Eu aprendi a ler com as "Histórias Ilustradas da Bíblia" e com os quadrinhos da Marvel e da DC, que colecionei dos 6 aos 14 anos (desfazendo-me de praticamente toda a coleção quando fui morar sozinho, mais tarde).
Não penso que a "arte pop" deva ser considerada irrelevante. De fato, as HQ de super-heróis ajudaram tanto a fecundar minha imaginação quanto, depois das Escrituras, na minha formação moral: o bem e o mal eram realmente distintos (no sentido cristão), o bem sempre prevalecia, mesmo que custasse sacrifícios, e isto representava um convite ao heroísmo. Pode ser que o formato não seja apto a desenvolvimentos muito profundos, mas nem só de profundidades vive o ser humano. De algum modo, tais histórias são versões modernas e simplificadas das mitologias clássicas.
Atualmente, só leio eventualmente algum encadernado com boas histórias do passado, ou assisto algum episódio das séries cotadas (só vi integralmente Smallville, que desencadeou as séries recentes, e mesmo assim só por ser fã, porque boas realmente só foram as 3 primeiras temporadas), além de ver algumas das adaptações cinematográficas (gosto bastante dos já velhos Superman I e II com o Cristopher Reeve, do Homem-Aranha II com o Tobey Maguire, da recente trilogia do Batman do Nolan -considero o segundo episódio uma grande história e um grande filme-, e dos dois últimos do Capitão América, especialmente "Guerra Civil", sobre o qual escrevi uma resenha crítica neste blog: A
morte do pai como morte da fraternidade).
.
* * *
Nas últimas décadas, a Marvel criou um Universo paralelo, "Ultimate", com versões hodiernas dos heróis clássicos. Recentemente, resolveu acabar com a confusão, unificando os universos (uma estratégia para alavancar as vendas). Para isso concebeu umas novas "Guerras Secretas", alusão às primeiras, da década de 80, história muito fraca e com desenhos horrorosos, que só serviu para vender bonecos e estabelecer o formato "mini-série" (sendo bastante inferior à "Crise nas infinitas terras" da concorrente DC). Resolvi dar uma olhada, para conhecer as concepções atuais da "Casa das Ideias" (como é conhecida a Marvel).
Depois de uma crise que provocou o fim do multiverso, o vilão Dr. Destino tornou-se o "deus" tirano de um novo mundo que é uma colcha de retalhos dos antigos. Os heróis dos velhos mundos resolvem enfrentar o falso deus, liderados pelo Senhor Fantástico (Reed Richards). Paralelamente ao arco principal, saíram outras revistas contando as agruras das versões dos heróis neste mundo novo (das poucas que vi, são histórias muito fracas).
Ao fim, Reed Richards vence seu arqui-inimigo (que entre outras coisas, desposou a Mulher Invisível), com a sua principal habilidade, que é a inteligência, mostrando assim a relevância e primazia do Quarteto Fantástico no Universo Marvel (não por acaso, eles representam os "4 elementos", fundamentos materiais do Universo para a cosmologia clássica).
Para um cristão ou um realista, é verdadeiramente decepcionante o final: a noção de transcendência está completamente ausente, o homem aparece como seu próprio salvador, e o mundo é apresentado como o lar permanente do ser humano, o qual pode ser recriado e progredir infinitamente.
Nos últimos quadrinhos da história final, Richards fala a Sue Storm de sua "conversão" da crença na contração universal e na entropia à crença na "expansão", e isso é ilustrado por umas imagens do Dr. Destino tirando sua máscara e vendo seu rosto curado, sendo "Tudo vive" a última frase do Sr. Fantástico. Há, nisso, uma ratificação da heresia da "apocatástase" (redenção do demônio), que vem coroar o relativismo moral presente desde meados dos 80 nas HQ de heróis. Uma lástima, pois a mensagem de fundo é que não vale a pena lutar pelo bem, já que mesmo o mais nefasto vilão será feliz, ainda que não se arrependa de seus crimes.
Nas últimas décadas, a Marvel criou um Universo paralelo, "Ultimate", com versões hodiernas dos heróis clássicos. Recentemente, resolveu acabar com a confusão, unificando os universos (uma estratégia para alavancar as vendas). Para isso concebeu umas novas "Guerras Secretas", alusão às primeiras, da década de 80, história muito fraca e com desenhos horrorosos, que só serviu para vender bonecos e estabelecer o formato "mini-série" (sendo bastante inferior à "Crise nas infinitas terras" da concorrente DC). Resolvi dar uma olhada, para conhecer as concepções atuais da "Casa das Ideias" (como é conhecida a Marvel).
Depois de uma crise que provocou o fim do multiverso, o vilão Dr. Destino tornou-se o "deus" tirano de um novo mundo que é uma colcha de retalhos dos antigos. Os heróis dos velhos mundos resolvem enfrentar o falso deus, liderados pelo Senhor Fantástico (Reed Richards). Paralelamente ao arco principal, saíram outras revistas contando as agruras das versões dos heróis neste mundo novo (das poucas que vi, são histórias muito fracas).
Ao fim, Reed Richards vence seu arqui-inimigo (que entre outras coisas, desposou a Mulher Invisível), com a sua principal habilidade, que é a inteligência, mostrando assim a relevância e primazia do Quarteto Fantástico no Universo Marvel (não por acaso, eles representam os "4 elementos", fundamentos materiais do Universo para a cosmologia clássica).
Para um cristão ou um realista, é verdadeiramente decepcionante o final: a noção de transcendência está completamente ausente, o homem aparece como seu próprio salvador, e o mundo é apresentado como o lar permanente do ser humano, o qual pode ser recriado e progredir infinitamente.
Nos últimos quadrinhos da história final, Richards fala a Sue Storm de sua "conversão" da crença na contração universal e na entropia à crença na "expansão", e isso é ilustrado por umas imagens do Dr. Destino tirando sua máscara e vendo seu rosto curado, sendo "Tudo vive" a última frase do Sr. Fantástico. Há, nisso, uma ratificação da heresia da "apocatástase" (redenção do demônio), que vem coroar o relativismo moral presente desde meados dos 80 nas HQ de heróis. Uma lástima, pois a mensagem de fundo é que não vale a pena lutar pelo bem, já que mesmo o mais nefasto vilão será feliz, ainda que não se arrependa de seus crimes.

Nenhum comentário:
Postar um comentário