S. Pio X (resumo)

A encíclica tem 3 partes (mais a conclusão):

1ª) Exposição do sistema e sua divisão:
a) O modernista filósofo
b) O modernista crente
c) O modernista teólogo
d) O modernista historiador e crítico
e) O modernista apologeta
f) O modernista reformador
g) Crítica geral do sistema

2ª) As causas do modernismo

3ª)  Remédios




Introdução
  • Missão (“pastoral”) de apascentar o rebanho do Senhor guardando o depósito da Fé e repudiando “as novidades de uma ciência enganadora”.
  • Agentes do erro já não eram inimigos declarados, mas ocultos no seio da Igreja (sem sólido conhecimento de filosofia e teologia).
  • O termo “modernismo” → filosofia “moderna” → o que é?

O Modernista filósofo
  • Fundamento da filosofia religiosa dos modernistas é o agnosticismo: “a razão humana fica inteiramente reduzida à consideração dos fenômenos... nem tem ela direito nem aptidão para transpor estes limites... Não é dado à razão elevar-se a Deus”
  • Teologia natural = “intelectualismo”
  • O agnosticismo é a parte negativa; a positiva é a “imanência vital”: não há explicação para a “religião” fora do homem.
  • A Fé se baseia em um sentimento nascido da necessidade da divindade = “revelação”; toda religião = natural e sobrenatural.
  • “Incognoscível” → interpretação de um fenômeno (que transpõe seus limites), algum homem excepcional.
  • Transfiguração do fenômeno (suas condições são elevadas), depois desfiguração (atribui-se o que não tem realmente).
  • De Jesus, deve-se eliminar tudo de divino.
  • O sentimento religioso surge da subconsciência, é o gérmen de toda religião (inclusive a Católica); e se aperfeiçoa com o progresso da vida humana.
  • Não de trata do direito à ordem sobrenatural, mas da naturalização até do Catolicismo.
  • A inteligência sobrevém ao sentimento e elabora-o: dogmas → fórmulas simples → fórmulas secundárias (“facilitadoras”, símbolos, meras imagens da verdade).

O Modernista crente
  • Sentimento religioso: contato imediato com a própria realidade de Deus (experiência sentimental).
  • A doutrina da experiência mais a do simbolismo implica que toda religião seja verdadeira (“Catolicismo tem mais verdade”).
  • A tradição é uma comunicação da experiência original: pregação mediante a fórmula intelectual → despertar o sentimento religioso.
  • A fé é submissa à ciência: fora do sentimento religioso, tudo o mais não sai do campo dos fenômenos.

O Modernista teólogo
  • Conciliar a ciência e a fé, com primazia da ciência. O filósofo diz que o princípio da fé é imanente, o crente diz que esse princípio é Deus, e o teólogo conclui que Deus é imanente no homem: imanência teológica.
  • O filósofo diz que as representações da fé são puramente simbólicas, o crente diz que o objeto da fé é Deus em si mesmo, o teólogo conclui que as representações da realidade divina são simbólicas. As fórmulas são úteis para se unir com a verdade absoluta; devem ser respeitadas por motivos sociais, enquanto são expressão, pelo magistério, da consciência comum.
  • A ação divina é uma e a mesma com a ação da natureza, o que destrói a ordem natural (panteísmo).
  • Não se pode crer que a Igreja e os Sacramentos foram instituídos pelo próprio Cristo (A. Loisy). Todas as consciências cristãs estão virtualmente incluídas na consciência de Cristo; os cristãos vivem a vida de Cristo. Por isso, as Escrituras e os dogmas também são divinos.
  • Dogma: necessidade de elaborar o pensamento religioso → polir a fórmula primitiva, não em si mesma e racionalmente, mas segundo as circunstâncias → fórmulas secundárias, depois sintetizadas e reunidas num todo doutrinal pelo magistério público como a consciência comum (cf. Calderón sobre CVII).
  • Culto: impulso de dar à religião algo de sensível e do impulso de propagá-la (os atos santificantes/sacramentos são meros símbolos eficazes para despertar o sentimento religioso).
  • Livros sagrados: coleções de experiências extraordinárias. Inspiração: intensificação da necessidade de manifestar a própria fé (semelhante à inspiração poética: “Deus está entre nós” e “nos agita e inflama”).
  • Igreja: necessidade do que teve a experiência original de comunicar a própria fé, e da coletividade conservar e propagar o bem comum da fé (“parto da consciência coletiva”).  Hoje ela deveria ser democrática, se separar do Estado e se submeter a ele nas coisas temporais.
  • Magistério: serve para a unidade de consciência dos membros, com a unidade de fórmula que melhor corresponde à consciência comum; a crítica faz o dogma evoluir.
  • Evolução da fé: a forma primitiva da fé foi rudimentar e comum a todos os homens, progrediu por evolução vital, pela crescente penetração do sentimento religioso na consciência. Os gênios religiosos fazem a fé progredir.
  • O progresso do dogma nasce da necessidade de vencer os obstáculos da fé, derrotar os adversários. O divino em Cristo foi aumentando até que finalmente foi tido como Deus.
  • O culto evolui pela necessidade de se adaptar aos costumes e tradições dos povos e gozar de eficácia.
  • A evolução é o resultado de duas forças, uma progressiva e outra conservadora → a força conservadora é a tradição e seu  exercício é próprio da autoridade; a força progressiva corresponde às necessidades e oculta-se nas consciências individuais.

O Modernista historiador e crítico: Cristo da história x Cristo da fé

O Modernista apologeta: na religião, especialmente na católica, há tal energia vital que deve esconder algo incógnito; a religião católica é a mesma fundada por Cristo, mas ela contém erros. Admitem uma exigência do sobrenatural. E que se deve mostrar ao homem que não crê que ele tem latente o mesmo gérmen que esteve na consciência de Cristo.

O Modernista reformador: inovação da filosofia, excluindo a escolástica e só admitindo a moderna; para a teologia, a evolução do dogma; para a disciplina, a democracia e a não intromissão nas questões políticas e sociais, mas o “penetrá-las no seu espírito”; em moral, “americanismo”, virtudes ativas antepõem-se


Crítica geral do sistema
  • Síntese de todas as heresias
  • Agnosticismo: por parte da inteligência está fechado ao homem todo o caminho para Deus, o qual estará aberto por certo sentimento e a ação
  • “Sentimento” (analisado como “afeto” ou “paixão”)
  • Sem a inteligência, nunca se chegará ao conhecimento de Deus
  • “Simbolismo”: dúvida sobre a personalidade divina e entrada para o “panteísmo” (questão do “panenteísmo”); a imanência divina também se dirige ao panteísmo
  • “Incognoscível”: “alma universal do mundo”, ateísmo

As causas do Modernismo
  • Causa próxima e imediata: aberração do entendimento
  • Causas remotas: amor de novidades e orgulho
  • O homem corre atrás de novidades e se empenha em saber mais do que convém, e confiando demasiado em si, pensa que deve procurar a verdade fora da Igreja Católica
  • O orgulho tem muito maior força para arrastar ao erro os entendimentos: se gloriam de ser os únicos que possuem o saber, repelem toda sujeição, e afirmam que a autoridade deve aliar-se com a liberdade; pensam unicamente em reformar os outros
  • Ignorância da Escolástica, carecendo de meios convenientes para reconhecerem a confusão das ideias e refutar os sofismas

Remédios
  • Filosofia escolástica, sobretudo Tomás
  • Escolha dos diretores e professores dos seminários e das Universidades católicas
  • Não ler e proibir seus livros e impedir a impressão
  • Não permitir congressos de sacerdotes