Tuesday, March 29, 2016

Leitura orante: Oitava da Páscoa

Segunda-Feira na Oitava da Páscoa

“Jesus foi ao encontro delas, e disse: ‘Alegrai-vos!’ [...] ‘Não tenhais medo’. [...]
Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo-lhes: “Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis” (Mt 28,9.10.12-13).

A atitude dos sumo sacerdotes é a atitude de todos aqueles que, conhecendo a verdade ou, ao menos, entrevendo a razoabilidade da fé cristã, preferem o comodismo e, não querendo abrir mão das prerrogativas da vida mundana, mentem para si mesmos, desacreditam os discípulos de Cristo, “não entram e não deixam entrar”. O quanto nós, os cristãos, preferimos, não uma soma de dinheiro, mas os consolos baratos do mundo, ao invés de seguir Nosso Senhor até a cruz? Cristo ressuscitou!, anunciemos com alegria, sem medo da filosofia estulta que nega a transcendência teoricamente, sem apego à miséria do dinheiro que a nega na prática, e corrompe a dignidade humana.



Imagem: “A Ressurreição” (1577-79), de El Greco






Terça-Feira na Oitava da Páscoa

“Jesus disse: ‘Não me segures. Ainda não subi para junto de meu Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus’” (Jo 20,17).



A frase de Jesus, “não me segures”, dita à Madalena, não é uma espécie de bronca, como se a ação dela fosse despropositada; mas é que, com a Ascensão, a humanidade de Jesus, assumida plenamente na divindade, seria dela, e de todo cristão, de modo permanente, e não mais transitório. O que Jesus diz, portanto, é: “logo, logo, ter-me-á ininterruptamente, e seu desejo de não mais se afastar de mim, será plenamente realizado, alcançará seu propósito”. Ao subir, Jesus não se afasta de nós, pelo contrário!, está agora, sempre próximo. Não o deixemos!

Imagem: “Ressurreição” (1304-06), de Giotto


Quarta-Feira na Oitava da Páscoa

“‘Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!’ Jesus entrou para ficar com eles. Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía.
Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. Então um disse ao outro: ‘Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?’” (Lc 24,29-32).


“Resta qui con noi il sole scende già, / se tu sei fra noi la notte non verrà” (“Fica aqui conosco o sol se põe já, / se tu estás entre nós a noite não virá”), diz o belo hino da 1ª JMJ (Roma, 1986). Aqueles que experimentam o coração aceso com as palavras do Evangelho, e com os olhos da fé percebem o amor infinito de Deus na Eucaristia, já não podem duvidar da realidade da Ressurreição!, já não podem viver sem anunciá-la! Para nós, o viver é Cristo! A noite do pecado se abate mais uma vez sobre o mundo... Vem, Senhor, volta para que todos vejam que as Escrituras se cumpriram, para que todos reconheçam o Sol de Justiça!

Imagem: “Estrada para Emaús” (1308-11), de Duccio di Buoninsegna


Quinta-Feira na Oitava da Páscoa

“‘Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho’” (Lc 24,39).

Jesus ressuscitou, não é um fantasma! É a vida humana inteira, corpo e alma, que ressuscitam, não só a alma, cuja imortalidade a filosofia já conhecia. Pela Encarnação e pela Ressurreição, Jesus devolve à matéria em geral, e ao corpo humano em particular, a dignidade que o pecado obscureceu. O realismo da passagem do Evangelho (aqui, como na passagem da pesca milagrosa do final do Evangelho de João, Jesus chega a comer peixe!) é tal, que nos indica que mesmo a dimensão orgânica do corpo participará da glória e da incorruptibilidade (e não só a dimensão somática, pela qual o corpo é princípio da presença da pessoa aos demais e no mundo).

Imagem: “A incredulidade de S. Tomé” (1634), de Rembrandt


Sexta-Feira na Oitava da Páscoa

“Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: ‘É o Senhor!’ Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu uma roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar” (Jo 21,7).

 Aquele mesmo que havia negado o Senhor três vezes por medo, revela o que há verdadeiramente no seu coração: uma fé diligente. Como antes se lançara ao mar para pescar, e fora ao encontro de Jesus que caminhava sobre as águas, agora se lança, não mais por necessidade ou por medo, mas por amor. Um amor que ainda não era perfeito, mas que já havia se decidido a não mais abandonar o seu Senhor. Que seu exemplo nos encoraje a não nos abandonarmos ao pecado, mas a sempre acolhermos com prontidão a misericórdia de Cristo, que não cessa de nos amar e chamar.

Imagem: “Aparição no Lago Tiberíades” (1308-11), de Duccio di Buoninsegna


Sábado na Oitava da Páscoa

“Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado.
E disse-lhes: ‘Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!’” (Mc 16,14-15).

Os apóstolos não acreditaram nas mulheres nem nos discípulos de Emaús, e só S. Tomé ficou com má fama! Mas Jesus confia o anúncio do Evangelho a estes homens, e eles têm a primazia na Igreja. Eles viveram com Jesus, eles O amavam, e se ainda não acreditavam plenamente em Sua Palavra, não haviam matado a fé no seu coração, e é por isso que Jesus lhes aparece, para devolver-lhes a confiança praticamente perdida. Que não permitamos que o nosso coração se endureça a ponto de não mais reconhecermos o Cristo que Se manifesta.

Imagem: “Aparição aos apóstolos” (1308-11), de Duccio di Buoninsegna


Domingo na Oitava da Páscoa (Domingo da Misericórdia)

“‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos’” (Jo 20,22-23).

Fruto da Páscoa, da passagem da morte à vida, é o perdão dos pecados, obtido objetivamente na Cruz, mas que é aplicado subjetivamente através do sacramento da penitência da Igreja. Para que sejamos perdoados, precisamos ser humildes, para reconhecer nossos pecados e confessá-los ao sacerdote, delegado do bispo, sucessor dos apóstolos, além de cumprir a penitência imposta, que tem por finalidade não o perdão, mas a reparação das consequências do pecado na vida do fiel e da Igreja; são estas consequências que o fiel deverá sanar no purgatório, caso não se santifique plenamente, e é a elas que se aplicam as chamadas indulgências.

Imagem: “Os sete sacramentos II: Penitência” (1647), de Nicolas Poussin

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