Thursday, September 22, 2016

O segredo de Nossa Senhora de La Salette

"Melânia o que eu vou dizer agora, não será sempre segredo. Podeis publicá-lo em 1858.

Os sacerdotes, ministros de meu Filho, os sacerdotes, por sua má vida, por suas irreverências e sua impiedade em celebrar os santos mistérios, por amor do dinheiro, das honras e dos prazeres, os sacerdotes tornaram-se cloacas de impureza. Sim, os padres pedem vingança, e esta está suspensa sobre as suas cabeças. Desgraçados dos padres e das pessoas consagradas a Deus, as quais, por suas infidelidades e sua má vida crucificam novamente o meu Filho! Os pecados das pessoas consagradas a Deus clamam ao Céu e chamam a vingança e ela está às suas portas, pois não se encontra ninguém para implorar misericórdia, e perdão para o povo; não há mais almas generosas não há mais ninguém digno de oferecer a Vítima sem mancha ao Pai Eterno em favor do mundo.

Deus vai golpear dum modo sem precedentes.

Ai dos habitantes da terra! Deus vai esgotar a sua cólera, e ninguém se poderá esquivar a tantos males reunidos.

Os chefes, os guias do povo de Deus negligenciaram a oração e a penitência, e o demônio obscureceu as suas inteligências; tornaram-se estrelas errantes que o velho demônio arrastará com a sua cauda para fazê-los perecer. Deus permitirá à antiga serpente pôr divisões entre os governantes, em todas as sociedades e em todas as famílias; sofrer-se-ão penas físicas e morais; Deus abandonará os homens a si mesmos e enviará castigos que se sucederão durante mais de trinta e cinco anos.

A sociedade está às vésperas dos mais terríveis flagelos e dos maiores acontecimentos; deve-se esperar ser governado por uma vara de ferro e beber o cálice da cólera de Deus.

Que o Vigário de meu Filho, o Soberano Pontífice Pio IX, não saia mais de Roma depois do ano de 1859; mas que ele seja firme e generoso, que combata com as armas da fé e do amor: eu estarei com ele.

Que ele desconfie de Napoleão; o coração deste é duplo, e quando quiser ser ao mesmo tempo Papa e imperador, logo Deus se afastará dele; ele é aquela águia que, desejando sempre se elevar, cairá sobre a espada da qual se queria servir para obrigar os povos a se fazer elevar.

A Itália será punida por sua ambição, querendo sacudir o jugo do Senhor dos Senhores; também ela será entregue à guerra: o sangue correrá de todos os lados; as igrejas serão fechadas ou profanadas; os sacerdotes, os religiosos serão expulsos; os fará morrer, e morrer duma morte cruel. Muitos abandonarão a fé, e o número de sacerdotes e de religiosos que se separarão da verdadeira religião será grande; entre essas pessoas encontrar-se-ão até mesmo bispos.

Que o Papa se mantenha alerta contra os autores de milagres, pois chegou o tempo em que os mais espantosos prodígios se farão sobre a terra e nos ares.

No ano de 1864, Lúcifer, com um grande número de demônios serão soltos do inferno. Eles abolirão a fé pouco a pouco, mesmo nas pessoas consagradas a Deus. Os cegará duma tal maneira que, a não ser por uma graça especial, essas pessoas tomarão o espírito desses anjos maus. Muitas casas religiosas perderão inteiramente a fé e perderão muitas almas.

Os maus livros se multiplicarão sobre a terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda a parte um relaxamento universal por tudo o que respeita ao serviço de Deus; eles terão um poder muito grande sobre a natureza. Haverá igrejas para servir a esses espíritos. Pessoas serão transportadas dum lugar para outro por esses espíritos malignos e mesmo sacerdotes, porque estes não serão conduzidos pelo bom espírito do Evangelho que é um espírito de humildade, de caridade e de zelo pela glória de Deus. Far-se-á ressuscitar mortos e justos" (isto é, esses mortos tomarão a forma das almas justas que tinham vivido na terra, a fim de seduzir melhor os homens: esses auto-denominados mortos ressuscitados, que não serão outra coisa que o demônio debaixo dessas figuras, pregarão um outro Evangelho contrário ao do verdadeiro Jesus Cristo, negando a existência do céu e mesmo a das almas dos condenados. Todas essas almas parecerão como unidas a seus corpos). Haverá em todos os lugares prodígios extraordinários, porque a verdadeira fé se extinguiu e a luz falsa ilumina o mundo. Desgraçados dos Príncipes da Igreja que não se ocuparão senão com amontoar riquezas sobre riquezas, salvaguardar a sua autoridade e dominar com orgulho!

O Vigário de meu Filho terá muito que sofrer, porque durante algum tempo a Igreja será entregue a grandes perseguições. Será o tempo das trevas; a Igreja terá uma crise medonha.

Estando esquecida a santa fé de Deus, cada indivíduo quererá guiar-se por si mesmo e ser superior a seus semelhantes. Serão abolidos os poderes civis e eclesiásticos; toda a ordem e toda a justiça serão calcadas aos pés; não se verá senão homicídio, ódio, inveja, mentira e discórdia, sem amor da pátria nem da família.

O Santo Padre sofrerá muito. Eu estarei com ele até o fim, para receber o seu sacrifício.

Os maus atentarão várias vezes contra a sua vida, sem poderem prejudicá-lo nos seus dias; mas nem ele nem o seu sucessor... verão o triunfo da Igreja de Deus.

Os governos civis terão todos um mesmo desígnio, que será o de abolir e de fazer desaparecer qualquer princípio religioso, para dar lugar ao materialismo, ao ateísmo, ao espiritismo e a toda a sorte de vícios.

No ano de 1865, ver-se-á a abominação nos lugares santos, nos conventos apodrecerão as flores da Igreja e o demônio tornar-se-á como o rei dos corações. Aqueles que estão à frente das comunidades religiosas tomem cuidado com a pessoas que eles devem receber, porque o demônio usará de toda a sua malícia para introduzir pessoas entregues ao pecado, pois as desordens e o amor dos prazeres carnais se espalharão por toda a terra.

A França, a Itália, a Espanha e a Inglaterra estarão em guerra; o sangue correrá nas ruas; o francês bater-se-á com o francês, o italiano com o italiano; em seguida haverá uma guerra geral, que será espantosa. Por algum tempo, Deus não se lembrará mais da França nem da Itália, porque o Evangelho de Jesus Cristo não é mais conhecido. Os maus ostentarão toda a sua malícia; matar-se-á, em mútua carnificina, até nas casas.

Ao primeiro golpe de sua espada fulminante, as montanhas e a natureza inteira tremerão de espanto, porque as desordens e os crimes dos homens penetram a abóbada do céu. Paris será incendiada e Marselha submergida; muitas grandes cidades serão abaladas e soterradas por terremotos: acharão que tudo está perdido; não se verão a não ser homicídios, não se ouvirão senão ruídos de armas e blasfêmias. Os justos sofrerão muito; as suas preces, a sua penitência e as suas lágrimas subirão até o céu, e todo o povo de Deus pedirá perdão e misericórdia como também a minha ajuda e a minha intercessão. Então Jesus Cristo, por um ato de sua justiça e da sua grande misericórdia para com os justos, ordenará a seus anjos que todos os seus inimigos sejam mortos. De repente, os perseguidores da Igreja de Jesus Cristo e todos os homens entregues ao pecado perecerão, e a terra tornar-se-á como um deserto. Então se fará a paz, a reconciliação de Deus com os homens; Jesus Cristo será servido, adorado e glorificado; a caridade florescerá por toda a parte. Os novos reis serão o braço direito da Santa Igreja, a qual será forte e humilde, piedosa, pobre, zelosa e imitadora das virtudes de Jesus Cristo. O Evangelho será pregado por toda a parte, e os homens farão grandes progressos na fé porque haverá unidade entre os obreiros de Jesus Cristo, e os homens viverão no temor de Deus.

Não será longa essa paz entre os homens. Vinte e cinco anos de abundantes colheitas lhes farão esquecer que os pecados dos homens são a causa de todos os sofrimentos que ocorrem sobre a terra.

Um precursor do anticristo, com suas tropas de muitas nações combaterão contra o verdadeiro Cristo, o único Salvador do mundo; ele espalhará muito sangue e quererá aniquilar o culto de Deus para fazer-se considerar como um Deus.

A terra será golpeada com toda a espécie de pragas (além da peste e da fome que serão gerais); haverá guerras até a última guerra que será então feita pelos dez reis do anticristo, os quais terão o mesmo desígnio e serão os únicos que governarão o mundo. Antes que aconteça isso, haverá uma espécie de falsa paz no mundo; não se pensará senão em se divertir; os maus entregar-se-ão a toda sorte de pecados; mas os filhos da Santa Igreja, os filhos da fé, meus verdadeiros imitadores, crescerão no amor de Deus e nas virtudes que me são mais caras. Felizes as almas humildes, conduzidas pelo Espírito Santo! Eu combaterei com elas até que cheguem à plenitude da idade.

A natureza exige vingança para os homens, ela freme de espanto na expectativa do que deve suceder à terra manchada de crimes.

Tremei, terra, e vós que fazeis profissão de servir a Jesus Cristo e que, no interior vos adorais a vós mesmos, tremei; pois Deus vai abandonar-vos ao seu inimigo, porque os lugares santos estão na corrupção; muitos conventos não são mais as casas de Deus, mas as pastagens do Asmodeu e dos seus.

Será durante esse tempo que nascerá o Anticristo, duma religiosa hebraica, duma falsa virgem que terá comunicação com a antiga serpente, o mestre da impureza: seu pai será Ev. (qui potest capere, capiat - quem poder entender, que entenda); ao nascer, ele vomitará blasfêmias, terá dentes; numa palavra, será o demônio encarnado; lançará gritos terrificantes, fará prodígios, não se alimentará senão de impurezas. Terá irmãos que, embora não sejam demônios encarnados como ele, serão filhos do mal; com 12 anos serão celebrados pelas brilhantes vitórias que obterão em breve, cada um deles estará à frente de exércitos, assistidos por legiões do inferno.

As estações serão mudadas, a terra não produzirá senão maus frutos, os astros perderão os seus movimentos regulares, a lua não refletirá senão uma luz avermelhada; a água e o fogo cansarão ao globo terrestre movimentos convulsivos e horríveis terremotos, que farão tragar montanhas, cidades, etc..

Roma perderá a fé e tornar-se-á a sede do Anticristo.

Os demônios do ar farão, com o Anticristo, grandes prodígios sobre a terra e nos ares, e os homens perverter-se-ão cada vez mais. Deus terá cuidado de seus fiéis servidores e dos homens de boa vontade; o Evangelho será pregado por toda a parte, todos os povos e nações terão conhecimento da verdade!

Eu dirijo um apelo premente à terra, chamo os verdadeiros discípulos do Deus vivo que reina nos céus; convoco os verdadeiros imitadores de Cristo feito homem, o único e verdadeiro Salvador dos homens; apelo para os meus filhos, meus verdadeiros devotos, os que se entregaram a mim para que eu os conduza a meu divino Filho, aqueles que eu levo, por assim dizer, nos meus braços; os que viveram do meu espírito; enfim, chamo os Apóstolos dos últimos tempos, os fiéis discípulos de Jesus Cristo, que viveram num desprezo do mundo e deles mesmos, na pobreza e na humildade, no desprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, no sofrimento e desconhecidos do mundo. É tempo que saiam e venham iluminar o mundo. Ide, e mostrai-vos como meus filhos queridos; estou convosco e em vós, contanto que vossa fé seja a luz que vos ilumine nesses dias de desgraça. Que vosso zelo vos torne como que famintos da glória e da honra de Jesus Cristo. Combatei, filhos da luz, vós, pequeno número que consegue ver: pois eis o tempo dos tempos, o fim dos fins.

A Igreja será eclipsada, o mundo estará na consternação. Mas eis Enoch e Elias cheios do Espírito de Deus: eles pregarão com a força de Deus, e os homens de boa vontade acreditarão em Deus e muitas almas serão consoladas; eles farão grandes progressos pela virtude do Espírito Santo e condenarão os erros diabólicos do anticristo.

Desgraçados dos habitantes da terra! Haverá guerras sangrentas e fome, pestes e doenças contagiosas; haverá chuvas de granizo de terríveis animais; trovões que abalarão cidades; terremotos que tragarão países; ouvir-se-ão vozes nos ares; os homens baterão a cabeça contra os muros; chamarão a morte e por outro lado ela será o seu suplício; o sangue correrá de todos os lados. Quem poderá vencer, se Deus não diminuir o tempo da prova? Pelo sangue, pelas lágrimas e preces dos justos, Deus se deixará abrandar: Enoch e Elias serão assassinados. A Roma pagã desaparecerá; o fogo do Céu cairá e consumirá três cidades; todo o universo será ferido de terror e muitos se deixarão seduzir porque não adoraram o verdadeiro Cristo que vive entre eles. Chegou o tempo. O sol se escurece; somente a fé viverá.

Eis o tempo; o abismo se abre. Eis o rei dos reis das trevas. Eis a besta com os seus súditos, dizendo-se "o Salvador" do mundo. Elevar-se-á com orgulho nos ares para ir até o céu; ele será sufocado pelo sopro de São Miguel Arcanjo. Cairá então e a terra que, durante três dias estará em evoluções contínuas, abrirá o seu seio cheio de fogo; ele será submergido com todos os seus nos abismos eternos do inferno. Então a água e o fogo purificarão a terra e consumirão todas as obras do orgulho dos homens, e tudo será renovado: Deus será servido e glorificado".

Fonte: http://www.capela.org.br/Crise/salette.htm


Thursday, September 15, 2016

A infeliz carta dos bispos argentinos

De acordo com o site InfoCatólica, os bispos argentinos, no último dia 8, dirigiram aos sacerdotes diocesanos e religiosos um documento intitulado Criterios básicos para la aplicación del capítulo VIII de Amoris Laetitiaem que escrevem, nos números 5 e 6, acerca da participação nos sacramentos das pessoas recasadas:

5) Quando as circunstâncias específicas de um casal tornam isso factível, especialmente quando ambos são cristãos com uma jornada de fé, se pode propor o empenho de viver em continência. Amoris Laetitia não ignora as dificuldades desta opção (cf. nota 329) e deixa aberta a possibilidade de acesso ao sacramento da Reconciliação quando eles falharem nesse propósito (cf. nota 364, segundo o ensinamento de João Paulo II ao Cardeal W . Baum, de 22/03/1996). 
6) Em outras circunstâncias mais complexas, e quando eles não puderem obter uma declaração de nulidade, a opção acima mencionada pode não ser viável de fato. No entanto, é também possível um caminho de discernimento. Se vier a reconhecer que, num caso concreto, há limitações que atenuam a responsabilidade e a culpabilidade (cf. 301-302), particularmente quando uma pessoa considerar que cairia em uma falta ulterior prejudicando os filhos da nova união, Amoris Laetitia abre a possibilidade do acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia (cf. notas 336 e 351). Estes, por sua vez, dispõem a pessoa a continuar a amadurecer e crescer com o poder da graça.


O número 6 afirma que, em algumas circunstâncias, a opção da continência (mencionada no número anterior), "poderia não ser viável", e que, nesse caso, caberia um discernimento de situações em que os recasados, mantendo as relações sexuais irregulares, poderiam receber os sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia. 

A fundamentação é de um completo despropósito: a ideia de que a separação física do(a) novo(a) cônjuge e dos filhos da nova união (ilegítima) -é o que se supõe- seja uma "falta", no sentido de um pecado (grave) de irresponsabilidade, não procede, porque, por um lado, não é verdade que os deveres paternos contraídos nessa nova união não poderiam mais ser cumpridos, naquilo que é absolutamente necessário e justo; por outro, os vínculos de sangue não são mais obrigantes que os espirituais do sacramento (do matrimônio legítimo), e é precisamente numa situação assim que se pode entender mais claramente e cumprir o Evangelho do domingo retrasado: "Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo" (Lc 14,26-27). 

O cuidado da nova configuração familiar -se o cônjuge recasado lutou pelo seu matrimônio-, a vivência, nele, de um verdadeiro amor humano, sem dúvida atenuam o pecado da situação irregular, mas não o desculpam absolutamente; é legítimo considerar que o sujeito não está no inferno, mas sua vida não reflete a renúncia ao pecado que se requer para a recepção dos sacramentos. O "tudo ou nada" de uma teologia superficial -que não entende bem o significado do purgatório- redunda ou em rigorismo (não o da proibição da recepção dos sacramentos, mas o da imaginação de que pessoas recasadas são "párias que se encaminham para o inferno", esquecendo-se da graça da fé e da esperança) ou em laxismo (o da proposta dos bispos).

Depois, a ideia de que a evitação desta suposta falta ulterior, por si só, cancelaria a culpa subjetiva do adultério objetivo é evidentemente absurda. Um pecado grave objetivo só pode ser absolutamente desculpado pelos condicionamentos psíquicos no exercício do ato pecaminoso; nenhum tipo de desculpa pode surgir de uma reflexão ou consideração formal sobre uma situação permanente, como os bispos supõem: uma tal reflexão deve chegar até o fim, à consciência do pecado e à graça do arrependimento, e o cuidado pastoral deve precisamente ajudar a que o fiel se encaminhe até esse ponto. Quem deseja verdadeiramente aproximar o pecador da Eucaristia não pode escamotear a verdade sobre a sua situação.

É inadmissível que, numa questão tão importante, os princípios revelados e o rigor (teo)lógico sejam preteridos, não pela caridade, mas por uma linguagem não científica e um psicologismo sentimentalista.

Tal interpretação da Amoris Laetitia, que sem dúvida é logicamente possível, tendo-se em conta as ambiguidades do capítulo VIII, é, contudo, teologicamente terrível: embora não se negue explicitamente o dogma da indissolubilidade do matrimônio, fá-lo indiretamente, ao propor, a partir de uma compreensão falaciosa da "razão errônea reta" e por uma superficial psicologia do ato moral, que uma pessoa recasada poderia não estar em pecado grave na nova união

Vários prelados e intelectuais católicos já indicaram o erro dessa posição; eu mesmo o fiz em dois textos deste blog: Notas sobre o capítulo VIII da Amoris Laetitia e Ainda a Amoris Laetitia. Não repetirei aqui a argumentação, apenas remetendo aos textos já publicados, e citando um pequeno trecho, para que o leitor conclua acerca de uma verdadeira pastoral misericordiosa:


Desde uma perspectiva pastoral: o sujeito recasado que sabe que seu casamento foi válido, e faz a comunhão espiritual, pode viver perfeitamente a seguinte experiência interior:"Meu Deus, eu sei que não vivo bem minha fé, eu sei que não sou digno de Te receber, mas não me abandona, fica comigo, perdoa-me, recebe-me...". Essa pessoa reconhece que não é capaz da Eucaristia, mas ela não está perdida. Poderá se salvar, mas PRECISAMENTE porque reconhece que seu lugar, aqui e agora, não é o de quem reflete a comunhão de Cristo e da Igreja! Esta é sua graça! Se exigir comungar, cai na soberba! Como os teólogos progressistas não veem isso?

Imaginem, agora, a seguinte situação: um sacerdote amasiado não consegue abandonar sua concubina, e crê, sinceramente, que não pode abandoná-la, porque essa situação traz para ele equilíbrio emocional (e que isso até é verdade!). Ele poderia se confessar e comungar sem sacrilégio, mantendo suas relações sexuais? Vejam, sua situação é objetivamente menos grave que uma nova união posterior a um casamento válido, porque o celibato sacerdotal é um conselho evangélico e uma disciplina eclesiástica, e não um mandamento de Cristo (e a fornicação, mesmo a de um ministro ordenado, é menos grave que o pecado de adultério). No entanto, esta situação seria passível de um "discernimento pastoral" análogo? Do ponto de vista da lógica interna aos critérios assumidos -que, reitero, são absurdos-, teria de ser!

Onde isso poderia parar? Numa completa relativização da noção de pecado grave...