Saturday, December 03, 2016

Leitura orante: Primeira semana do Advento - Ano A

Primeiro Domingo do Advento

"Por isso, estais vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem" (Mt 24,44).

"Ideo et vos estote parati, quia, qua nescitis hora, Filius hóminis venturus est"


nescitis > nescio = v. "não saber", "ignorar", "não sentir", "não poder", "não ter a faculdade de"

Podemos jogar aqui: o advento definitivo de Cristo virá num momento que não sabemos/não esperamos (sentido literal mais imediato), mas também pode-se pensar que tal será um momento em que os cristãos e o mundo tornam-se "néscios", "pensam menos", "ignoram mais", fazem-se "mais insensíveis" ao chamado de Deus; a hora em que a Igreja parece estar "impotente" diante do mundo.


Poderá a imagem das virgens prudentes e insensatas referir-se a duas qualidades presentes na única Igreja?



Vigiemos e sejamos como as prudentes, guardando a luz que é a Fé preciosa dos Apóstolos, para que o Senhor nos encontre despertos (tema da 2a leitura da Carta aos Romanos).


Imagem: "O Juízo Final e as virgens sábias e néscias" (séc. XV), de um Mestre Flamengo Desconhecido


Segunda-feira da Primeira Semana do Advento

"Em verdade vos digo: Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé. Por isso vos digo: Do Oriente e do Ocidente virão muitos sentar-se à mesa, com Abraão, Isaac e Jacob, no reino dos Céus" (Mt 8,10-11),

A liturgia hoje revela uma verdade que enche de esperança: fora de Israel, isto é, fora da Igreja, existem pessoas que têm fé muito maior do que muitíssimos cristãos. Mas se trata de uma autêntica fé que confia incoativa ou implicitamente no Deus Verdadeiro, que vive o amor na medida do conhecimento da Lei Natural.

A primeira leitura (Is 4,2-6), contudo, nos fala dos "sobreviventes e dos que restarem em Jerusalém". Isto é motivo de apreensão: eu me encontro entre os cristãos fiéis, isto é, aqueles que vivem no e desde o amor de Cristo? Eu estou me preparando para o encontro definitivo com o Senhor? O versículo imediatamente posterior ao último do Evangelho de hoje, que não entrou na liturgia, diz que "os filhos do Reino serão postos par afora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes" (Mt 8,12).

Que sejamos contatos entre os que confiam no Senhor, como o centurião do Evangelho, entre os que praticam amorosamente a fé apoiados na graça.

Imagem: "Fé" (c. 1754), de Giuseppe Angeli



Terça-feira da Primeira Semana do Advento


"Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isto foi do teu agrado" (Lc 10,21).



Os "pequeninos" são os mais aptos para receber a Palavra de Cristo, porque não se fiam numa sabedoria humana que submete a Verdade a seus critérios imanentes; uma falsa prudência sempre pronta a evitar os riscos do amor, que calcula "possibilidades" desconhecendo as "potências" da Graça.

Que neste Advento a Palavra de Cristo sempre encontre uma terra fecunda em nossos corações, para que germine a Salvação já alcançada e ainda esperada em nossas vidas e no mundo.

Imagem: "Cristo abençoando as crianças" (1540), de Lucas Cranach, o Jovem


Festa de Santo André Apóstolo


"Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: 'Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens.' E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-no" (Mt 4,18-20).

André é o primeiro Apóstolo, como vemos em João, e é ele que chama Pedro (cf. Jo 1,40-41). Ambos seguem o Mestre "imediatamente".



Que também sejamos prontos, neste tempo do Advento, para abandonar o que nos enreda e acolher o chamado à conversão e ao seguimento de Jesus. Que como Santo André, sejamos novas "estrelas" que apontem para o Nascido em Belém, o Salvador do mundo.









Quinta-feira da Primeira Semana do Advento


"Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha" (Mt 7,24-25).


A Palavra de Cristo, guardada e anunciada pela fé apostólica na Igreja, e praticada amorosamente, é a rocha segura que nos salva das palavras do mundo, que são "flatus vocis", ventos e tempestades passageiras diante do Verbo Eterno e Encarnado.

Busquemos abrigo na Palavra que nos salva, e meditando-a e praticando-a com a ajuda da graça, tenhamos a segurança de que ela nos guardará do naufrágio da existência.




Imagem: "Paisagem de um litoral rochoso na tempestade" (1771), de Philip Jacques de Loutherbourg


Sexta-feira da Primeira Semana do Advento


"E abriram-se os seus olhos" (Mt 9,30a).

No contexto da liturgia de hoje (cf. Is 29,17-24), torna-se claro que as curas físicas que Jesus realizava eram "sinais" visíveis da cura interior: a "cegueira" pior e que pode ser trágica é a que corresponde à escuridão e às trevas de quem não vê a realidade, de quem não entende as Escrituras, sobretudo em virtude da presença uma falsa sabedoria naqueles que têm a missão de ensinar o Povo de Deus e anunciar a Palavra a quem não a conhece.



Aquele, contudo, que de coração busca o Senhor, como os cegos da leitura, e deseja ver, mesmo que por momentos seja um "espírito desnorteado" (cf. primeira leitura), não será defraudado por Cristo.




Imagem: "Cristo curando os cegos" (1682), de Nicolas Colombel



Sábado da Primeira Semana do Advento

"Ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor" (Mt 9,36).

Jesus realiza a missão de sua primeira vinda num tempo em que os pastores de Israel não cuidavam bem de suas ovelhas, e condescendiam com as potências mundanas. 

Jesus sempre vem remediar a situação de Sua Esposa, curar as chagas abertas pelas heresias e pelas imoralidades dos eclesiásticos, através dos santos de todos os tempos. 

Haverá um momento previsto (o da "apostasia"), entretanto, em que as ovelhas estarão à mercê dos ladrões, como no tempo da primeira vinda, e que só a Sua intervenção pessoal salvará a Igreja e a humanidade definitivamente. 

Sempre devemos estar prontos para o encontro com o Pastor Divino, mas será que já não estamos vivenciando o momento da extrema fadiga e abatimento dos cristãos? Tenhamos esperança, porque, seja para reverter este quadro, seja para renovar de uma vez por todos a Criação, o Senhor não faltará!

Vem, ó Bom Pastor!


Imagem: "Paisagem com pastores e ovelhas" (c. 1621), de Pietro Paolo Bonzi


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