Curso que eu ofereci na minha paróquia (S. Judas Tadeu - Niterói - RJ).
Seguem os links das aulas, a ementa, o conteúdo programático, mais algumas erratas e notas.
Aula 1
Seguem os links das aulas, a ementa, o conteúdo programático, mais algumas erratas e notas.
Aula 1
Ementa:
Deus pode ser conhecido pela razão ou é assunto exclusivo da fé religiosa? A busca filosófica pelos princípios ou fundamentos da realidade, diversas vezes terminou na afirmação de um Ser Supremo, “ao qual todos chamam Deus”, como dizia Santo Tomás. Seriam válidas tais “provas” da existência da divindade? Depois da proclamação da “morte de Deus” por Nietzsche, ainda faria sentido uma reflexão filosófica sobre sua suposta realidade? Que significado teria o problema de Deus para o homem hodierno?
Deus pode ser conhecido pela razão ou é assunto exclusivo da fé religiosa? A busca filosófica pelos princípios ou fundamentos da realidade, diversas vezes terminou na afirmação de um Ser Supremo, “ao qual todos chamam Deus”, como dizia Santo Tomás. Seriam válidas tais “provas” da existência da divindade? Depois da proclamação da “morte de Deus” por Nietzsche, ainda faria sentido uma reflexão filosófica sobre sua suposta realidade? Que significado teria o problema de Deus para o homem hodierno?
O presente curso pretende oferecer pistas para a resposta a estas indagações, e o método de nossa investigação será uma abordagem histórica, na qual partiremos da physis “divina” dos primeiros pré-socráticos até a “religação” de Xavier Zubiri (1898-1983). Não se pretende exaurir o tema, mas apontar, a partir de um contato direto com os textos dos filósofos, alguns dos principais momentos da reflexão filosófica sobre a questão de Deus, com o intuito de nos orientarmos a respeito das perguntas colocadas acima.
Conteúdo programático:
1. Introdução e Deus na filosofia antiga:
a) os discursos sobre Deus ou o "sagrado": o mito, a filosofia, a religião revelada e a ciência moderna;
b) Deus na filosofia antiga: a physis dos jônios, o Noûs de Anaxágoras, o Bem platônico, o Motor Imóvel aristotélico, o Logos divino estoico, o Uno plotiniano;
c) Excurso: o divino nas “filosofias” orientais (hinduísmo, budismo, taoísmo).
2. Deus na filosofia medieval:
a) o Deus interior de Agostinho;
b) o “argumento ontológico” de Anselmo;
c) as 5 vias de Tomás;
d) o itinerário de Boaventura;
e) o Ser infinito de Escoto (o problema do “ser unívoco”);
f) o fideísmo de Ockham;
g) a “centelha divina” de Eckhart;
h) a coincidentia oppositorum de Nicolau de Cusa.
3. Deus na filosofia moderna:
a) a ideia inata de Deus em Descartes;
b) o Deus-Natureza de Spinoza;
c) a aposta de Pascal;
d) as Críticas de Kant;
e) o sentimento religioso do Infinito em Schleiermacher;
f) o Absoluto no idealismo alemão.
4. Deus na filosofia contemporânea:
a) sua perda: o ateísmo de Feuerbach, o materialismo de Marx, o positivismo de Comte, o niilismo de Nietzsche;
b) tentativa de recuperação: o “místico” de Wittgenstein, o “numinoso” de Otto (e a questão do “sagrado” na filosofia da religião), a “religação” de Xavier Zubiri.
1. Introdução e Deus na filosofia antiga:
a) os discursos sobre Deus ou o "sagrado": o mito, a filosofia, a religião revelada e a ciência moderna;
b) Deus na filosofia antiga: a physis dos jônios, o Noûs de Anaxágoras, o Bem platônico, o Motor Imóvel aristotélico, o Logos divino estoico, o Uno plotiniano;
c) Excurso: o divino nas “filosofias” orientais (hinduísmo, budismo, taoísmo).
2. Deus na filosofia medieval:
a) o Deus interior de Agostinho;
b) o “argumento ontológico” de Anselmo;
c) as 5 vias de Tomás;
d) o itinerário de Boaventura;
e) o Ser infinito de Escoto (o problema do “ser unívoco”);
f) o fideísmo de Ockham;
g) a “centelha divina” de Eckhart;
h) a coincidentia oppositorum de Nicolau de Cusa.
3. Deus na filosofia moderna:
a) a ideia inata de Deus em Descartes;
b) o Deus-Natureza de Spinoza;
c) a aposta de Pascal;
d) as Críticas de Kant;
e) o sentimento religioso do Infinito em Schleiermacher;
f) o Absoluto no idealismo alemão.
4. Deus na filosofia contemporânea:
a) sua perda: o ateísmo de Feuerbach, o materialismo de Marx, o positivismo de Comte, o niilismo de Nietzsche;
b) tentativa de recuperação: o “místico” de Wittgenstein, o “numinoso” de Otto (e a questão do “sagrado” na filosofia da religião), a “religação” de Xavier Zubiri.
Erratas e notas:
Aula 1:
b) O taoismo é religião da China e não da Índia obviamente.
c) E a obra de Tomás é Acerca da eternidade do mundo e não "do tempo".
Aula 2:
a) O nome do autor da História da Igreja é Daniel-ROPS.
Aula 3:
a) O conhecimento por “analogia” é um conhecimento por semelhança e dessemelhança. A “teologia negativa”, que eu citei, é só o momento que realça a dessemelhança: as coisas são finitas, Deus é In-finito. A teologia “positiva” realça as semelhanças: as coisas são boas, Deus é “o” Bom. Em Dionísio Areopagita, há ainda a teologia “superlativa”: Deus é o “Suprasser” (além da distinção entre ser e essência), por exemplo.
b) Embora o “espaço” e o “tempo” não sejam qualidades sensíveis (nisto Kant está certo), a "espacialidade" e a "temporalidade" são formalidades apreendidas (e NÃO projetadas) nas próprias qualidades sensíveis. Porque a percepção sensível não se restringe à apreensão destas qualidades (sensíveis) é que o conhecimento pode se elevar à contemplação de realidades inteligíveis e, portanto, a Deus. Isto ficará mais claro com a exposição da teoria do conhecimento de Xavier Zubiri na 4ª aula.
c) É preciso distinguir entre o pensamento panteísta (Deus = realidade), em suas diversas manifestações, e o pensamento gnóstico (o íntimo da alma humana = Deus), em suas diversas manifestações.
"Deus Pai" (depois de 1664), de Pierre Mignard

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